Os bebês da pandemia

16 abril, 2021

Quais são os impactos da pandemia nas crianças pequenas? Como estão as crianças que só (ou praticamente só) conheceram a realidade do grande isolamento social trazido pela pandemia? Estes pequenos que hoje estão com até 2 ou 3 anos?

Sabemos que é necessário ter em mente que são muitas as variáveis desta análise e que dependendo da realidade da família esta realidade pode variar muito, inclusive frente a que perdas tiveram ou temem ter e de como lidam com as necessidades e angústias deste período que parece não ter fim. Vamos apenas tocar em alguns pontos e assim pensar em crianças com 2 ou 3 anos que estão passando pelas dificuldades da maioria das nossas famílias.

Os bebês da pandemia vivem um cotidiano que expressa as ansiedades e angústias dos pais, com momentos de altos e baixos por terem perdido o controle do seu cotidiano. Quando os pais estão tensos, angustiados, o colo deles não é confortável e o bebê sente esse desconforto, mas de início só sabe chorar para se manifestar. Sendo o casal amadurecido e possuindo uma relação afetiva boa, estão vivendo esse período melhor e a criança sofrendo menos. Mas, nem todos têm esse privilégio.

Os bebês mais velhos estão se desenvolvendo com muito menos estímulos cognitivos e sociais. Podem estar mais inquietos, agitados ou muito mais quietos do que seriam fora do ambiente da pandemia. Piaget há muito nos mostrou que precisamos de estímulos que desacomodem nossas certezas para desenvolver nossa inteligência. Com os pais trabalhando em casa e com o olhar preso no celular ou no computador trabalhando/ resolvendo seus problemas, eles estão perto, mas essa presença é qualitativamente precária. A relação com os filhos está competindo com a relação com as “telas”. Muitos resolvem a constante demanda da criança por atenção dando aos filhos as suas “telas” para se distraírem e, na frente da televisão, essas crianças são muito pouco desafiadas cognitivamente. Assim, vão aos poucos adquirindo uma postura dia a dia mais passiva, mais dependente.

Em termos sociais são privilegiados os que tem irmãos, mas a perda dos cuidadores secundários (avós, tias/tios, primos, babás) que afetivamente poderiam lhe dar uma amplitude de experiências diferentes foi um grande limitador ao desenvolvimento destas crianças da pandemia. Não puderam ainda ir para a escola, não podem ir a parques e a experiência de brincar, disputar, cooperar e aprender que há outras regras a seguir, diferentes das de sua casa, estão sendo perdas essenciais para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social saudável, o que para muitos está trazendo também um atraso na linguagem.  Verbalize todas as tentativas de seu filho se comunicar, verbalize o nome das coisas e do que ele está fazendo, espontaneamente, brinque olho no olho, varie “finais” da brincadeira ou da música para trazer flexibilidade ao processo de aprendizagem. Deixe-o experimentar texturas de tato e de comida!

Pais angustiados podem não perceber que estas crianças da pandemia estão precisando mais olho no olho, mais interação de qualidade, mais estímulos, mais desafios, sem falar do afeto, pressuposto básico, para qualquer parâmetro de saúde. Não se precipitem buscando diagnósticos clínicos para qualquer pequeno atraso no desenvolvimento. Seu filho, como você, está precisando apenas uma vida normal.

 

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