Retome o controle de sua vida

2 outubro, 2020

Vânia Reis
Psicóloga e professora *

No início desta pandemia, nossa principal necessidade era aprender a nos proteger de um inimigo invisível e muito ameaçador. Vimos reportagens na televisão e nas redes sociais até à exaustão.

Sem abordar as dores das perdas vividas desde então, vamos delinear aqui alguns aspectos deste processo que estamos ainda vivendo. Foram e são muitas as variáveis pessoais, sociais, financeiras, profissionais e políticas para que possamos fazer uma só reflexão, mas uma coisa é certa: nossas crenças, nossos valores, nossa fé foram decisivos para nós. Com fé fomos amparados, protegidos e, aos poucos fomos nos acostumando com este estranho mundo.

Cada um entrou neste cenário com os seus recursos pessoais e isso fez, como sempre, muita diferença.

Otimistas ou pessimistas, os mais autoconscientes, os mais severos em suas crenças pessoais, mantiveram o isolamento social com tanto rigor que muitos viveram, ou ainda vivem, momentos de grande angústia. A ânsia pela recuperação da identidade aprisionada fez o gosto da liberdade clamar alto após o primeiro susto, e os menos severos fomos, aos poucos, experimentando a renovação da nossa autonomia perdida.

Os mais velhos e os jovens foram os que reagiram primeiro. Exaustos de tanto ouvir notícias desastrosas desligaram as televisões. Passaram a selecionar o que assistiam. Mais aliviados, deram um grande passo para retomar as rédeas de suas vidas. Mas…. aos poucos, fomos novamente capturados.

Quando fomos atrás de nossos interesses nas mídias sociais, o bombardeio mudou de configuração. Fomos inundados por inúmeras sugestões e ofertas, em cada movimento digital que fazíamos.  Após um tempo, nem foi mais preciso digitar, basta estar conversando e falar com clareza de um interesse qualquer, para em seguida sermos inundados pelas ofertas no Facebook ou no Google, pois estas empresas ouvem literalmente o que falamos e repassam para seus parceiros nossos interesses. Fomos sendo seduzidos pela nossa curiosidade e pelo desejo da “oportunidade única” e assim novamente capturados pelas incontáveis lives, shows, cursos gratuitos, informações diversas enfim… e, estamos novamente atordoados por tantas opções (sempre “talhados” ao nosso gosto). Excessivamente estimulado, nosso cérebro tem dificuldade de “desligar” e os distúrbios do sono aparecem e com isso, mais e mais problemas.

Está em suas mãos, novamente, dizer: Chega! Basta! Perceba que você está sendo induzido a fazer escolhas sem se questionar, sem estabelecer prioridades. Você faz escolhas sem avaliar, sem sentir se o momento é este. Você está sendo levado a fazer a suas escolhas, no tempo do outro. Então pare.

Primeiro veja se isso está lhe acontecendo. Se permita o silêncio. Sente-se numa cadeira confortável e mire o horizonte, sinta a vida ao seu redor. Permita-se não fazer nada, apenas sentir. A brisa no rosto, os cheiros, os sons…ficar à toa mesmo. Descansa a sua mente.

Há quatro grandes parâmetros para enfrentar (e modificar) uma realidade de forma efetiva: VER, SENTIR, PENSAR E AGIR. Temos sido impulsionados a pensar e agir o tempo todo e negligenciado o ver e o sentir. Sem ver a realidade de maneira mais ampla e profunda, posso ser levado por e para caminhos diferentes dos meus reais objetivos pessoais. Sem verdadeiramente SENTIR, certamente perderei contato com o que me conecta, como pessoa, com o mundo.

Sem pressa, tome contato com você mesmo. Se permita desligar do lá fora. Perceba o que está ao seu lado. O “consumismo intelectual”, via controle pela racionalidade, via fome de conhecimento e até de prazer, se esgarça com a compreensão clara de que tenho limites físicos também para essa “gula”.

Mais do que isso, é necessário compreender se ao querermos apreender o mundo, estamos deixando de lado o olhar para o aqui e agora. Para dentro de nós e a nossa volta. Deixamos de ver, deixamos de sentir e deixamos de olhar nos olhos, para olhar uma tela.

É isso mesmo que queremos? Interagimos sem verdadeiramente nos conectar conosco mesmo e com as pessoas que amamos e que também está desligado de nós e com os olhos dela na tela.

Me lembrei dos tempos de racionamento de energia. Várias horas com tudo desligado. Restava às pessoas se aquietar, sentar e conversar. Aos poucos com o olho no olho. Era muito bom!!! Experimente isso qualquer dia…

*[email protected]

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