Quando o noivado chega ao falimento

30 novembro, 2020

 

 

 

 

Pe. Renato Criste |

O amor é sempre uma experiência carregada de promessas. Se encontra, porém, continuamente com a dificuldade da realidade, onde se confronta também o falimento. Às vezes experimentamos, quando vamos a um matrimônio, esta desconcertante inquietude de duvidar se estes noivos que queremos bem serão capazes de viver as experiências que os animam. Eu mesmo, quando converso com os noivos para verificar se há impedimento para a realização do matrimônio, chego à desconfiança se essa relação vai durar para sempre. E, infelizmente, não são poucos os casos de matrimônio que já nos primeiros meses chegaram ao falimento. Por que tal desilusão?

O erro não está, geralmente, na falta de sinceridade inicial, nem na falta de generosidade. Quando as pessoas se amam sinceramente e estão dispostas a casarem-se, sabem bem o que estão fazendo e querem seriamente vivê-lo. Onde está a razão de tantos falimentos? O erro está exatamente na confusão inicial: pensar que para construir a promessa do amor, um matrimônio e uma família, basta a sinceridade do sentimento e a boa vontade. Como se tudo se reduzisse à decisão da vontade.

Amar é um ato de toda a pessoa, no qual intervém os seus diferentes princípios de amor, princípios que não são ordenados nem integrados entre eles naturalmente. Porque são os dois a agir, a co-agir, são dois “atores”. Se faz necessário a aquisição de uma habilidade, de uma arte, absolutamente pessoal e pormenorizada que os consente de conhecerem-se, aceitarem-se, compreenderem-se, saberem tratar-se, saberem acolher-se, saberem ajudar-se.

Se abre assim a tarefa principal da preparação imediata para o matrimônio: ajudar indistintamente os noivos a adquirir a virtude que consente aos dois de construir a comunhão prometida e assim verificar o seu amor, a luz da fé da Revelação cristã. Todo o trabalho de verificação do amor fica assim unido à construção de uma subjetividade.

A tarefa do noivado se configura, então, como um caminho de maturidade, entre a experiência vivida e a possibilidade de viver a plena comunhão. O noivado é um tempo de graça que consentirá um amanhã de entrega verdadeira.

Por que você quer casar-se comigo? Como sei que você é a pessoa certa?

No noivado se deve verificar, em primeiro lugar, se a revelação que o sujeito teve é ocorrida também na outra pessoa. Se ambos veem a mesma verdade e estão dispostos a lutar por isso. E, segundo lugar, se a causa deste mesmo ideal se vai produzindo em recíproca concórdia, se busca o modo de viver as práticas de condutas da vida. Em terceiro lugar, se vão pouco a pouco integrando-se as diversas dimensões do amor, se já em um como no outro. Aparece assim evidente que a verificação está unida à construção da própria subjetividade.

Isso acontece na vida cotidiana de ambos: mediante as reações diante das diversas circunstâncias da vida, nas conversas, nos projetos conjuntos, nos discursões, e porque não até nas ausências da pessoa amada.

Pe. Renato Criste Covre

Mestre em Teologia do Matrimônio e Família pelo Instituto João Paulo II – Roma.

 

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