“Permanecei em mim”

2 maio, 2021

Lucas Muniz I “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15, 4).

Neste Domingo iniciamos a quinta semana do tempo Pascal, ainda estamos colhendo os frutos do Cristo ressurrecto, fonte de vida e salvação. A ressureição de Jesus abriu-nos um novo horizonte, um chamado profundo e intenso para que também nós possamos viver uma vida “ressuscitada”, uma vida não mais dominada pelo pecado, mas divina, pautada na graça.

O Evangelho desta Liturgia nos aponta justamente o caminho certeiro para abraçar e encarnar em nós essa vida nova ofertada pelo Ressuscitado: é necessário PERMANECER. Jesus se apresenta como a videira e convida-nos a permanecer nele: eis o cerne da vida ressuscitada.

O verbo permanecer nesta passagem tem sentido de conservar-se firme, ficar fixo[1]. A vida na graça, portanto, vai além de um encontro com Cristo ou de um cargo assumido em alguma pastoral na Igreja, a vida nova é estar fixo em Jesus. É ser dele, estar nele. Permanecer é viver o cristianismo não mais na margem, no raso, mas em águas profundas, em intensa intimidade com o Senhor.

Para isso, em primeiro lugar, devemos assumir a experiência de uma vida de oração. Se permanecer nele é ter intimidade com ele, logo, precisamos rezar. Todavia, não é somente rezar, um dia, num encontro, numa live, mas ter de fato uma vida diária de oração, um relacionamento com o Senhor. Estar fixo no Senhor é fazer crescer cada dia o amor que temos a Ele, e a vida de oração é a chave essencial para que isso aconteça. Precisamos estar unidos a esta Videira como o esposo e esposa estão unidos entre si: “eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24). Se tornar um com Jesus, isto é permanecer, viver um amor esponsal de doação e entrega ao Amado de nossas almas.

Para se viver essa permanência no Cristo, a partir da oração cotidiana, é necessário confessar que sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5). Tal confissão é de inteira dependência, não podemos fazer nada sem Ele. Por isso, permanecer é uma entrega total, eu não posso sem ele, eu preciso dele, dependo de sua graça. Só pode permanecer aquele que se põe como uma criança que acaba de nascer, que nada pode fazer sem os pais, é carregada e nutrida por eles, vive em completa dependência. Assim devemos estar no Senhor, confiar que o que ele quer para nós é sempre o melhor, estar fixo em seu colo pois é a força dele que nos sustenta, é seu Espírito que nos move a viver bem a vida da graça.

Além de oração e entrega total, o pedido de Jesus é de, não somente permanecermos Nele, mas também que suas palavras permaneçam em nós. Para estar fixo nele é necessário deixar-se mover por suas palavras. Tais palavras, que são “de vida eterna” (cf. Jo 6,68) continuam a ecoar para nós através da Igreja, que por ser seu corpo também se torna videira, a qual devemos estar unidos. Por isso, para permanecer no Senhor e viver a vida nova, é necessário também permanecer em sua Igreja. É ela que faz a palavra de seu fundador permanecer em nós através de sua doutrina inerrante e dos sacramentos que nos comunicam a salvação e a graça.

Por fim, o grande sinal que de fato estamos fixos na videira, que é Jesus, são os frutos. “Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto” (Jo 15,5). É imprescindível que produzamos frutos. Em primeiro lugar em nossa própria vida, convertendo nosso coração, mudando nossas atitudes, rompendo com o pecado. Também frutos para com o próximo exercendo a caridade verdadeira que só pode vir daqueles que estão na intimidade, fixos na videira.

Peçamos ao Senhor Jesus, portanto, que nos dê a graça de vivermos uma vida ressuscitada, permanecendo nele, em uma vida de intimidade na oração, de confiança e entrega total, vinculados a Santa Igreja nossa mãe e produzindo frutos de santidade em nossa vida e na vida dos irmãos. Só assim “PERMANECENDO”, fixos no Senhor é que poderemos gozar da alegria permanente na eternidade.

Lucas Folador Muniz Pina

Seminarista do 3º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: São José – Maruípe – Vitória.

Paróquia de Pastoral: Nossa Senhora das Graças – Jucutuquara – Vitória.

[1] Comentário Exegético – V Domingo da Páscoa – Ano B – Pe. Ignácio, dos padres escolápios – Disponível em: https://www.presbiteros.org.br/comentario-exegetico-v-domingo-de-pascoa-ano-b/

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