Memória Viva em Meaípe

22 maio, 2021

Uma história de fé e tradição: assim pode ser definida a capela de Sant’Ana no alto do morro de Meaípe. Esta pequena igreja tem o mar a seus pés e uma visão privilegiada da praia de Meaípe, que já foi eleita pelo Guia Quatro Rodas, uma das mais belas do país.

Construída entre o final do século XIX e início do século XX, a igreja de Sant’Ana, marca em sua arquitetura a passagem da catequese dos jesuítas por Guarapari. Sua localização estratégica serviu como um farol para os pescadores, pois mesmo no mar podiam se localizar pela igreja e voltar para casa em segurança.

Nessa época, Meaípe era um povoado formado de casas de estuque cobertas de palhas, que abrigavam cerca de 70 a 80 famílias de pescadores. A população local foi crescendo lentamente, vivendo da pesca e da sua fé. Até os anos de 1960, Meaípe tinha aproximadamente 400 habitantes.

Após a construção da igreja, quando a história de fé de Meaípe começava a ser contada, chega à capelinha a Imagem de Sant’Ana que até hoje se encontra no local. A iconografia representa Sant’Ana Mestra, ensinando os mandamentos a sua filha, Virgem Maria Menina. A imagem mede 80cm e na sua base traz a inscrição da loja onde foi adquirida: “A Luneta de Ouro”, que nessa época, comercializava imagens sacras no Rio de Janeiro. Há também a inscrição com o nome do escultor: Aurélio Monteiro.

Mesmo pequena, a população de Meaípe sempre demostrou muita fé em Deus e devoção a Sant’Ana. Trazida pelos jesuítas, essa devoção se enraizou na cultura de Meaípe, assumindo ali características próprias. Invocada como protetora das famílias, recorria-se a Sant’Ana praticamente todas as necessidades, mas sobretudo nos momentos de grande perigo e angústia. Sua devoção se concretizava dado os inúmeros benefícios alcançados pelo seu patrocínio: graças, bênçãos, livramentos, libertações e curas; milagres que confirmam a sua escolha por parte de Deus para proteger e cuidar do povo de Meaípe.

No fim do século XX a população de Meaípe começa a crescer de forma exponencial e logo a pequena capelinha não era suficiente para atender o número de fiéis que a buscavam. Assim em 1988 foi dado início a construção do Santuário de Sant’Ana, bem ao lado da capela. Um ano depois a construção já estava terminada, graças aos bem feitores da região e aos pescadores que doavam os frutos do seu trabalho à padroeira, para que a comunidade tivesse recursos financeiros para terminar a construção da igreja. Junto com a construção do Santuário, outras comunidades foram surgindo no bairro para melhor atender ao povo de Meaípe, como a própria Matriz Nossa Senhora dos Navegantes.

Todos os anos os fiéis acorrem a Capelinha de Sant’Ana para pedir a sua proteção e agradecer as graças recebidas. Com grande emoção celebram em julho a sua novena e traduzem em seus hinos e cantos, compostos para a sua padroeira, todo o carinho e o amor devocional. Desde de 1903, uma vez por ano a Imagem da santa sai da capelinha em procissão pelas principais ruas de Meaípe, na tradicional festa de Sant’Ana, que em 2021 estará em sua 118ª edição. A festa de Sant’Ana reúne e guarda a essência mais pura do vilarejo de Meaípe, como memória viva e permanente da história e identidade do seu povo.

Hoje o Santuário de Sant’Ana é aberto toda semana para Missas, Celebrações da Palavra e também para a visitação. Durante o ano todo, diversos casais, vindos de vários estados, escolhem receber ali o Sacramento do Matrimônio.

A comunidade de Sant’Ana hoje é pequena, sendo composta apenas de algumas famílias que ainda vivem ao redor da capela. Porém, a igreja se enche de fiéis todas as vezes que as portas estão abertas, dada a tamanha devoção do povo de Meaípe. Subir o morro, rezar na grutinha, entrar na capela, ir ao Santuário de Sant’Ana são expressões dos inúmeros devotos que afluem seus pedidos, com os frutos de suas promessas a Santa Padroeira e protetora de Meaípe.

“A cada ano renovamos esse gesto de puro amor: consagrar nossos lares a Sant’Ana a avó do Nosso Senhor”. Trecho da canção “Num reduto de paz”, composta pelo Padre Márcio Ferreira de Souza, que é natural dessa Comunidade.

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