O PRESBÍTERO NO MAGISTÉRIO DO PAPA FRANCISCO

Alessandro Rebonato 

Edebrande Cavalieri 

O Papa Francisco desde o início de seu pontificado tem trabalhado intensamente na reforma da Igreja onde o presbítero seja marcado pelo “cuidado pastoral”, e que os escândalos sejam enfrentados, pois estamos em “tempos de purificação eclesial” que logo resultarão fecundos entre nós e nos transformarão em padres alegres e simples”. E acrescente numa carta aos sacerdotes: “Não desanimemos! O Senhor está a purificar a sua Esposa e, a todos, nos está convertendo a Ele”. E lembra ainda que o Senhor “está-nos a salvar da hipocrisia e da espiritualidade das aparências”.

No momento em que a Arquidiocese de Vitória convida o povo de Deus para a ordenação de quatro seminaristas como diáconos provisórios em vista da ordenação presbiteral, torna-se fundamental refletir sobre uma questão essencial: para que Igreja esses seminaristas serão ordenados? Essa pergunta bateu fundo na consciência de um deles que assina esse artigo comigo acabou tomando esse tema como elemento base para o Trabalho de Conclusão de Curso de Teologia: “O Presbítero no Magistério do Papa Francisco”. 

Trata-se de uma tema instigante, provocante, e quando lhe perguntei por que tinha escolhido esse tema, prontamente me disse que estava solicitando a ordenação presbiteral para servir à Igreja conduzida pelo Papa Francisco. E assim seu desejo era se aprofundar sobre este chamado. Não estava buscando esse caminho para realizar algum projeto pessoal e nem fugindo do mundo, mas para ser um presbítero próximo do povo e sinal de esperança, misericórdia e amor de Deus.

Logo após o Cardeal Jorge Mário Bergoglio ser escolhido como novo Papa, o mundo também toma conhecimento que ele assumirá o nome de Francisco. Configurava-se assim a primeira vez que um papa assumiria o mesmo nome do Santo de Assis. Essa escolha está profundamente em consonância com programa de trabalho que Francisco executará durante todo o ministério papal. Porém, é um programa já muito vivenciado ainda em terras latino-americana. Nesse sentido, o nome Francisco nasce de uma vida religiosa inteiramente dedicada aos mais necessitados e aos que vivem à margem, totalmente excluídos do convívio social. 

Francisco transpira o mais original perfume de Cristo. Suas atitudes e posturas estão em perfeita consonância com o Evangelho de Jesus. Para que Igreja esses seminaristas estão sendo chamados a servir? É na pessoa do Papa que se notam a coerência de vida, a capacidade de abaixar-se, de relaciona-se e de ir ao encontro do outro e de tantas outras virtudes. Foi assim também a formação e o crescimento da comunidade que se juntou ao Santo de Assis. Trata-se de uma opção radical em prol dos últimos. Francisco afirma que “muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, deixar de lado a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho”. Então teremos um presbítero que se debruça como o Samaritano para cuidar da pessoa caída no caminho. Essa é a misericórdia exigida aos seguidores de Jesus. 

De fato, o presbítero de uma Igreja em saída se conduz com atitudes de solidariedade e fraternidade em vista de uma evangelização mais humanizada e mais encarnada na realidade do povo. É imprescindível em toda obra de evangelização romper com toda a atitude de fechamento e garantir, com a ajuda do Espírito Santo, uma obra evangelizadora marcada pela fraternidade. Além disso, “o isolamento e o fechamento em nós mesmos ou nos próprios interesses nunca serão o caminho para voltar a dar esperança e realizar uma renovação, mas é a proximidade, a cultura do encontro”.

O chamado é para uma Igreja com presbíteros pastores, cheios de ternura, que evangelizem com a própria vida, que sejam solidários e fraternos em todos os momentos. Daí a sua afirmação: “Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem”. O individualismo e o comodismo deformam as relações interpessoais, por isso “a ação pastoral deve mostrar ainda melhor que a relação com o nosso Pai exige e incentiva uma comunhão que cura, promove e fortalece os vínculos interpessoais”.

