
No último sábado, dia 16, a Pastoral Carcerária do Espírito Santo (Regional Leste 3 da CNBB) realizou, em Vitória, o primeiro 1º Encontro Estadual sobre Mulheres e População LGBTQIA+ Encarceradas. Contamos com a presença de pessoas das dioceses de Cachoeiro, Colatina, São Mateus e Arquidiocese de Vitória.
O encontro foi potente e trouxe luz sobre a realidade dessa população, marcada por abandono e invisibilidade. Na mesa do evento, uma ornamentação carregada de simbolismo, solidariedade, compromisso e fé: objetos, cartilhas, cartazes e banners rodeavam a mesa coberta pelas bandeiras LGBT, da Pastoral Carcerária, da população trans e da Palestina.
Nely Varanda, integrante da coordenação arquidiocesana, conduziu a abertura dos trabalhos. O encontro iniciou com a apresentação de Isadora de Sá, artista, mulher, jovem e trans, filha de uma agente pastoral, que abriu os trabalhos com uma belíssima apresentação de música e poesias com dados que denunciam massacre, preconceitos e todo tipo de violência direcionado à população LGBT, diariamente, no cárcere e fora dele.
Após a emocionante abertura de Isadora, o Arcebispo Dom Ângelo saudou e acolheu as pessoas, compartilhando seu compromisso e ação também para com essa luta. Ele lembrou da atuação do Papa Francisco e seu compromisso com o ano Jubilar, a abertura da Porta Santa num presídio em Roma, um gesto simbólico e importante.
Irmã Amélzia, agente da Pastoral, coordenou a mesa de saudações, composta pela Irmã Petra, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária. Ela destacou o sonho e objetivo de um projeto de Deus: o mundo sem Cárcere.

Kamila Moura, integrante da coordenação da Pastoral Carcerária do Espírito Santo, também fez sua saudação e homenageou os precursores da Pastoral, por seus legados, citando Isabel Borges, seu Francisco, Maristela, Gilmar e Padre Vitor.
Terminada as saudações, começou a mesa central de diálogos, com título “Mulheres e LGBT’s em prisão, há compromisso para o esperançar?”.
Durante a tarde o evento teve continuidade com a palestra proferida pela coordenadora nacional da Pastoral Carcerária para a questão da mulher encarcerada, Magda de Fátima Oliveira que apresentou o Guia prático sobre direitos de mulheres presas. Também contribuíram neste momento a Vera Lúcia Dalzoto, que coordena o tema “Justiça Restaurativa” e o padre Éder missionário da Prelazia de Lábrea no Estado do Amazonas.
Em seguida, a agente de pastoral, Mirnna Amélia, direcionou a palestra com o tema: “Acolhimento da população LGBTQIA +”, contando sua história de vida e trazendo aspectos legais, teóricos, culturais, teológicos e práticos, provocando significados e ressignificados para todas as pessoas presentes.
Logo após, Irmã Petra Silvia Pfaller, em sua exposição destacou os desafios da Pastoral Carcerária pelo desencarceramento como um projeto de Deus e o nosso compromisso com a Justiça Restaurativa. Chamou nossa atenção para que por trás das rádios que estão sendo instaladas nos presídios está o desejo daqueles que querem interromper o nosso encontro, contato pessoal e físico com as pessoas presas, missão da nossa Pastoral.
O evento foi encerrado com uma missa celebrada pelo Padre Vitor César Zille Noronha. Toda a programação foi um marco para a história da Pastoral e provocou uma formação que, com certeza, deve ser contínua.
O evento também contou com a participação de Fatinha Castelan (Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Prisional); Joyce Mazzoco (Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do ES); Galdene Santos (Conselho Estadual de Direitos Humanos); Samira Cerqueira (Mecanismo de Prevenção a Tortura); Dr. Hugo Matias (Defensoria Pública do ES); Deborah Sabará (Associação GOLD); Aline Passos (Secretária de Estado da Mulher).


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