Dia 15 de maio é a data prevista e muito esperada da assinatura da nova Carta Encíclica do Papa Leão XIV. Nesse dia, o Papa Leão XIII, em 1891, assinava a Encíclica Rerum Novarum dando início a uma rica contribuição da Igreja conhecida como Doutrina Social. Quarenta anos depois, o Papa Pio XI publicava Quadragesimo Anno; em 1961, o Papa João XXIII publicava Mater et Magistra e no dia 1º de maio de 1991, fazendo referência ao movimento operário, o Papa João Paulo II publicava a Carta Encíclica Centesimus Annus. Esses são os grandes marcos na linha da publicação da Rerum Novarum. A encíclica do Papa Leão XIV segue esses grandes momentos do magistério pontifício.
A expectativa por essa encíclica é muito grande, em parte, decorrente da escolha do nome papal após sua eleição pelo colégio de cardeais. Conforme testemunho de seus colegas cardeais, o Cardeal Robert Francis Prevost quis assumir o nome de Leão XIV em vista do contexto atual do emprego na nova revolução digital. Ele disse aos colegas que queria dar mais atenção às questões de ordem social no mundo e às questões de justiça. Com essa nova revolução tecnológica, há o problema dos empregos. “Se Francisco falava com lobos, agora temos um leão que afungentará os lobos”, brincavam os cardeais.
Segundo o Cardeal Fernando Filoni que estava na mesa de escrutínio eleitoral, o Cardeal Prevost considerou inicialmente chamar-se Agostinho em homenagem ao Santo fundador da ordem à qual pertence. “A princípio, Prevost também considerou se chamar Agostinho, mas no fim decidiu que Leão era melhor”.
Em sua primeira audiência aos membros do Colégio de Cardeais, no dia 10 de maio de 2025, esclareceu a questão do nome: “Justamente por me sentir chamado a seguir nessa linha, pensei em adotar o nome de Leão XIV. Na verdade, são várias as razões, mas a principal é por Leão XIII, com a histórica Encíclica Rerum Novarum abordou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial, e, hoje, a Igreja oferece a todos a riqueza de sua Doutrina Social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da Inteligência Artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”. Esse é o horizonte da Encíclica Magnifica Humanitas.
Mesmo no contexto da crise da chamada Questão Romana em que os Estados Pontifícios foram invadidos pelas tropas italianas em 1870, o magistério do Papa Leão XIII seguiu olhando para o mundo e o que a Igreja poderia contribuir para que a dignidade humana fosse garantida, especialmente dos operários. Era preciso enfrentar o mundo moderno com outro posicionamento pastoral, rompendo com a ilusão de que a Igreja poderia viver em um mundo fechado em si. Assim abriu um caminho para a Igreja no mundo moderno, na luta pela defesa dos direitos dos operários e dos pobres.
Hoje há muitas forças dentro e fora da Igreja que desejam que ela volte para seu mundo particular, fechado em si, sem se envolver com as dores e os sofrimentos da humanidade. Porém, isso não é o que foi pregado por Jesus Cristo nos Evangelhos.
O que podemos aguardar em relação a esse momento tão delicado e difícil da história e o papel da Igreja conduzida pelo Papa Leão XIV? Um dos filósofos mais lidos da atualidade, Yuval Noah Harari, nos diz que “a humanidade enfrenta uma crise existencial de confiança e a forma como lidaremos com ela definirá nosso futuro em um mundo dominado pela Inteligência Artificial”. É nesse contexto histórico de incerteza e bem convulsivo que se coloca a orientação da Igreja como contribuição própria para enfrentar mares e oceanos em altas ondas que ameaçam naufragar a humanidade do barco da história.
A Carta Encíclica do Papa Leão XIV segue a tradição das grandes encíclicas papais e deverá abordar os desafios da revolução provocada pela Inteligência Artificial e as consequências éticas, a paz e as ameaças das guerras, a crise do Direito Internacional e outras ameaças à humanidade. Nossa expectativa é de que teremos uma nova “Rerum Novarum” que marcará novos rumos da Igreja na história.
O caminho sinodal configurado no pontificado do Papa Francisco e retomado por Leão XIV deverá ser a forma com a qual a Igreja caminhará nesse novo mundo e seus desafios, fazendo com que o fardo, que é bem pesado, seja compartilhado e carregado em fraternidade e solidariedade.
Aguardemos a publicação da nova Encíclica! Tarefa imediata: o seu estudo e disposição para o caminho sinodal, com humildade e espírito de serviço.
Edebrande Cavalieri
Foto de capa: Papa Leão XIV (@Vatican Media)

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