SÃO TOMÁS MORE, PATRONO DOS POLÍTICOS E GOVERNANTES

21 junho, 2024

No encontro do Papa Francisco com os humoristas há poucos dias, ele confessou que reza todos os dias uma oração atribuída a São Tomás More intitulada Oração para o bom humor. Em geral, conhecemos Tomás More pela obra “A Utopia”, e muitos nem sequer sabem que ele foi canonizado pela Igreja Católica como mártir em 19 de maio de 1935, sendo declarado padroeiro dos políticos e governantes pelo Papa João Paulo II. Tem como dia festivo 22 de junho.

Nasceu em 1478 e faleceu decapitado em 1535. É considerado uma das figuras mais importantes do Renascimento. Era leitor das obras de Santo agostinho, doutor em Direito e brilhante professor, e homem de grande humor. Erasmo de Roterdã escreveu assim: “É um homem que vive com esmero a verdadeira piedade, sem a menor ponta de superstição. Tem horas fixas em que dirige a Deus suas orações, não com frases feitas, mas nascidas do mais profundo do coração. Quando conversa com os amigos sobre a vida futura, vê-se que fala com sinceridade e com as melhores esperanças. E assim é Tomás More também na Corte. Isto, para os que pensam que só há cristãos nos mosteiros”.

Tomás More era um chanceler muito influente na Inglaterra de Henrique VIII, exercendo grande influência no Parlamento inglês. Quando o rei Henrique VIII buscou a dissolução de seu matrimônio com Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena, o Rei forçou o Parlamento a proclamar o Ato de Supremacia que conferia ao monarca e seus sucessores a chefia da Igreja na Inglaterra.Criava-se nesse momento a Igreja Anglicana hoje presente no mundo todo.

Tomás More se opôs firmemente contra essa decisão do Rei que era apoiado pelo Parlamento, sendo preso junto do Bispo Católico João Fischer e decapitado. Antes de morrer fez uma declaração pública nos seguintes termos: “Sedes minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o rei e o aconselhe”.

Como estamos em ano eleitoral e a Igreja Católica, em seu agir pastoral, tem insistido na constituição de uma “boa política” ou “melhor política”, as ideias de São Tomás More são importantes para clarear os caminhos nessas eleições. Em sua visão, era preciso uma grande reforma política e social para que a sociedade fosse pautada nos critérios da razão e da fé cristã. Era uma reforma ampla, tanto na sociedade como na administração, na educação e na economia. Sua principal crítica aos governantes era o fato de lhes faltar interesse no estudo e no conhecimento, principalmente desinteresse no conhecimento da função de governar. Ele dizia: “O ambiente da corte corrompe o cortesão. O problema é institucional”.

Outra grande crítica à política dos governantes era de que eles estavam dominados por interesses individuais em detrimento dos interesses comuns. O verdadeiro propósito de governar está na população. Por esse motivo, é preciso governar sob a ótica humanista. Entre as obras mais nefastas dos governos está a ação bélica que é algo verdadeiramente bestial. É preciso banir da civilização a guerra, pois é uma glória desqualificada, sem sentido.

Seu humanismo acabou sendo precursor dos direitos humanos, pois dizia que “o homem é criatura de Deus e por esse motivo os direitos humanos têm a origem n’Ele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção”. A luta pelos direitos humanos é obra redentora e está no plano de salvação. A consciência moral de cada pessoa deve ser o seu guia, pois ela “é testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma”.

Para ele, os valores cristãos em sintonia com critérios racionais podem reformar as instituições e elevar a ação política, desde que haja uma interpretação mais fiel possível dos preceitos cristãos, pois muitos estão distorcendo a mensagem cristã de modo a permitir os homens a se sentirem mais seguros em suas maldades. Denuncia naquele momento que se vivia uma verdadeira hipocrisia social na Inglaterra. Os religiosos não medem sua devoção religiosa pela regra de Cristo, mas pela sua própria predileção emocional.

Até mesmo os ritos, sinais e símbolos usados nas Igrejas estão assumindo a pretensão de serem essenciais à fé estabelecida no sacrifício e na memória daquele que foi ao extremo da dor e doação à sociedade. Tem-se a impressão de se estar no caminho rumo à esclerose institucional onde a imagem, o aparecer, estão se tornando mais importantes que o ser mesmo. Os religiosos estão transformando as aparências rituais e litúrgicas como se fossem a própria essência da vida cristã.

Com esses pensamentos apresentados, percebemos o quão atual é seu exemplo e sua crítica, especialmente à política e à religião. São pontos aplicáveis à realidade brasileira e que deveriam nortear as escolhas nas próximas eleições. Seu pensamento é marcado por uma harmonia entre o natural e o sobrenatural, vivendo intensa vida pública, com humildade simples, “bom humor”, mesmo diante da morte iminente. Sua crítica é racional, contudo tendo sempre presente os princípios cristãos do Evangelho de Jesus Cristo.

Edebrande Cavalieri

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