“João é o seu nome”

24 junho, 2021

Wellinton Cordeiro I “João é o seu nome” (Lc 1, 63b).

Ao celebrar a Solenidade da Natividade de São João Batista, a Igreja nos recorda os passos do seguimento a Deus. Recorda-nos, também, que para segui-lo é preciso discernir os passos que nos levam a Ele, bem como, estarmos atentos e percebermos os passos que nos afastam do seu Amor. Caminho de mão dupla, um lado corre na direção de Deus, o outro nos leva na direção de nossa condenação.

Sabemos que o único caminho que nos leva a Deus é vivermos a relação com seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo nos diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo14, 6). É com Cristo, obedecendo a seus ensinamentos, tendo-O em nosso meio, no compromisso com o próximo, que estamos no caminho para a Vida Eterna, seguindo a trilha do caminho do Amor.

A Revelação plena de Deus à humanidade deu-se na Encarnação do Verbo, que havia de realizar o mistério salvífico mediante a Paixão, Morte e Ressureição. Porém, Deus não depende das nossas lógicas, nem das nossas limitadas capacidades humanas. Pelo contrário, “[…] é preciso aprender a confiar e a silenciar diante do mistério de Deus e a contemplar com humildade e silêncio a sua obra, que se revela na história e que muitas vezes supera a nossa imaginação”[1].

Houve um homem que viveu de maneira exemplar o seguimento de Cristo. Mostrou ao gênero humano que é possível, mesmo diante das dificuldades, dar nosso “sim” diário, um “sim” que faça eco em nossas vidas. Ele nos mostrou que seguir o Cristo é ir ao extremo da opção pela Vida, permitiu-se ser instrumento do Reino de seu Senhor.

São João, o Batista, soube preparar os caminhos para que o Senhor viesse e realizasse sua pregação e missão salvífica. Já no ventre de sua mãe, Santa Isabel, sua vocação profética é rodeada de eventos extraordinários, em preparação ao nascimento de Jesus. O Evangelho de Lucas (1,39-45) narra que Isabel, quando grávida, recebeu a visita de sua prima, Maria, que também estava grávida, à espera do menino Jesus. No momento daquele gracioso encontro, João, no ventre de Isabel, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria. 

Isabel era estéril e idosa. O Arcanjo Gabriel anunciou ao seu esposo, Zacarias, o nascimento de um filho: “Não temas Zacarias – disse-lhe – a tua oração foi ouvida e tua mulher, Isabel, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria e muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Senhor” (Lc 1,13). O Evangelho de hoje (Lc 1,57-66) nos narra essa experiência da graça de Deus, como se deu a gravidez, como o projeto de Deus permeia a vida do povo, como é possível discernir os caminhos ao Seu seguimento mesmo nos momentos mais improváveis.

A pregação e o testemunho de São João eram tão convincentes, que houve quem chegasse a confundi-lo com o próprio Messias; prerrogativa a qual, com convicção negou: “Eu não sou o Cristo… Eu sou a voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor!”(Jo 1, 23). Ele sabia quem era e qual era a sua missão. Foi enviado para preparar os corações no acolhimento da vinda do verdadeiro Messias, abaixou-se em humildade e soube se reconhecer como aquele que é “indigno de desatar a correia da sandália” (Jo 1, 27).

A vida e as escolhas de João Batista nos ensinam a atitude básica de todo cristão: devemos anunciar a Nosso Senhor Jesus Cristo, e não a nós mesmos; não nossos feitos, mas a escolha de uma vida que renuncia a si mesma em benefício do relacionamento com Deus.

Um mundo que busca, muitas vezes, os aplausos para si mesmo pode contaminar os cristãos a quererem, também, ser o centro das atenções. Quando isso acontece, nos colocamos no lugar de Jesus e acabamos por destruir a raiz do anúncio do Evangelho.

A célebre frase de São João: “É necessário que Ele [Jesus] cresça e eu diminua” (Jo 3, 30), deveria estar sempre inscrita em nós, pois nos ajuda a não perdermos o horizonte de nossa vida cristã. Em todas as atividades que fazemos, sobretudo na Igreja, nos serviços que prestamos aos mais pobres, em nosso trabalho e nossa família, é sempre oportuno que nos perguntemos: estamos nos colocando no lugar que deveria ser de Jesus?

Ele constantemente nos convida a segui-lo, a estarmos em sua presença, contudo, a “mundanidade” nos oferece muitas distrações e atrativos que acabam por nos afastar d’Ele. É importante frisar que Ele não nos afasta de nós; somos nós, com nossos erros, nossos pecados, nosso egoísmo, que vamos nos afastando aos poucos, lentamente, de sua presença, rumo ao espírito do mundanismo.

O Papa Francisco constantemente nos alerta que, com o espírito do mundanismo, o homem escorrega lentamente para o pecado e perde a consciência desse Mal. Seus conselhos nos ajudam, eles nos trazem alguns exemplos de mundanidade que devemos estar atentos e que se constituem limites daquilo que devemos viver: “Se amas ou és apegado ao dinheiro, à vaidade e ao orgulho irás pelo caminho mau”. Se pelo contrário “procuras amar a Deus e servir aos irmãos, se és dócil, se és humilde, se serves os outros, irás pela estrada boa. A tua cidadania é a do céu!”.

Este é o caminho que não se percorre do dia para a noite, ele se faz no cotidiano, se faz ao caminhar. Podemos estabelecer, de imediato, quatro metas a serem seguidas, que nos levarão a Jesus, que são: contemplá-Lo por meio da Oração; escutá-Lo por meio de sua Palavra; unirmos a Ele por meio da Eucaristia; e servi-lo por meio dos mais necessitado, os pobres.

Portanto, que esta Solenidade que celebramos hoje, nos ajude a perceber os caminhos que levam a Nosso Senhor, fortalecendo-nos contra o espírito do mundanismo. E que com mesmo ânimo e sabedoria de São João Batista possamos preparar e anunciar somente os caminhos do Senhor.

Wellinton Cordeiro de Paula

Seminarista do 1º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: São Miguel Arcanjo – Araguaia – Marechal Floriano.

Paróquia de Estágio Pastoral: Bom Pastor – Nova Carapina – Serra.

 

 

[1] PAPA FRANCISCO. Angelus (24/06/2018). Disponível em: <Angelus, 24 de junho de 2018 | Francisco (vatican.va). Acesso em 23 jun 2021.

PAPA FRANCISCO. Vigilantes contra a mundanidade: Meditações matutinas na Santa Missa celebrada na capela da casa santa Marta (13/10/2017). Disponível em: < Vigilantes contra a mundanidade (13 de outubro de 2017) | Francisco (vatican.va)>. Acesso em 23 jun 2021.

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