NASCEU A LUZ DO MUNDO

“Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12)

Não há como não falar do nascimento de Jesus hoje.

Aqui em casa temos o hábito de encenar uma peça de Natal todo ano. Envolve as crianças mostrando o sentido da data e distrai os adultos, que assim não entram em assuntos delicados que sempre geram discussões. Foi uma forma eficaz que encontramos para que a espera da ceia e a oração em família acontecesse, do início ao fim, com a alegria de todos. Uma vez a peça falava na natureza se dando conta do nascimento de Jesus, em outra os animais, outra ainda de crianças pobres na rua pedindo esmola nos sinais e sendo rechaçadas e, no final, eles eram Maria, José, Jesus. Enfim foram muitas peças. A estratégia funcionou. De pré-ceias natalinas de estresse antes passamos à noites de risos e expectativas de quem seria que personagem, com que cenário e que roupas. Todas as crianças e até adolescentes e adultos que quisessem, participavam. São quase 40 anos desta tradição!

Ao procurar inspiração esse ano para a peça, na internet, me deparei com o depoimento da Santa Brígida ao seu confessor e a visão que ela teve do dia de nascimento de Jesus.

“[…] no momento em que Maria entrou nela (na gruta), o recinto foi inundado de resplendor e ficou tudo refulgente como se o sol estivesse ali dentro. […] Finalmente, deu à luz um Menino […] no momento de nascer rodearam os anjos e o adoraram dizendo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade“.  E mais adiante ela continua: “Fazia algum tempo que José fora em busca de parteiras. Mas, quando retornou à gruta, Maria já dera à luz o Menino […] “Quando chegaram à gruta, pararam, e eis que uma nuvem luminosa a encobriu (a parteira) que exclamou: “Hoje minha alma foi engrandecida, pois meus olhos contemplaram coisas maravilhosas. Nasceu a salvação para Israel”.

Santa Brígida nos conta ainda em suas visões, os símbolos do presépio que, desde o século III, estão presentes nas manifestações artísticas e estátuas inicialmente dentro das Catacumbas: o boi e o burro. Santa Brígida continua: “Alojada no estábulo reclinou o Menino numa manjedoura, e o boi e o burro o adoraram”.  A representação do presépio e seus participantes cumpre a profecia de Isaias cujo teor foi esclarecido, no século IV, por São Gregório de Nissa. O boi, um animal de carga, representa o povo judeu, preso ao rigor da antiga Lei, ao jugo da lei judaica. Já o burro(ou jumento), um animal nascido para carregar os fardos pesados da semeadura era considerado pelos judeus impuro. O burro representando os povos não judeus, os gentios, pagãos…  Assim, ali no presépio, antes do idealizado por São Francisco, nas catacumbas dos primeiros cristãos, estava manifesta os anseios que juntos estes dois povos possam adorar o menino Jesus.

 O burrinho que trouxe o menino Jesus para nascer em Belém, também para confirmar as escrituras, traz também Jesus Cristo para completar a sua missão no Calvário. Nós, um povo não escolhido, reconhecemos Jesus e escolhemos seguir o Deus Amor. Eles, o povo eleito por Deus, não reconheceu na pobreza e simplicidade o lugar de Deus.

A imagem final que essa simbologia trás para nós, hoje, é atualíssima, e não poderia ser diferente. Toda palavra de Jesus nos leva a desejarmos ser mansos e humildes de coração, amando o próximo como a nós mesmos, reafirmando que o “nós” (com as nossas crenças) e o “eles” (com as crenças deles) do nosso Brasil e em nossas famílias, mesmo sendo e pensando diferentes, possamos em paz, em convivência harmoniosa (sem um querer transformar o outro), simplesmente estar juntos e adorar o Senhor! A luz do mundo!

Feliz Natal!

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