Ordenação presbiteral de Juliano Nascimento Machado

20 setembro, 2024

Foi ordenado padre, hoje, 22 de setembro de 2024, Juliano do Nascimento Machado. A cerimônia de ordenação aconteceu na igreja matriz da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari às 10h. O novo padre é natural de Guarapari e seus familiares pertencem à paróquia São José. Uma multidão lotou a igreja, cerca de 2.300 pessoas.

A emoção iniciou com os aplausos quando dom Dario Campos, arcebispo de Vitória, interrogou os presentes sobre a ordenação presbiteral do diácono Juliano, e manteve-se durante toda a cerimônia.

Participaram deste momento os recém-ordenados padres, colegas de caminhada; padres da Arquidiocese; representantes das paróquias onde Juliano fez estágio pastoral; diáconos transitórios da diocese de São Mateus; amigos e familiares. Presidiu a ordenação, dom Dario Campos, arcebispo de Vitória.

 

Toda a celebração foi acompanhada pelo grupo de canto da paróquia São José, que preparou  tudo juntamente com a paróquia Nossa Senhora da Conceição. A primeira leitura foi proclamada por Pedro de 9 anos, da paróquia Sta. Teresa de Calcutá.

Desde o pedido do reitor do Seminário, pe. Jorge Campos, para que o diácono fosse aceite ao presbiterato, até à oração consecratória, passando pela ladainha, imposição das mãos, colocação das vestes, unção das mãos e acolhida no presbitério, o diac. Juliano expressou sua emoção com um choro quase contínuo que comoveu a assembleia.

Dom Dario fez algumas recomendações durante a homilia e iniciou lembrando “como faz bem ter um padre bom, um padre que luta por uma Igreja ministerial e evangelizadora, um padre empenhado numa pregação bem preparada e vivenciada, um padre profundamente ligado à vida e à formação de seu povo”. Em seguida dom Dario referiu-se às leituras: incompreensão dos discípulos, que mesmo percorrendo um longo caminho com Jesus, não entendiam o anúncio da morte e ressurreição. Dirigindo-se diretamente ao diácono disse: “você meu irmão, diácono Juliano, que hoje será ordenado presbítero, abrace a cruz de Cristo e assuma com alegria evangélica este sinal da salvação concedido por Deus a todos, de maneira especial, colocando-se ao lado dos que sofrem, e passam por tribulações e privações, dos que estão à beira do caminho, ou seja, os pobres. Para que isso aconteça, cultive os seus momentos de oração pessoal e comunitária e jamais se distancie dos teus irmãos de presbitério, espaço no qual você sempre será formado”.

Pe. Juliano manifestou e expressou o carinho e amor pelos pais e pelo irmão e no momento de agradecimentos fez seu primeiro pedido como padre: que as famílias incentivem as vocações sacerdotais. O novo sacerdote agradeceu a todos que o acompanharam ao longo de sua caminhada e acentuou a importância das amizades que construiu. Lembrou que ali naquela igreja foi batizado e a alegria de voltar ali “agora como servo de Deus”.

A pe. Juliano que ele seja feliz no exercício de seu sacerdócio e que Deus abençoe sua missão.

Saiba mais sobre o novo sacerdote

Antes da ordenação presbiteral, o Vicariato para a Comunicação conversou com o diácono Juliano do Nascimento Machado, para conhecer um pouco mais de sua história vocacional e vivências neste momento importante para sua caminhada vocacional.

A oração consecratória é o momento que Juliano aguarda com mais ansiedade. Ele lembra da emoção que sentiu ao ser ordenado diácono: “fico até emocionado, quando fecho os olhos, parece que estou ouvindo de novo a oração que me consagrou diácono e a imposição das mãos de dom Dario na minha cabeça”, acredito que será ainda mais emocionante”.

Na ordenação diaconal, Juliano estava acompanhado por mais três colegas de turma e de Seminário, mas para ele, “aquele momento foi singular, eu senti que era a minha ordenação e não do grupo, mas agora é ordenação presbiteral, por conta disso a emoção pode ser maior”.

Perguntamos sobre o início de sua vocação e ele respondeu: “desde os meus cinco anos, quando tenho memórias afetivas dessa época, eu me vejo na Igreja. Minha mãe me incentivou muito, mas eu não pensava em ser padre. Lembro-me que com nove anos, na minha timidez (eu era muito tímido), pedi para minha mãe que eu queria ler na Igreja. Minha pediu para a coordenadora da liturgia e ela autorizou. Depois passei a participar do Círculo Bíblico e aos 12 nos já ajudava a fazer as reflexões. Por isso, tenho um carinho muito grande por essa pastoral, a minha vocação começa a nascer ali”.

Vic. E depois?

