“Mestre, que eu veja!”

24 outubro, 2021

João L. Caçandre I “Então Jesus lhe perguntou: ‘O que queres que eu te faça?’ O cego respondeu: ‘Mestre, que eu veja!’” (Mc 10, 51).

O Evangelho deste XXX Domingo Comum nos mostra a última etapa do caminho que Jesus iniciou com os discípulos na Galileia, e que irá levá-lo a Jerusalém. A passagem de hoje situa-nos à saída da cidade de Jericó. Marcos coloca no centro da cena um mendigo cego com o nome de Bartimeu (cf. Mc 10,46-52).

Os cegos faziam parte do grupo de pessoas excluídas da sociedade. As deficiências físicas eram consideradas consequências do pecado e se pensava que eram castigo de Deus. A cegueira era considerada o resultado de um pecado especialmente grave: uma doença que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldição.

Com a passagem de Jesus, diante da situação de miséria, de dependência, de escravidão de Bartimeu, este percebe o sem-sentido de sua situação e sente à vontade de apostar numa outra experiência.

Jesus perguntou ao cego: “que queres que te faça?”. É a mesma pergunta que, pouco antes, Jesus fizera a João e Tiago (cf. Mc10,36). A identidade da pergunta acentua, contudo, a diferença da resposta. Os dois irmãos queriam sentar-se ao lado de Jesus e ver concretizados os seus sonhos de grandeza e de poder; o cego Bartimeu, ao contrário, cansado de estar sentado numa vida de escravidão e de cegueira, quer encontrar a luz para seguir Jesus.

Bartimeu encontrou a cura e a salvação, deixou a vida da escuridão, e nasceu para essa vida verdadeira e eterna, o cego Bartimeu representava, inicialmente, os pecadores que viviam longe de Deus e à margem da salvação. É com Bartimeu que os discípulos de Jesus são convidados a identificar-se.

Portanto, aquele que encontra Cristo e aceita o desafio para viver como discípulo tem, a partir daí, um caminho fácil? De forma nenhuma. Tem de abandonar a vida cômoda e instalada em que vivia e enfrentar uma nova realidade, e, num desafio permanente, tem de percorrer, dia a dia, o difícil caminho do amor, do serviço, da entrega, do dom da vida. Jesus disse: Que queres que te faça? Então não tenhamos medo de dizer a Jesus: “que eu veja”. A alegria de Jesus que nos ama é esta fé, que transforma e nos leva para o caminho de amor e santidade que é o próprio Cristo Jesus.

João Luís Caçandre

Seminarista do 1º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: Santa Ana – Marechal Floriano.

Paróquia de estágio Pastoral: N. Sra. da Glória – Vila Velha.

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