Padres capixabas em missão no Amazonas e Pará

A Igreja no Brasil dedica o mês de outubro às missões e este período que se encerra amanhã foi dedicado a reflexão sobre a vocação dos missionários e missionárias no mundo, além de ter sido um tempo de oração por estes irmãos. Atualmente a Arquidiocese de Vitória possui dois padres em missão: padre Paulo Sérgio Vaillant, que está na Prelazia de Lábrea desde o mês de fevereiro e padre Alessandro Chagas que chegou ao estado do Pará, em janeiro.  

Padre Paulo destaca que neste ano de 2020 aconteceu o seu retorno a Amazônia, pois ele já morou na região de 97 a 2007, período em que ajudou a criar uma equipe de missionários itinerantes, formada por diversas pessoas de diversas vocações e instituições diferentes.

Esse novo chamado surgiu no mês de agosto de 2019. O sacerdote detalha que o Núncio Apostólico esteve em Vitória para entregar o pálio a Dom Dario Campos e o convidou pessoalmente para reforçar à missão no Amazonas após o Sínodo para a Amazônia -ocorrido no mês de outubro de 2019.

“O próprio Papa Francisco ao final do Sínodo fez um apelo internacional em primeiro lugar as ordens religiosas que já são de espírito missionário, mas também a toda a Igreja para que as que tiverem muitas vocações diocesanas, que enviem missionários por uma temporada, por um projeto, ou até mesmo as congregações de fundarem alguma comunidade em algum dos países amazônicos. Essa é a linguagem do espírito pós-sinodal.”  

Entre os desafios vividos em Lábrea, padre Paulo ressalta as grandes distâncias e o sistema de comunicação que é muito precário e não permite de entrarem em um esquema racional de calendário, pois dependem do dia que tem barco disponível para visita em determinada região.

Sobre qual deve ser o objetivo de um missionário ele destaca: “é você trazer algo novo e simular aquilo que o povo já faz, mas levar algo mais. É preciso trazer uma visão de fora, atualizada, para contribuir com o crescimento da vida espiritual e pastoral da Igreja. O missionário também deve estar livre para fazer o que os outros missionários da região não estão conseguindo fazer. É preciso somar forças”.  

Padre Alessandro Chagas foi ordenado há 4 anos e chegou em 18 de janeiro na Diocese Santíssima Conceição do Araguaia, que fica no Sul do Pará. No mesmo mês ele já foi para paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Santana do Araguaia, local que está até os dias atuais.   

Em uma entrevista ele conta sobre sua experiência missionária. Confira:

1 – Como surgiu esse chamado para a missão?

Enquanto eu era seminarista me coloquei à disposição para fazer um mês de missão em Lábrea. E depois dessa vivência muito rica eu pensava que queria voltar lá como padre para poder ampliar o campo e servir melhor, pois como seminarista algumas coisas eram restritas. Na minha cabeça eu iria para Lábrea e eu nem sabia que existia Santana do Pará. No ano passado em uma reunião do clero, Dom Dario colocou que tinha uma Igreja que precisava de missionários e se tivesse algum padre que conversasse com ele. Eu fui para casa e fiquei rezando e pensando se realmente o momento era agora. Depois de mais ou menos um mês, eu tomei a coragem de conversar com o arcebispo para saber se era possível e se ele acolhia a minha proposta e ele ficou muito feliz. Meu pedido foi aprovado pelo conselho e em 3 meses estávamos acordando como seria minha vinda.

2 – Quais são as dificuldades que encontra no dia-a-dia?  

O desafio que eu vejo é a carência de padres, pois é uma Diocese grande em extensão territorial e tem uma média de 8 a 9 padres, sendo que a maioria são missionários de fora. Também tem a distância para se locomover de uma comunidade a outra. Tem comunidade nossa que fazemos viagem de 1, 2 ou 3 horas de carro para chegar até o local, em estradas que não são boas e que em época de seca e de chuva muda bastante as condições. Fora que na própria comunidade tem as dificuldades de pessoas para ajudarem na liturgia.

3 – Como é o trabalho que realiza como missionário?

A proposta era que eu pudesse ter um tempo maior para a missão então eu assumi como vigário aqui na paróquia. E minha parte é mais missionária mesmo. Eu geralmente vou para a zona rural fazer as visitas e realizar as atividades pastorais como atendimento de confissão, celebração das missas. Aqui também tem a assistência a essas famílias, pois fazemos as entregas de cestas básicas e esse tipo de missão requer um tempo maior, pois muitas vezes saio de manhã e só volto no fim da tarde, as vezes só no outro dia.

4 – O que existe de mais bonito em ser missionário?

O que mais me chama a atenção e me deixa muito feliz é a abertura do povo. Essa sede que eles têm de estar celebrando e também de estar junto com o padre e com a comunidade. No entanto você vê aquela Igrejinha que passou 2 meses sem missa, chega lá e celebra e é aquele acolhimento que traz um significado muito grande. Você anda duas horas e chega lá e o povo está te esperando, se atrasar eles continuam esperando. É gratificante fazer esse trabalho todo e ver que é uma graça de Deus na minha vida. É um chamado de Deus que está me alertando para outra realidade que eu não tinha noção.

5 – Encerrando o mês dedicado as missões que mensagem gostaria de deixar para as pessoas?

Acredito que ser missionário é ter disposição não somente de ir para onde te enviar, mas é estar aberto a Graça de Deus. Ser missionário hoje em dia é ter essa disposição, coração aberto e não temer porque as dificuldades são muitas. Eu poderia falar “ah eu vou embora”, mas estar caminhando junto a minha Igreja Católica tem me ensinado muito. É preciso ter essa abertura de coração para ver que a nossa Igreja é muito rica e quanto mais nos abrimos para isso vamos descobrindo lugares, locais, pessoas que vão somando e que vão dando razão para a nossa própria vocação.  

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