O rosto de São Paulo: às vezes homem, às vezes anjo

25 janeiro, 2021

Na festa da sua conversão, nesta segunda-feira, 25 de janeiro, um projeto conjunto entre o Departamento de Arqueologia Sacra da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI) e uma artista espanhola revela a reconstrução do rosto de São Paulo. A aparência do Apóstolo “está em perfeita harmonia com a única descrição disponível”, encontrada nos Atos de Paulo e Tecla, e segundo o ícone mais antigo encontrado em junho de 2009 nas catacumbas de Santa Tecla, em Roma. “A pesquisa e os recursos da técnica podem ajudar a proporcionar uma imagem aproximada daquele homem de rosto muito marcante, olhar incisivo e presença envolvente”, comentou o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.

O 25 de janeiro é de aniversário da cidade de São Paulo e de também de festa para o Estado e arquidiocese que festejam o seu padroeiro. Na Solenidade da Conversão de São Paulo Apóstolo, a Igreja no mundo recorda o dia em que – o então chamado Saulo, seu nome original – alcançou a conversão, a caminho de Damasco: Jesus o transformou de perseguidor dos cristãos ao maior Apóstolo do seu Evangelho. Segundo o cardeal Odilo Pedro Scherer, “São Paulo é muito inspirador para a nossa Igreja, pelo seu imenso amor a Cristo e ao Evangelho, seu ardor missionário e sua capacidade de perseverar na missão, apesar de tantos contratempos e sofrimentos”.

O ícone mais antigo de São Paulo

Nascido na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia, Saulo aparentava ser um jovem baixo e magro, com feições morenas e de olhos escuros. Com a conversão, viajou o mundo, evangelizando e sendo perseguido, tanto que foi martirizado em Roma. As relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros. Já o ícone mais antigo do apóstolo foi encontrado há pouco mais de 10 anos também na capital italiana, como explica o especialista em relíquias da Arquidiocese de São Paulo, Fábio Tucci Farah, que também é um dos fundadores do Departamento de Arqueologia Sacra da Academia Brasileira de Hagiologia (ABRHAGI): 

“Em junho de 2009, o L’Osservatore Romano divulgou uma descoberta extraordinária nas catacumbas de Santa Tecla: o ícone mais antigo de São Paulo, datado entre o final do século quarto e início do quinto. Abaixo de uma espessa camada removida por laser, especialistas da Pontifícia Academia Romana de Arqueologia descobriram o afresco de um homem calvo de rosto magro e comprido, barba escura, nariz avantajado. Embora São Paulo possua uma vasta – e variada – iconografia, o ícone descoberto nas catacumbas de Santa Tecla está em perfeita harmonia com a única descrição disponível de sua aparência, encontrada nos Atos de Paulo e Tecla, um texto apócrifo que remonta, possivelmente, ao século segundo. Nele, São Paulo aparece como um homem de pequena estatura, com as sobrancelhas unidas, careca, de pernas arqueadas, olhos encovados e um grande nariz aquilino.”

E foi justamente com essas características e com o afresco encontrado nas catacumbas que Farah e a artista espanhola, Gyrleine Costa, recriaram o rosto de São Paulo. O projeto segue as linhas de trabalho já desenvolvidas para representar o retrato artístico de Santa Joana d’Arc e a reconstrução facial artística de São Tiago Zebedeu, um dos apóstolos mais próximos de Jesus e testemunha de Sua Transfiguração. O especialista brasileiro, então, dá detalhes da nova criação:

“Para esse trabalho, também levamos em consideração algumas características étnico-raciais, o modo de vida de São Paulo e, claro, a personalidade que salta de suas inúmeras epístolas. Não queríamos simplesmente apresentar o retrato de um fariseu de Tarso, que percorreu milhares de quilômetros como missionário, no século I. Nosso objetivo era apresentar um homem com semblante de anjo que falasse às pessoas do século XXI. Um missionário que, passados quase dois milênios, ainda encanta a plateia.”

Projeto em parceria com o Museu de Arte Sacra de SP

Segundo o arcebispo de São Paulo, “conhecer melhor a sua figura humana é um desejo natural, embora ele tenha vivido em tempos ainda desprovidos dos recursos fotográficos, hoje tão comuns e acessíveis a todos em nossos dias. No entanto, a pesquisa e os recursos da técnica podem ajudar a proporcionar uma imagem aproximada daquele homem de rosto muito marcante, olhar incisivo e presença envolvente”.

O especialista em relíquias revela, assim, em primeira mão, que a reconstrução facial de São Paulo faz parte de um projeto que está sendo desenvolvido em parceria com o Museu de Arte Sacra de São Paulo chamado “A Verdadeira Face dos Apóstolos de Cristo”. Oportunamente, o trabalho vai ganhar uma exposição para apresentar a reconstrução artística do rosto de todos os apóstolos. 

FONTE: Andressa Collet – Vatican News

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