REZAR PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

27 maio, 2022

Estamos às vésperas da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que se realizará entre os dias 29 de maio e 05 de junho, incluindo no dia 12 de junho uma Caminhada pela Paz. Trata-se de um movimento que deveria envolver todas as comunidades cristãs. Por que rezar pela unidade?

O Papa Francisco nos lança de imediato a pergunta: você reza pela unidade dos cristãos? E alerta aos bispos que todos estão a serviço não de uma unidade externa, de uma uniformidade, mas do mistério de comunhão que é a Igreja em Cristo e no Espírito Santo, como corpo vivo, como povo que caminha na história e para além da própria história.

A realidade da divisão das Igrejas impede um testemunho maior em favor da Paz, da Justiça e do cuidado com a Terra. O Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II tendo como um dos objetivos abrir a Igreja Católica à unidade. O documento do Concílio, aprovado pelos bispos do mundo inteiro, nos assevera que “A divisão dos cristãos é um obstáculo para a missão da Igreja”.

Hoje vemos como o mundo carece de paz e enquanto os cristãos não aprenderem a dialogar entre si e com as demais religiões o mundo não terá paz. Enquanto as Igrejas cristãs não dialogarem entre si, não se unirem orando ao Pai pela unidade, impossível pensar no diálogo entre as religiões tão diferentes presentes no mundo.

A unidade não é unanimismo, não é concordar a todo custo. É o respeito pela pessoa, pelo rosto do outro especialmente dos pobres, pequenos e excluídos. A unidade é um Dom e deve ser vivida sem anular a diversidade. Ignorar as divisões cristãs acaba alimentando o terreno dos conflitos e das intolerâncias. Diz-nos o Papa que “hoje para um cristão não é possível, não é viável, ir sozinho com a própria confissão. Ou vamos juntos, todas as confissões fraternais, ou não caminhamos”.

O caminho da fé implica a companhia de irmãos e irmãs de outras igrejas ou comunidades eclesiais. Podíamos nos perguntar sobre o que impede as comunidades cristãs daqui de Vitória realizarem uma caminhada pela paz. Só nos falta vontade. Nada mais. Tem hora que parece que tememos perder nossa fé se estivermos do lado do nosso irmão de outra confessionalidade.

Jesus Cristo orou pela unidade e por ela deu a própria vida. Se permanecermos em seu amor produziremos muitos frutos. São um grande escândalo as divisões entre os fiéis. Através da unidade e orando por ela, unida na intenção da paz e da reconciliação construiremos um mundo de paz. As feridas que aconteceram ao longo da história precisam ser curadas e o momento de oração é propício para sanar as dores.

A oração de Jesus pela unidade acontece um pouco antes de sua Paixão. Jesus não fez um longo discurso para convencer seus discípulos a respeito do benefício da unidade. Não se trata de uma estratégia de organização institucional de modo a levar a todos a participarem de um encontro ou assembleia. Ao rezarmos pela unidade, todos os cristãos hão de reconhecer que não somos suficientes, onde uns são mais salvos que os outros. Infelizmente, até no interior de algumas comunidades tem pessoas que se acham mais salvas que os irmãos que frequentam o mesmo espaço celebrativo. Nossa força não nos garante sucesso sozinhos. Devemos rezar pela unidade para que Deus nos garanta como um dom, como uma graça. É isso que pedimos a Deus.

O desafio da unidade está presente em cada momento de nossa vida, em nosso entorno, em nós mesmos. Temos a inclinação a nos dividir, indecisos, contraditórios. As divisões ocorrem em cada momento, na família e nos povos. Os tempos atuais acham que tudo se resolve no grito, na ameaça, na posse de uma arma. Nada se resolve com o medo, com a vingança e o ódio. Que cristãos são aqueles que elevaram armas no mundo e ali pediram a bênção de Deus? Até líderes religiosos empunharam armas. A unidade pedida a Deus na oração se une com o pedido da paz, da reconciliação. A leitura da Bíblia deveria servir sempre para que os homens cristãos semeassem a paz e a reconciliação e não ser usada para condenação moral ou dominação entre os povos.

O Papa nos pergunta de maneira direta: “Rezo pela unidade?” Podemos confessar e reconhecer que rezamos muito pouco pela unidade. A unidade que se inicia em nós mesmos e do nosso lado deve servir concretamente – “para que o mundo creia”. Bons argumentos, belos discursos, belas homilias, não servem para convencer ninguém. A fé não decorre do convencimento argumentativo. Somente se tivermos testemunhado o amor que nos une e nos aproxima uns dos outros podemos ter a certeza que o mundo irá acreditar.

O momento atual com a guerra entre Rússia e Ucrânia e que envolve o mundo questiona as Igrejas pelo que fizeram ou ainda podem fazer para contribuir para o desenvolvimento de uma comunidade mundial, que leve à formação de uma fraternidade de povos e nações que vivem na amizade social? O Papa nos alerta de que é o diabo que nos tenta a partir de nossas fraquezas, ampliando os erros e defeitos dos outros, semeando a discórdia a qualquer preço, inclusive com fake News, provoca a crítica e cria divisão.

O caminho de Deus é totalmente diferente, pois nos impele para a unidade. O caminho de Deus não combina com o processo de armamento na sociedade e nas nações. Deus nos ama desarmados, pobres, humildes. As duas únicas armas para se crescer na unidade são a oração e o amor. Nada mais! Nesses tempos de tantas mentiras, tantas fofocas, pode ser que muitos cristãos estejam a serviço do diabo, falando mal dos outros, alimentando o conflito e dividindo a comunidade cristã, a família, os amigos, o mundo. Somente o Espírito é que nos impele para a unidade.

O Papa Francisco então nos mostra o caminho da unidade de maneira bem simples. Amando a Cristo vamos superando os preconceitos e passamos a ver nos outros um irmão, uma irmã a amar para sempre. “Deste modo descobriremos que os cristãos de outras confissões, com as suas tradições, com a sua história, são dons de Deus, são dons presentes nos territórios das nossas comunidades diocesanas e paroquiais. Comecemos a rezar por eles e, se possível, com eles”. Rezar com os outros é uma das experiências mais ricas da vida de fé.

Nunca esqueço o dia que na UFES conseguimos rezar como ação de graças entre diversas comunidades religiosas como católicos, protestantes, espíritas, muçulmano, judeu. Após aquela oração, feita de mãos dadas, e concluída com o abraço selando o desejo de paz, a sensação em cada um de nós era de profundo sentimento de proximidade e respeito em nossas diferenças. O Concílio Vaticano II nos recorda que a oração é a alma de todo movimento ecumênico.

Somos peregrinos da paz nesse mundo, na diversidade de nossas tradições e confissões, somos peregrinos no caminho da unidade plena. Somos peregrinos no caminho da comunhão e assim seremos testemunhas do amor de Cristo. Dessa forma podemos celebrar bem melhor a semana de oração pela unidade dos cristãos pedindo ao Senhor que nos conceda essa graça e nos fortaleça no caminho da paz. Caminhemos juntos!

Edebrande Cavalieri

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