Pe. Vitor: A Economia de Francisco é possível

28 setembro, 2022

O Encontro “Economia de Francisco” que aconteceu em Assis na Itália e teve no encerramento a participação do Papa Francisco, contou com uma participação da Arquidiocese de Vitória. Pe. Vitor César Zille Noronha, que é economista, estava entre os 120 participantes. Vitor, ainda seminarista, inscreveu-se para participar do encontro cancelado por conta da pandemia. Agora teve o de participar e vivenciar 4 dias de partilha de experiências e ver de perto o Papa Francisco.

O Encontro aconteceu na Itália de 22 a 24 de setembro. Conversamos com pe. Vitor sobre a experiência e expectativa de mudanças na sua volta ao Brasil e ele nos respondeu com muita esperança.

1. Como repercutiu a inciativa do Papa entre os participantes?   

Com muita generosidade e ânimo. Eram 1000 jovens economistas – acadêmicos, empreendedores sociais e militantes – do mundo inteiro. Muitos com crença católica, outros não e outros ainda  sem nenhuma crença, mas, todos empenhados, como nos disse o Papa no encontro Economia de Francisco a “transformar uma economia que mata numa economia da vida”. É este pacto que, literalmente, assinamos: com o Papa, entre nós e com todos aqueles que junto conosco desejam construir e lutar por um mundo novo!

2. Em síntese, o que a proposta do Papa, impacta no modelo econômico que vivemos?

A proposta é dar alma à economia do amanhã. O que é incompatível com a economia atual, na qual o capital está acima do trabalho e o lucro está acima do meio-ambiente. Então, trata-se de reanimar para pensar, construir e criar um modelo econômico diferente. Isto é, para além da lógica do capital. Portanto, basta de financerização da economia, a produção deve estar a serviço da vida. Basta de consumismo, para que todos tenham acesso a tudo que for necessário, sem ameaçar a vida no planeta. A pessoa humana deve estar no centro, basta da lógica tecnocrática que precariza o trabalho. Portanto, trata-se de rejeitar o sistema econômico atual – que se serve da vida – e criar outro – que esteja a serviço da vida humana e de toda a Criação!

3. O que mais o marcou no encontro?

A afetividade do Papa. Como ele olhava com misericórdia. Como todos os presentes ficaram tocados com sua presença, não somente como autoridade religiosa, mas sua presença amiga como irmão. Lembrei-me de São Francisco. Há 800 anos atrás quando o viam nas ruas de Assis, afirmavam: é o outro Cristo. No mesmo lugar, mas nos tempos de hoje, tive a mesma experiência com outro Francisco, o Papa. Sem dúvida, outro alter Christus (outro Cristo). O Evangelho resplandece vivamente nele.

4. Acredita na mudança do modelo econômico vigente?

Acredito. O capitalismo nem sempre existiu. Certamente não existirá para sempre . Além disso, “a esperança nunca nos decepciona” (Rm 5,5), pois se estamos operando pelo amor de Deus, os frutos de justiça e paz já vão sendo experimentados, mesmo que não se desabrochem em plenitude. Portanto, a questão é muito menos fim – o que pretendemos atingir – e, muito mais o como – ou seja, o processo que nos levará ao fim desejado. Neste sentido, o Papa Francisco nos propôs lá em Assis três indicações de percurso, que considero absolutamente preciosos: 1. “Olhar o mundo com os olhos dos mais pobres”; 2. “Não se esqueçam do trabalho, não se esqueçam dos trabalhadores”; 3.”Encarnação. Vocês mudarão o mundo da economia se junto com o coração e a cabeça, também usarem as mãos”. Que assim seja!

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