O que temos para 2021?

Edebrande Cavalieri

A cada ano que finda um olhar retrospectivo para o que se passou e um novo tempo de esperança a se abrir descortinando novos horizontes. Comemoramos esse momento com um nome francês – Réveillon – que significa o momento de despertar, de acordar, de reanimar. A celebração do fim de um ano e o início do outro está presente em quase todas as culturas e, pelos registros históricos, há mais de 4.000 anos já era celebrado esse momento na Mesopotâmia. Essa terra entre rios (Eufrates e Tigre) dependia intensamente do cultivo das terras banhadas com as enchentes irregulares. Então uma nova safra era intensamente comemorada. Daí a festa.

No hemisfério norte a festa se situa geralmente no final do inverno rigoroso, onde todas as plantas ficam despidas das folhagens, e o início da primavera. A primeira folha que brota indica esse acordar, esse despertar. A natureza que parecia morta ressurge vigorosa, como se tivesse sido fecundada. Então tudo parece se reanimar com força, especialmente as plantas, para criar novas folhagens e produzir flores e frutos. Muitas culturas transformam esse momento como algo sagrado, divino. Em algumas religiões há celebrações específicas para esse momento. Em outras culturas há inclusive o costume de se coroar os reis nesse dia, pois acreditava-se que estariam sendo revestidos do poder sagrado, da graça divina.

Aqui no Brasil há o determinante constitucional que especifica o dia 1º de janeiro para a posse dos novos eleitos. Que todas as forças do bem possam abençoar esses representantes do povo e que as práticas imorais e pecaminosas sejam expurgadas de cada canto administrativo.

Olhando retrospectivamente para o ano que passou vemos como a humanidade se defrontou com uma pandemia implacável, que levou para a sepultura milhares pessoas queridas. Para alguns as mortes foram tantas que já se acostumaram como se fosse algo natural, como destino, como determinação de Deus para cada pessoa. Mas essas mortes não são o destino e nem o desígnio de Deus. Essas mortes não são resultados da vontade divina. Deus não quer a morte, mas a vida plena. Essa pandemia revelou nossa fragilidade. Chegamos ao espaço, agora aguardamos a chegada de uma nave com robot em Marte, conquistamos tantos avanços tecnológicos e militares, mas um simples vírus foi capaz de nos aniquilar. A guerra é cruel.

Nesse ano que finda, a Igreja não teve alternativa senão fechar os espaços dos templos destinados às celebrações. Quando mais se precisava da força espiritual, não se podia adentrar aos templos. Como suportar a dor sem esse apoio espiritual? Como suportar o medo, a angústia, o isolamento? Como? Como é forte a necessidade de estarmos juntos! A vida de comunidade não é algo trivial. É o sustento da caminhada. A comunidade nos fortalece na caminhada.

Então sentiu-se que era preciso enquanto Igreja chegar onde as pessoas estavam, nas suas próprias casas. A Igreja se tornou doméstica. As celebrações entravam em nossas casas das mais diversas formas. Quanta criatividade! E alguns líderes religiosos não conseguiram escapar do contato físico com as pessoas apavoradas! Era preciso um toque abençoado! Uma confissão! Uma entrega! E muitos pagaram com a própria vida. Tantos padres, diáconos, bispos, agentes de pastoral, perderam a vida no serviço eclesial! A memória desse momento difícil deverá fortalecer nossos laços comunitários.

Na Mensagem para o Dia da Paz comemorado em primeiro de janeiro próximo, o Papa Francisco indica “a cultura do cuidado como percurso da paz”, e ao fazer homenagem a todas as pessoas que se colocaram em defesa da vida nesses tempos de pandemia, renova “o apelo aos responsáveis políticos e ao setor privado para que tomem as medidas adequadas a garantir o acesso às vacinas contra a Covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para dar assistência aos doentes e a todos aqueles que são mais pobres e mais frágeis”. Essa é a direção dada pelo Timoneiro da Barca de Pedro para o ano que se inicia.

Esse deve ser o primeiro compromisso dos gestores da saúde com o apoio de toda a população. O deboche com a doença não é coisa desejada por Deus. O chamado do Papa não se destina apenas aos católicos. Trata-se de um apelo humanitário! Juntamente com esse chamado, o Papa também nos convoca para lutarmos contra “as várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos que semeiam morte e destruição”. É através da cultura do cuidado que podemos erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito. E conclui a Mensagem tão profunda: “Neste tempo, em que a barca da humanidade, sacudida pela tempestade da crise, avança com dificuldade à procura dum horizonte mais calmo e sereno, o leme da dignidade da pessoa humana e a bússola dos princípios sociais fundamentais podem consentir-nos de navegar com um rumo seguro e comum”.

A sociedade brasileira viu-se sacudida nesse final de ano com o crescimento da violência contra a mulher, e diversas delas não lhes foi permitido passar o Natal vivas. Não posso deixar de considerar essa violência no último artigo do ano. O Brasil que se deseja para 2021 deveria ser um país onde uma mulher possa permanecer viva depois de terminar um relacionamento, pois 90% dessas mulheres vitimadas foram através de seus companheiros, ex-companheiros, ex-namorados, ex-maridos. Queremos um 2021 onde os filhos possam conviver em paz com pais separados, vivos!

Por fim, para 2021 queremos ter um caminho mais sereno e mais calmo na vida do dia a dia. Queremos sorrir de rosto aberto! Sem máscara protetora e sem as máscaras da desonestidade e indiferença! Queremos nos abraçar verdadeiramente! Sem medo! Sentir o outro como que penetrando em nossos corpos. E assim darmos graças! E nos darmos enfim o “abraço da Paz”!

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