De maneira bem concreta, o Papa apresenta o perfil de presbítero para a Igreja atual: “Os projetos pastorais, os planos pastorais são necessários, mas como meios, um meio para ajudar a proximidade, a pregação do Evangelho, mas por si só não servem. O caminho do encontro, da escuta, da partilha é a vida da Igreja. Crescer juntos na paróquia, seguir os percursos dos jovens na escola, acompanhar de perto as vocações, as famílias, os doentes; criar lugares de encontro nos quais rezar, refletir, brincar, passar o tempo de modo sadio e aprender a ser bons cristãos e cidadãos honestos. Esta é uma pastoral que gera, e que regenera o próprio sacerdote, a própria religiosa”.

Algumas características do presbítero não devem ser relativizadas. Para uma “Igreja em saída” é preciso um presbítero missionário: Nas palavras do próprio Papa Francisco: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”. A missão não é um negócio ou um projeto empresarial, e muito menos uma organização filantrópica e humanitária.

A Igreja sempre apontou a necessidade de se ter presbíteros místicos, que tenham uma vida transfigurada pela presença de Deus. Não são funcionários do sagrados, mas expressão viva da presença de Deus no mundo e na história. Pois é o Espírito Santo que infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho. Sem essa experiência profunda de Deus dificilmente a ação do presbítero resultará eficaz no anúncio do Evangelho. Um sacerdote de oração e assim ser testemunho desse “espírito de fé. Somente assim poderá ser reconhecido como digno ministro de Cristo Senhor”, reafirmam os bispos latino-americanos em Medellín. Sem um encontro diário com Deus, diversos presbíteros “muitas vezes, contra o impulso do Espírito, transformam a vida da Igreja em uma peça de museu ou em uma propriedade de poucos”, nos diz o Papa. E acrescenta: “Ao mesmo tempo, ‘há que rejeitar a tentação duma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação’”.

Autênticos pregadores da Palavra de Deus devem ser os presbíteros e devem comunicar com alegria o Evangelho, sem cara de funeral, recuperando e aumentando “a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas”. A Igreja necessita de presbíteros alegres, não tristes e desalentados, impacientes ou ansiosos.

Outra característica do presbítero é que ele seja pastor com cheiro de ovelhas. Foram escolhidos e constituídos para o serviço das coisas de Deus, e não para serem donos da Igreja, exercitando “com júbilo e caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, concentrados unicamente em agradar a Deus e não a vós mesmos”, em comunhão filial com o próprio bispo. Presbíteros pastores cheios de ternura, solidários e fraternos em todos os momentos, em vista de uma comunhão que cura, promove e fortalece os vínculos interpessoais.

O Papa ainda frisa que para serem verdadeiramente evangelizadores os presbíteros devem estar o mais próximo possível da vida das pessoas, nos moldes do Bom Samaritano. 

Por fim, o perfil do presbítero no Magistério de Francisco culmina na prática da misericórdia de Deus, “fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva”. Como dizia São Policarpo no século III, “os presbíteros sejam compassivos, misericordiosos para com todos, o órfão e o pobre, mas sejam sempre solícitos no bem de Deus e dos homens”. A misericórdia se destina prioritariamente para com os pecadores, as pessoas pobres, os marginalizados, os doentes e pessoas atribuladas. 

O perfil do Presbítero chega assim na Igreja local e seguindo a orientação do Arcebispo, Dom Frei Dario Campos: “Somos todos chamados a proclamar o tempo da graça do Senhor, de maneira especial, pelo modo que vivemos e nos comprometemos com nossos irmãos e irmãs principalmente com os mais pobres e excluídos. Como homens e mulheres marcados pela fé, pela esperança e caridade, anunciaremos o tempo da graça divina a todos e todas. Eis a nossa Alegria. Eis a nossa Missão”.

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