O bispo emérito

6 agosto, 2020

Na Província Eclesiástica do Espírito Santo eles são 4: Dom Aldo Gerna (São Mateus), Dom Décio Zandonade (Colatina), Dom Luiz Mancilha Vilela (Vitória) e Dom Geraldo Lyrio Rocha (Mariana –MG). São os arcebispos e bispos eméritos que vivem em nosso Estado e compartilham a experiência, o conhecimento e a oração cada um com seu ritmo, seu estilo e sua condição física.

Nesta semana, que é dedicada à vocação sacerdotal, estamos descobrindo como se dão as diferentes etapas na vida de um vocacionado ao sacerdócio. Hoje, já na reta final da semana, vamos falar sobre o bispo emérito.

Quem é e o que significa bispo emérito

Bispo emérito é um título dado pela Igreja quando o bispo deixa de governar uma diocese por motivo de idade. A idade limite para um bispo exercer o ministério episcopal é 75 anos. Ao completar essa idade o bispo envia ao papa uma carta de renúncia ao cargo. Por se tratar de uma norma estabelecida pela Igreja, o Papa aceita, embora por razões específicas, em alguns casos, o bispo pode ser convidado a exercer o ministério por algum tempo mais. Em Vitória, nós tivemos recentemente o caso de Dom Luiz Mancilha Vilela, que se tornou emérito 1 ano e meio após apresentar a renúncia. A partir do momento em que o papa aceita a renúncia, o ofício de governar a diocese ou arquidiocese termina, mas o emérito continua bispo, garantido pela ordenação episcopal. As atividades que ele vai exercer dependem do estado de saúde e das necessidades da Igreja.

Conversamos com Dom Luiz Mancilha Vilela, arcebispo emérito de Vitória sobre o assunto.

Entrevista

Vicariato: O senhor continua acompanhando a vida da Igreja?

Dom Luiz: Sim, o emérito precisa descobrir sua missão de dar testemunho e orar pela Igreja. É uma etapa para agir com mais sabedoria e ter menos preocupação com o fazer. A vida de um bispo emérito é a plenitude da mistagogia. Costumo dizer que a Igreja é sábia ao estabelecer a idade de 75 anos para o bispo se retirar e deixar lugar para os mais novos. É como nos Atos dos Apóstolos quando os discípulos escolhem os diáconos para se dedicarem “ao fazer” para que eles se dedicassem mais à oração.

Vicariato: O dicionário define emérito como: pessoa experiente – pessoa que desfruta dos rendimentos obtidos ao longo da vida – pessoa que desfruta de honras? Qual delas se adapta à realidade de um bispo emérito?

Dom Luiz: Não me encaixo em nenhuma das definições. ´Dediquei a minha vida à Igreja e agora a Igreja me mantém nesta fase da vida. Nas dioceses que governei, tanto Vitória como Cachoeiro de Itapemirim, procurar fazer justiça social entre o clero. Vivo num apartamento que é da Arquidiocese de Vitória e sou mantido por ela.

Vicariato: Qual o sentimento na hora da renunciar? Esse sentimento já passou?

Dom Luiz: A renúncia faz parte daquelas passagens que todos temos e que eu tive nas diversas épocas da vida: nascimento – saída da família para o Seminário – do Seminário para a Congregação – do noviciado para a vida religiosa – tudo isso foram entregas que exigiram renúncias da minha parte. O episcopado foi para mim um momento difícil, renunciei à minha Congregação que amo muito e mergulhei num mundo que eu não conhecia: ser bispo de uma diocese. Apostei na graça de Deus, obedeci e acredito que cumpri a missão. Encontrei as duas dioceses em situação difícil e com a Graça de Deus fui instrumento para darmos passos à frente. Tornar-me emérito implica em mais uma renúncia. Sair de uma ativa para uma vida bastante diferente. Sempre me preocupei com as pessoas idosas e procurei me preparar para a vida de emérito, mas eu vi que mesmo com preparo a gente se surpreende. Estou vivendo de outra maneira sem me preocupar em fazer alguma coisa. Minha preocupação é ser uma presença ou uma pessoa segundo os desígnios Senhor.

