Romaria das Mulheres encerra o Oitavário da Penha

12 abril, 2026

A cada um dos oito dias do Oitavário da Penha, um objeto foi abençoado pelos freis franciscanos durante o momento devocional , no dia de abençoar os guarda-chuva, o dia da Romaria das Mulheres, choveu. As mulheres que fizeram a Romaria saindo do Santuário Divino Espírito Santo foram recebidas com chuva na Prainha, mas não arredaram pé e permaneceram até ao final da missa, prestando homenagem a Nossa Senhora das Alegrias.

A imagem foi carregada por mulheres e também foram elas que ao final, representando as mulheres que trabalham voluntariamente na Festa, entraram junto com o frei e o quadro da Senhora das Alegrias, enquanto um texto foi lido:

Ao cair desta tarde abençoada, quando o céu parece se inclinar para ouvir nossas preces, reunimos nossos passos, dores, alegrias, histórias e silêncios aos pés de Nossa Senhora da Penha, Mãe terna, abrigo dos corações e estrela que guia o povo capixaba.
Hoje, na força e beleza da Romaria das Mulheres, ecoa em nós um chamado que é oração e compromisso: “onde houver ofensa, que eu leve o perdão”, juntas e de mãos dadas, repitamos. não como palavras soltas ao vento, mas como sementes lançadas na terra da vida, sementes que brotam em gestos, reconciliações e recomeços.
É o mesmo sopro que um dia incendiou o coração de São Francisco de Assis e iluminou os passos de Santa Clara de Assis. Eles nos ensinaram que a paz não nasce da ausência de conflitos, mas da coragem de amar quando tudo parece ferido. E hoje, esse legado floresce em cada mulher aqui presente: mulheres que são fonte, que são ponte, que são colo e resistência.
Ao contemplarmos Frei Filipe que, para nós é a personificação de Francisco de Assis nos dias de hoje, segurando em suas mãos amorosas, o ícone da Mãe das Alegrias, recordamos que a alegria da Páscoa nasce no coração que sabe amar, servir e permanecer fiel. Revela-nos que, mesmo após a dor, Deus faz brotar vida nova e que Maria, em sua ternura, nos conduz a essa esperança que não decepciona. A alegria da Ressurreição passa pelo coração feminino, pela sensibilidade que acolhe a dor e a transforma em esperança.
O sonho de tantas e tantas Marias entregamos ao Pai, na força do Filho, com a luz do Espírito e a proteção da Mãe que caminha conosco. Ela conhece nossas lágrimas, mas também nos ensina a reconhecer os sinais da vida nova. Em seu silêncio fecundo, aprendemos que o perdão é um milagre cotidiano discreto, mas capaz de mudar destinos.
Que, inspiradas por Maria, a Virgem da Penha, e fortalecidas pelo exemplo de Francisco e Clara, possamos sair daqui como quem carrega luz nas mãos: levando o perdão onde houver ofensa, a luz onde houver escuridão, a ternura onde houver dureza, a escuta onde houver gritos, e o amor onde ele ainda não é conhecido.
Que a Mãe das Alegrias abençoe cada mulher, cada família, cada coração peregrino e todo o povo capixaba, hoje e sempre. Amém.
Neste momento da homenagem, dom Andherson Franklin, bispo auxiliar de Vitória, pediu para olharmos o gesto do Menino que se encosta no rosto da Mãe e pediu para sentirmos esse carinho com Nossa Senhora. Na homilia, dom Andherson Franklin, que presidiu a missa, falou sobre misericórdia, lembrou das mulheres que sofrem violências e disse que não podemos esquecer que “durante este oito dias celebramos a alegria da bondade de Deus que não nos deixou órfãos. Deus nos amou e por nos amar nos fez novos em Cristo. O Senhor e a esperança não podem ser perdidos”. Depois referindo-se ao tema da Festa, Senhor fazei de nós instrumentos de paz, disse: “a paz que queremos é construída em diversos níveis e assim vamos construir o mundo que queremos, um mundo onde se destroem muros e se constroem pontes, com diálogo entre casais, entre pais e filhos e entre vizinhos”. “Deus nos trouxe aqui, deixemos que ele nos atinja como esta chuva que cai sobre nós”, finalizou.
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