“Ninguém come essa carne sem antes a adorar(…) pecaríamos se não a adorássemos”
(Santo Agostinho)
O tabernáculo como lugar da presença do Senhor vivo, surge no segundo milênio da cristandade, ao se falar da presença permanente de Cristo pela transubstanciação do pão e do vinho. Essa consciência já estava presente na Idade Antiga, onde a eucaristia era venerada e conservada para os doentes. Abra-se, agora, uma nova dimensão da realidade cristã: a Eucaristia torna-se objeto de contemplação, oração e adoração, pessoal e comunitária. “Fora da celebração do memorial do Senhor, a Santa Eucaristia é objeto de culto como sacramento permanente”, diz o Dicionário de Liturgia.
A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II reafirma essa verdade e o Missal Romano recomenda que “de acordo com a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes locais, o Santíssimo Sacramento seja conservado num tabernáculo, colocado em lugar de honra na igreja, suficientemente decorado e que favoreça a oração.
Normalmente, o sacrário deve ser único, inamovível, não transparente, fechado de modo que se evite ao máximo o perigo de profanação”.
Ainda segundo o Missal, no altar em que se celebra a Missa não é conveniente que haja sacrário. A presença de Cristo na assembleia, no sacerdote, na Palavra, prepara o fiel para receber Cristo na Eucaristia. Assim, é preferível que o sacrário se localiza numa capela apropriada para adoração e oração dos fiéis, ligada com a igreja e visível, ou ainda, no presbitério, fora do altar da celebração, na forma e lugar mais adequados, caso não seja possível a capela.
Ao reservar um espaço para o sacrário, a Igreja proporciona aos fiéis condições para maior recolhimento e percepção do mistério que envolve a presença real de Cristo Eucarístico. O material e a localização do sacrário na igreja devem convidar o fiel a chegar mais perto deste mistério.

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