REVOLUÇÃO DA TERNURA: DESMILITAR OS CORAÇÕES

24 maio, 2022

No quarto domingo de Páscoa desse ano o Papa Francisco nos brindou com uma mensagem muito profunda a respeito das palavras de Jesus ditas na última ceia: “Deixo-vos a paz”, “Eu vos dou a minha Paz”. Tem horas que nos parece ver que o mundo e as pessoas em particular não se importam mais com a paz. Acham que tirando as áreas em que países estão em guerra, o resto do mundo vive em plena paz exigida pelo Evangelho de Jesus. Tantas pregações em torno da conversão e as pessoas pensam que a conversão se refere apenas à frequência às celebrações e cultos e o pagamento do dízimo. Para muitos, a conversão não é a Jesus Cristo, mas à Igreja.

Não há guerra apenas entre Ucrânia e Rússia, mas em tantos outros países, é a primeira coisa a se registrar. Não há guerra apenas entre nações, mas também nas relações cotidianas dentro da própria família e na sociedade. Tem guerra de marido com esposa, pai com filho, famílias com vizinhos, na própria comunidade eclesial, na paróquia, na diocese. Como falar em paz com tantas mulheres mortas pelos seus (ex)companheiros? Enfim, observa-se o crescimento de um mundo em volta de nós em permanente conflito, em guerra.

O Papa Francisco nos diz que somos convocados a “desmilitarizar os corações”, a arriar todas as armas que dispomos e caminhar para uma vida de conversão profunda, uma mudança de vida, para que cada um possa reconhecer no outro um irmão e não um adversário, um inimigo, alguém que tem que desaparecer ou ser enterrado.

Como iremos dar a paz ao nosso irmão nas celebrações se nosso coração está em pé de guerra? Se em nós mesmos não há paz, torna-se impossível dá-la aos outros, desejá-la aos nossos irmãos, todos. De Jesus nos vem a direção: “Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra”. Não serão as guerras, as armas, os grupos milicianos, a população armada, que herdarão a terra. Ou se crê no Evangelho, ou é melhor nem pedir a Deus algo que não queremos, pois optamos pela guerra cotidiana. O Papa nos diz que “a mansidão é possível”. Quem são os mansos em nossa comunidade eclesial? Com certeza não são aqueles que empunham armas de qualquer tipo ou praticam atos de violência pela cidade no dia dia-a-dia.

Se somos discípulos de Jesus de maneira verdadeira, nos lugares onde vivemos, em nossas casas, nas ruas, no trabalho, deveríamos aliviar as tensões extinguindo os conflitos, estabelecendo relações amorosas, de ternura plena. A revolução da ternura não é fácil. É muito difícil, em todos os níveis, acabar com os conflitos, desarmar os corações, garantindo uma convivência de paz.

O Papa Francisco nos diz que a ternura é o amor que se faz próximo e concreto, que parte do coração e chega ao outro de maneira integral; está nos olhos, nos ouvidos, nas mãos que não foram feitas para carregar armas, mas para acalentar, fazer carinho, dar a mão ao irmão caído. A ternura faz nossos ouvidos ouvir o outro, escutar o grito dos pequenos, dos pobres. É a ternura que nos faz ouvir o grito silencioso da terra, tão contaminada. A terra está carente da ternura humana, por isso está muito doente, enferma.

A ternura nos faz humildes e somente assim seremos fortes, não com armas nas mãos, mas com o carinho das mãos dadas, levantando os caídos para o alto, estando a serviço e difundindo o bem. Ternura é o caminho que percorreram as mulheres e os homens corajosos e fortes, afirma o Papa.

Ao desarmar os corações, as palavras que matam, os olhares que aniquilam, o ódio e a intolerância, teremos condições de encher nossa vida de serenidade. Quanto mais sentirmos dentro de nós nervosismo, impaciência, raiva, mais ainda devemos pedir ao Senhor o Espírito de Paz.

Os corações de tantos homens andam empedrados, tornaram-se de chumbo que mata. Somente o Espírito de Paz irá amolecer esses corações, tornando-os leves, ternos, mansos. O mundo anda bem desfigurado pelo egoísmo humano, inclusive a terra, nossa casa comum, anda devastada com seus rios poluídos.

O egoísmo tem levado os homens a muitas guerras e construído uma economia centrada nas coisas e nos negócios e não nas pessoas. A existência de cada um de nós está ligada à existência dos outros, à existência do mundo. “A vida não é tempo que passa, diz-nos o Papa, mas tempo de encontro”. O futuro a ser construído depende de todos, juntos, sem excluir ninguém. Quando na sociedade aumentam as exclusões, nosso futuro fica totalmente comprometido.

Temos urgência em cuidar de nossas ligações, de nossas relações, sem pré-julgamentos duros contra nossos irmãos e nossas irmãs. Muitas vezes matamos o outro com uma fofoca, com uma mentira. É preciso cuidar das feridas não curadas, do mal não perdoado, do rancor que faz tanto mal, do ódio que divide famílias inteiras. A chama de ódio do coração precisa ser apagada para não se transformar num incêndio descontrolado, deixando tudo em cinzas. Essa é a revolução que o Evangelho de Jesus Cristo espera de seus discípulos e não das guerras que matam.

Edebrande Cavalieri

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