Restos mortais de dom Silvestre na cripta da Catedral

2 março, 2024

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Uma urna na frente do altar, um nicho e uma nova placa na cripta, flores, bispos, padres, familiares e amigos diante do altar foi o cenário para o translado dos restos mortais de dom Silvestre Luiz Scandian, que aconteceu hoje, 02 de março de 2024. O cenário ficou completo quando dom Dario pediu que a assembleia acendesse velas, enquanto a urna era conduzida à cripta, carregada pelos padres da Congregação dos Padres Verbitas.

Dom Silvestre faleceu em 16 de fevereiro de 2019 e a seu pedido, seu corpo foi enterrado no Cemitério do Bosque, em Alvorada, na sepultura da família, junto a seus pais.

Após 5 anos, os restos mortais foram colocados na cripta da Catedral, lugar que é destinado ao sepultamento dos bispos e arcebispos da diocese ou arquidiocese.

A ocasião proporcionou a todos remexer nas lembranças e relembrar o testemunho de vida e ação pastoral de dom Silvestre, nesta Igreja Particular.  A cerimônia do translado aconteceu ao término da missa das 18h, presidida pelo arcebispo, dom Dario Campos e concelebrada pelo bispo auxiliar e vários padres da Arquidiocese e da Congregação dos Verbitas. Parentes e amigos estiveram presentes para prestar homenagem e rezar por dom Silvestre.

Com as seguintes palavras: ”

“Dom Silvestre, que marcou a história desta Igreja, volta para casa”, dom Dario introduziu a celebração do translado.

Irmãos, cunhadas e sobrinhos foram saudados pelo Arcebispo no início da homilia, que em seguida relacionou algumas afirmações das leituras bíblicas do dia com a vida de dom Silvestre.

“Dom silvestre comunicou a todos a força vigorosa da Palavra de Deus”. 

 

“A experiência de ter sido alcançado por Jesus de Nazaré foi sempre o testemunho de dom Silvestre”.

“Ele anunciava com a palavra e exemplo de vida em sua simplicidade e transmitia ‘o zelo pela tua casa me consome’”.

“Sabemos do incansável empenho de dom silvestre pelos pequenos e empobrecidos.

Aqui, sua missão de enfrentar o crime organizado, mostrou sua coragem unindo-se a outras igrejas e sociedade civil.

Só a fé amadurecida seria capaz de tanto enfrentamento”.

Referindo-se diretamente ao translado dos restos mortais para a cripta, dom Dario disse “Hoje queremos colocar na palma da mão do Pai, mais uma vez, este irmão”.

Quem conheceu dom Silvestre e conviveu com ele, guarda recordações incríveis sobre seu jeito de falar e principalmente seu jeito simples de viver. Quem enviou testemunho sobre a convivência com dom Silvestre foi o cardeal dom João Braz de Aviz. Dom João iniciou sua missão episcopal ao lado de dom Silvestre em 1994 e ficou 4 anos como bispo auxiliar na Arquidiocese de Vitória. Hoje, em Roma, serve a Igreja como Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. A entrevista foi concedida a Anna Ferreira (@annaferreirajornalista), jornalista da Rede Vida em Roma, a pedido da Arquidiocese de Vitória, e destaca o equilíbrio, amor à Igreja, trabalho para construir a unidade e humildade de dom Silvestre.

 

Estiveram presentes na cerimônia, dom Andherson Franklin, bispo auxiliar de Vitória, dom Hélio Rubert, bispo emérito de Sta. Maria, que foi bispo auxiliar de dom Silvestre que disse: “Foi um pai, irmão e amigo. Foi um amigo do povo o tempo inteiro”. Pe. Denzil Crastar, provincial da Congregação Verbo Divino, afirmou: “Todos o conhecemos por sua simplicidade e preocupação com os pequenos”.

Sobre dom Silvestre

Dom Silvestre iniciou sua missão episcopal em Vitória, convidando a todos para uma Grande Avaliação das atividades pastorais. A partir do resultado, paróquias e comunidades organizaram as ações pastorais para atingir as prioridades: opção pelos pobres e pelas Cebs (Comunidades Eclesiais de Base). Assim fortaleceu as comunidades e investiu na formação de lideranças.

Visitava as comunidades, não só para Celebrações, mas para sentir as rotinas da vida, caminhando pelas comunidades em horários diferentes e adotou o ditado popular “longe da vista, longe do coração” para explicar suas caminhadas pelas Cebs e suas conversas espontâneas com o povo, fizesse chuva ou calor.
Preocupado com o fortalecimento das pequenas comunidades, não deixou de reunir as multidões para manifestações de fé, tendo destaco para a visita do Papa João Paulo II, em 1991, o XIII Congresso Eucarístico Nacional, em 1996 e as diversas edições da Festa da Penha, quando com palavras simples, chamava a atenção de fiéis e políticos sobre direitos e envolvimento na transformação social.

Diretos, incisivos e sempre “colocando o dedo na ferida” eram as homilias e discursos de dom Silvestre.

Após se tornar emérito, disse em entrevista à Revista Vitória: “Até agora eu tentei viver a fé e a esperança. Agora, quero viver a caridade. Se o Arcebispo me autorizar vou visitar os doentes nos hospitais”. E assim fez, enquanto a saúde lhe permitiu.

Escreveu testamento, enquanto gozava de saúde física e mental e viveu seus últimos anos em uma Casa dos Missionários Verbitas, Congregação à qual dom Silvestre pertencia, em Juiz de Fora, MG.

Ao deixar em seu testamento o desejo de que seu corpo fosse enterrado no cemitério público, dom Silvestre expressou a coerência que existia entre seu discurso e sua prática, com uma pequena frase: “Gostaria que o meu corpo fosse enterrado, por cinco anos, no Cemitério do Bosque, em Vila Velha, onde estão os restos mortais dos meus pais, depois na Catedral”.

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