Muita cachaça e pouca oração

27 maio, 2021

Edebrande Cavalieri

Essa foi a brincadeira feita pelo Papa Francisco a respeito do Brasil numa conversa com um padre brasileiro. Penso que até as brincadeiras precisam ser levadas a sério. Nem sempre elas são assim tão inocentes como parecem. No caso da fala do Papa penso que seja pura brincadeira mesmo. Contudo, essa brincadeira nos leva a pensar e a nos perguntar: como estamos rezando? Para refletir um pouco a respeito da oração, vamos permanecer com Francisco, agora falando sério!

Ele, em uma das catequeses ministrada em dezembro de 2020, nos diz que a oração é o nosso coração. E explica muito bem essa história. A busca pela solidão e pelo silêncio não deve ter como justificativa apenas o fato de não sermos incomodados. É comum a gente ouvir que determinados barulhos, até uma criança chorando numa celebração, atrapalham nossa oração. Não atrapalham nunca. Somente buscamos o silêncio para ouvir melhor a voz de Deus. Podemos nos retirar do mundo, ir para o deserto, ficar isolados em nosso quarto. O essencial não está nesse silêncio se a porta do nosso coração não estiver aberta.

A oração deve nascer de um coração compassivo, que não exclui ninguém. Assim a oração se torna a voz de tantas pessoas impossibilitadas de rezar. A verdadeira oração nos leva a ser coração e voz das pessoas, todas e não apenas de quem queremos bem. E o papa de maneira brilhante nos diz: “Na solidão nos separamos de tudo e de todos para encontrar tudo e todos em Deus”. Então, a pessoa orante carrega nos ombros não apenas suas dores, suas angústias, suas necessidades, mas carrega as dores e os pecados do mundo inteiro.

E de maneira poética Francisco nos diz que a oração verdadeira é como a “antena” de Deus neste mundo. “Em cada pobre que bate à porta, em cada pessoa que perdeu o sentido das coisas, aquele que reza vê o rosto de Cristo”.

Nesses tempos difíceis de pandemia houve muita discussão em torno das Igrejas fechadas para as celebrações. O povo teve que rezar a partir de casa, olhando para sua TV ou seu pequeno celular ou ouvindo o rádio. As antenas não ficaram quebradas porque os templos estavam fechados. Deus continuou mais ainda antenado no mundo. Nunca se rezou tanto nesses tempos. Como foi importante a oração para romper esse túnel, principalmente quando não se via nenhuma luz à frente. E não rezávamos apenas para cada um de nós, mas para o mundo inteiro.

Muitas vezes nos templos ficamos distraídos em nossas orações. Há sim outras coisas que atrapalham a oração nos templos e não o choro das crianças. Ficamos distraídos olhando que está indo na fila da comunhão. Ficamos distraídos quando olhamos ao nosso redor para observar as pessoas como estão vestidas. Ficamos distraídos quando fiscalizamos a liturgia e os cantos para que nada ocorra de errado. Esse zelo excessivo em muitas celebrações distraem nossas orações. Essas cachaças sim impedem nossa oração.

Com os templos fechados, também sentimos falta da nosso irmão celebrando lado a lado. Sentimos falta de rezar juntos, da oração comunitária, expressando nossa comunhão, produzindo um coletivo de antenas de Deus. Essa é a Igreja que segue o Evangelho de Jesus Cristo. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”, nos orienta o Mestre.  Ainda Francisco nos alerta dizendo que a “Igreja nasce na oração” e cresce a partir da oração.

Tantas pessoas e organizações ficam sensibilizadas por reformas e mudanças na Igreja. E sabem de cor e salteado tudo o que deve mudar na Igreja. E o papa pergunta, de maneira séria agora: “Onde está a oração”? E acrescenta que tantas vezes as mudanças na Igreja na verdade são mudanças de grupo quando feitas sem oração. Quando a oração desaparece na Igreja, em pouco tempo ela se torna um invólucro vazio, pois “perdeu o seu eixo central”. Os inimigos da Igreja tentam destruí-la secando suas fontes, impedindo as pessoas de rezar.

Por esse motivo tantas pessoas compreenderam de maneira equivocada o fechamento dos templos, achando que essa medida sanitária estaria impedindo as pessoas de rezarem. Ninguém ficou impedido de rezar. Como tantos avançaram no caminho da santificação! Os santos e os mártires encontraram forças na oração, sempre. Por isso foram até o fim na caminhada da fé e na esperança. Não sucumbiram. Os santos sustentaram o mundo, não com as armas do dinheiro e do poder, mas com as armas da oração. Por isso o Papa, mesmo na brincadeira, nos chama a atenção para a força da oração como salvação do mundo, com abstinência de tantas “chachaças” que destroem essa antena de Deus no mundo.

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