Vicariato: Das atividades religiosas que o senhor desenvolveu, qual, neste momento, lhe faz falta?

Dom Luiz: Eu não identifico esta ou aquele. A minha pessoa inteira estava a serviço do Reino de Deus e da Igreja de acordo com as minhas pobres capacidades. No governo, na formação dos seminaristas e dos padres, em tudo que fiz procurei dar o melhor e não foi fácil. Não devo ter agradado a todos porque meu estilo de vida foi na linha disciplinar porque eu entendi que tanto a diocese de Cachoeiro quanto a de Vitória precisavam de certa disciplina. Sem disciplina a pessoa não caminha e sem disciplina a Igreja não caminha. Quanto ao que me faz falta, eu sou uma pessoa da liturgia, mas não me faz falta porque eu celebro a missa todos os dias. Agora Deus me quer como emérito, então eu não tenho que fazer, tenho que ser e obedecer à Igreja no ministério da minha emeritude e estar à disposição se precisarem de mim. Insisti muito que Deus nos quer santos e busco a santidade. A tecla principal da minha pregação foi e é a vivência do mistério pascal.

Vicariato: O senhor tem uma rotina de atividades?

Dom Luiz: Agora, por conta da pandemia, estou sem atividades nas duas paróquias onde celebro, mas tenho uma rotina sim. Levanto às 5h, faço uma caminhada no corredor, depois minhas orações com a Liturgia das Horas e meditação. Depois do café vejo as notícias e continuo rezando de outra forma, escrevendo para um conhecimento maior da pessoa de Jesus a partir dos Evangelhos Sinóticos. À tarde depois de um descanso assisto alguma coisa na linha mais cultural ou volto para trabalhar no computador e leitura. Acabei de ler Sto. Agostinho e agora estou lendo São Basílio Magno.

Vicariato: Na CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,  bispo emérito tem voz e vez? E na Arquidiocese?

Dom Luiz: Na CNBB temos voz, vez não temos porque a Igreja já nos tirou a nossa vez. Então, agora a nossa missão não é fazer alguma coisa, nossa missão é ser, é a missão da sabedoria, da fé mais aprofundada, e, sobretudo do despojamento. A gente vê que a vida e o trabalho que realizou pouco significado e pouco valor tem. O importante é a qualidade de vida na fé e no amor do Senhor. A gente vive o mistério da cruz no passado e no presente para que possa experimentar a doçura do céu.

Insígnias episcopais e bispos eméritos

Ao ser ordenado o bispo recebe o anel, a cruz peitoral e a mitra. Ao tomar posse recebe o báculo (cajado). Se for nomeado arcebispo recebe do Papa o pálio que apenas pode ser usado nas Celebrações Litúrgicas dentro do território da Província Eclesiástica, no nosso caso no Estado do Espírito Santo. O báculo é o símbolo do pastoreio e o pálio o símbolo da lealdade ao Papa. Então, ao tornar-se emérito, o bispo ou arcebispo deixam de usar o báculo (porque a responsabilidade do pastoreio na diocese não mais lhe pertence) e também o pálio, (por não ser mais o responsável pela lealdade ao Papa).

Bispos eméritos no Espírito Santo

A responsabilidade pela assistência ao bispo emérito é da diocese que ele governou, mas nem sempre o bispo emérito fica na diocese. Em Vitória temos a presença de dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo emérito da diocese de Mariana, MG. Dom Geraldo é nascido no Espírito Santo e escolheu ficar em Vitória nesta etapa da vida, mas continua pregando retiros e assessorando encontros pelas dioceses do Brasil. Dom Décio Zandonade continua na Diocese de Colatina, e assumiu a reitoria do Santuário da Saúde em Ibiraçu. Dom Luiz Mancilha Vilela continua na Arquidiocese de Vitória e, neste momento por conta da pandemia, está sem atividades, mas ajuda nas celebrações em duas paróquias de Vila Velha (Bom Pastor e Guadalupe) e também atende demandas de outras paróquias para celebração de crisma. Dom Aldo Gerna também permanece em São Mateus, mas por questões de saúde está sem atividades.

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