Pecado e Graça Sacramental

2 setembro, 2021

Esta reflexão será publicada em duas partes. Preliminarmente, abordaremos o pecado e a graça sacramental. Posteriormente, espórtulas e administração sacramental. Dessa forma, vale recordar o conceito de Sacramento. O cânone 840 assim doutrina: “Os sacramentos do Novo Testamento, instituídos pelo Cristo Senhor e confiados à Igreja, como ações de Cristo e da Igreja, constituem sinais e meios pelos quais se exprime e se robustece a fé, se presta culto a Deus e se realiza a santificação dos homens; por isso, muito concorrem para criar, fortalecer e manifestar a comunhão eclesial; em vista disso, os ministros sagrados e os outros fiéis, em sua celebração, devem usar de suma veneração e devida diligência”.

A catequese da Igreja Católica Apostólica Romana nos instruiu que o pecado causa a inimizade entre nós e Deus. O pecado fracassa o projeto de homem e mulher desejado por Deus. O pecado é a refutação e desobediência à proposta divina. O catecismo da Igreja doutrina que o pecado é uma falta contra a razão, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens (cf. §1849). Para os Santos Agostinhos e Tomás, o pecado é uma “desordem”, ou seja, uma palavra, um ato ou um desejo contra a Lei eterna. Agostinho também o define como fruto do “amor a si mesmo e desprezo de Deus” (cf. civita Dei 14,21).

O Apóstolo Paulo ensinou que o pecado nos traz a morte (Rm 6,23). O pecado é a causa da morte física, espiritual e eterna. Nessa mesma perspectiva, importa memorar a doutrina do Pecado original. Segundo Santo Agostino, o pecado original atinge a todas as criaturas. Destarte, Paulo Também ensinou: “Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5,12).

O Concílio de Trento doutrinou que o remédio para o pecado Original, aquele que atingiu toda a criação, é os méritos de Cristo, nosso único mediador. O batismo regenera totalmente a natureza humana pela graça de Cristo. A concupiscência, após o batismo, é apenas uma fraqueza, ou inclinação ao pecado, mas que pode ser evitada por aquele que recebeu o banho de regeneração.

O Concílio Vaticano II pontificou que os Sacramentos se destinam à santificação dos seres humanos, à edificação do Corpo de Cristo e, finalmente, ao culto que se deve a Deus (cf. SC, 59).  O Catecismo da Igreja Católica, nos números 402, 403, 978, segue a mesma doutrina. Posto isto, realça-se que os sacramentos têm o poder de reestabelecer a comunhão rompida pelo pecado, robustecer a fé e santificar o fiel. Através da ação sacramental da Igreja, Deus age nas pessoas que o recebe regenerando-as.

Quem recebe os Sacramentos entra em estado de Graça. Nota-se que da instrução da Igreja sobre a Graça, emergiram alguns conceitos teológicos substanciais. Entres esses, as graças sacramentais, entendidas como os dons que o cristão recebe por meio dos Sete Sacramentos da Igreja. Esses dons auxiliam e colaboram na salvação dos homens e no crescimento da Igreja, compreendida como o Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1,24).

A palavra graça no latim é gratia, provinda de gratus, cujo significado em português é grato ou agradecido. Segundo (EICHER, 1993), “graça é o voltar-se – imerecido, inesperado e incompreensível – do amor de Deus ao homem, conduzindo-o à salvação na comunhão de vida com Deus, desvelando e vencendo libertadoramente a oposição a Deus enquanto prisão do homem em si próprio”. Já o Catecismo da Igreja, a define como dom universal e “socorro gratuito que Deus nos dá” para sermos “capazes de agir por amor d’Ele”, para satisfazermos as nossas justas necessidades espirituais ou materiais e para tornar-nos filhos de Deus e participantes da natureza divina, da vida eterna (cf. CIC, 1996-1997).

A doutrina da Igreja fala da Graça Santificante que o fiel ganha no santo Batismo. Ela permite a justificação do fiel, isto é, participar da natureza divina. A graça santificante se perde quando se está em pecado mortal. Já a graça atual, é ação do Espírito que possibilita o fiel prosseguir no caminho de santificação. Essa pode ser eficiente – quando acolhida pelo fiel ou suficiente -quando recusada. Finalmente, as graças especiais ou carismas são dons concedidos pelo Espírito Santo com o fito de promover o bem comum da Igreja.

A doutrina sobre essa relação entre pecado e graça é conteúdo essencial na catequese católica. A Igreja instrui que uma pessoa em estado de graça encontra-se em amizade e no amor de Deus. Caso essa morra, irá para o céu, visto que não está manchado pelo pecado mortal (Santos). Todavia, pode estar em pecado venial ou sob penas temporais, carece assim, das indulgências. As pessoas que fazem a sua Páscoa em pedado venial vão ao purgatório para a purificação, visto que não se pode contemplar a face de Deus em pecado.

Padre José Paulino 

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