
Na manhã desta quarta-feira (10), segundo dia da Semana Teológica realizada pelo Instituto Interdiocesano de Filosofia e Teologia, o jesuíta Pe. Anderson Antônio Pedroso foi o segundo conferencista a apresentar sua reflexão, cujo o tema foi: “O mistério humano revelado na arte”.
Em sua fala, ele abordou a relação entre beleza e vulnerabilidade, questionando o paradigma cultural que, historicamente, associa o belo à perfeição imutável e a fragilidade à fraqueza. “A vulnerabilidade não é fraqueza, é o selo da existência. Tudo o que pode ser perdido é precioso, e aí está sua dignidade”, afirmou, citando a filósofa Simone Weil.
Para ilustrar sua reflexão, Pe. Anderson utilizou a escultura de Bernini que retrata Enéias, o pai Anquises e o filho Ascânio na fuga de Troia em chamas. Na cena, o herói carrega o pai nos ombros e conduz o filho pela mão, símbolo do papel do educador e do pastor que preserva a tradição sem deixar de acompanhar o futuro. “Educar é construir pontes entre gerações, sem abandonar as raízes e mantendo viva a esperança”, destacou, recordando palavras do Papa Francisco.
A partir dessa imagem, o conferencista propôs três princípios metodológicos aplicáveis tanto à teologia quanto à evangelização: a centralidade da pessoa, o espírito de serviço e o anúncio da palavra. “Pessoa, serviço e palavra: inverter essa ordem causa confusão”, enfatizou, ao defender que qualquer ação pastoral deve partir do cuidado com a pessoa humana e sua dignidade.
Concluindo sua conferência, o jesuíta destacou que a história da arte ensina a superar a separação entre beleza e fragilidade e a reconhecer que o vulnerável também pode ser belo. “Quando abraçamos nossa vulnerabilidade, descobrimos o que é mais humano e mais divino em nós”, finalizou.









por 