Juliano: Depois, participei do grupo de jovens e fui coroinha até à chegada de pe. Sandro (pe. Alexandro Firmino Barbosa). Com pe. Sandro fui cerimoniário e ele começou a me dizer que eu tinha vocação, mas eu negava e dizia que não queria. Eu queria fazer faculdade e tinha a ideia de que o padre vivia na solidão, afastado de tudo e de todos. No final de 2014, pe. Sandro me chamou pra uma visita aos enfermos na Comunidade São Benedito. Na primeira visita senti algo diferente no meu coração ao perceber a alegria da senhora que visitamos. No final das visitas falei com o padre que gostaria de participar dos encontros vocacionais. Pe. Sandro me acompanhou naquele ano e no ano seguinte participei dos encontros vocacionais e entrei no Propedêutico e em 2017 fui acolhido no Seminário”.

Vic: Em algum momento pensou em desistir?

Juliano: Quando eu retornava de férias para o Seminário sempre me perguntava se era aquilo mesmo que eu queria. Mas, quando chegava no Seminário esses pensamentos cessavam. Durante a pandemia também tive dúvidas se deveria retornar ao Seminário. Nesse momento foi o pe. Ermindo (Ermindo Rapozo de Assis), que me ajudou a superar a falta da rotina do Seminário e o repensar a vocação. A própria pandemia me fez repensar a minha caminhada vocacional.

Vic: O que esses momentos te proporcionaram?

Juliano: Um crescimento humano e espiritual. Humano porque os lugares por onde passei e as vivências que tive, me ajudaram a enxergar o outro na sua particularidade. Passei pelas paróquias Santíssima Trindade, Santa Tersa de Calcutá e Sagrada Família em Jr. Camburi e eu tive que entrar em cada realidade para compreender as diferenças.

Quando fui para Santa Teresa de Calcutá, as pessoas diziam, ‘você vai para Tersa de Calcutá? Que medo’! Mas lá um encontrei um povo de muita fé, um povo que vivendo em meio à violência, não deixa de abraçar a fé, não perde a fé, não perde a esperança. Ali encontrei pessoas que agregaram valor aos meus valores”.

Espiritual porque ao rezar com o povo de Itararé, de Jr. Camburi e de Vila Capixaba, cada um com seu modo, eu percebi que podia rezar não só com o meu modo, mas também com o do outro. Nesse sentido todos me ajudaram a crescer espiritualmente.

Vic: Tem expectativa para onde vai?

Juliano: Nunca passou pela minha cabeça para onde eu vou. Ansioso para saber, estou, mas para qual realidade, vou com o coração muito aberto, assim como eu fui para o Pará fazer a experiência diaconal. O Seminário me ajudou a enxergar que cada paróquia tem suas particularidades e eu irei para somar e não para dividir.

Vic: O que a experiência em Araguaia acrescentou na sua vida?

Juliano: Perceber que apesar da realidade diferente, distinta da nossa, mas um povo que se assemelha, porque engajado nas paróquias e nas comunidades, que a Igreja aqui e lá é a mesma Igreja Católica, foi uma experiência que me ajudou a crescer mais um pouquinho. Sinto saudades até hoje. Na despedida eu chorei porque sei que não verei essas pessoas tão cedo como as das paróquias de Vitória.

Vic: Você acredita que a formação que recebeu te preparou para realizar sua missão sacerdotal nessas diversidades?

Juliano: A partir do momento que entramos no Seminário, já somos enviados para uma paróquia, e isso já nos deixa em contato com a realidade eclesial. Desde o início a gente já tem prática e não só teoria.

Vic: E a convivência com os padres de diferentes idades?

Juliano: Eu fiz pastoral com um padre que estava completando 25 anos de ministério e um que tinha cinco anos, acho que o tempo é diferente, isso me ajudou a perceber que há dificuldades, em qualquer ano que estivermos, mas também há muitas graças, independente da quantidade de tempo. Os dois respeitaram o meu jeito e me trataram como irmão. Claro que o padre de 5 anos compreende melhor a nova geração, já o de 25 veio de outro momento da Igreja.

Vic: Consegue destacar um momento marcante da sua formação?

Juliano: Acho que o momento que mais me marcou foi a primeira missão. Além da experiência pastoral a gente faz missão. Foi lá na Comunidade Sto. Antônio em Buenos Aires (minha comunidade). Num dia só, visitamos 19 casas. De fato, fomos ao encontro das famílias e rezamos com elas. Foi voltar a uma realidade que eu já conhecia, mas diferente daquela que eu já havia me acostumado.

Para encerrar a entrevista, o diácono Juliano fez alguns agradecimentos: “Agradeço a oportunidade de estar aqui conversando. Expresso também minha gratidão a todos os irmãos e irmãs que encontrei durante esses oito anos de caminhada, a todas as paróquias que me acolheram e as que visitei. Agradeço ainda ao povo de Xinguara (sul do Pará). Obrigado e todos que participaram da minha formação.

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