Seminaristas entram em recesso

5 julho, 2021

Desde a última sexta-feira (02/07), os seminaristas da Arquidiocese entraram no período de recesso, em vista da transição ao segundo semestre letivo. Nessa ocasião, os seminaristas retornam às casas paternas e às comunidades de origem, as quais os enviaram, um dia, para servir à messe. Cabe, portanto, fazer algumas reflexões acerca da importância desse tempo, a saber: do acolhimento da família, do retorno às origens e do tempo de descanso.

A princípio, convém ressaltar que o caminho daqueles que desejam semear o reino de Deus é repleto de dificuldades que não raramente geram frustrações. Tais frustrações não são um problema propriamente dito – na verdade, são parte do crescimento -, o problema começa, de fato, quando tais intempéries começam a cobrir a visão daquilo que se busca, isto é, o próprio Cristo. Nesse caso, é necessário recobrar as forças e tomar novo vigor. Por essa razão, o seminarista volta à casa, não para ficar ou se estabelecer; na verdade, ele volta somente de passagem, sem nem “desarrumar as malas”. Poderíamos dizer que esta volta é como o semeador que “saiu a semear”[1], entretanto, teve de voltar à casa para tomar algumas ferramentas no intuito de exercer cada vez melhor o sue ofício.

Assente nisso, o acolhimento familiar se mostra como um dos fundamentais benefícios do recesso. A Família é a “Igreja doméstica”[2], na qual “os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos”[3], bem como são os primeiros a enviarem, de fato, o filho para o seminário. Voltar à família, portanto, é voltar ao princípio daquilo que somos, uma vez que um homem é, em grande parte, reflexo da educação parental. Além disso, é nos afetos da família que o sujeito pode compreender-se a si mesmo como Pessoa propriamente dita. Sobre isso o Catecismo ensina: “as relações no seio da família comportam uma afinidade de sentimentos, de afetos e de interesses, que provêm sobretudo do mútuo respeito das pessoas.”[4] Em síntese, é somente pela família que os indivíduos deixam de ser um CPF e passam a ser Pessoas, de modo que retornar a ela é recordar quem somos no meio do mundo e porque o somos.

Outro aspecto importante diz respeito à comunidade de origem. “O processo de Iniciação à Vida Cristã é fundamental para o aprimoramento da vida espiritual”, sendo, portanto, um pressuposto para a formação inicial do seminário. Nesse sentido, tal processo acontece nas comunidades de origem em que participou o seminarista, por meio da catequese e da recepção dos Sacramentos da Iniciação Cristã[5]. Além disso, a vivência comunitária também é, de maneira prática, uma grande formadora dos fiéis. Nesse contexto, as comunidades eclesiais de base, bem como os movimentos que atuam nesses ambientes configuram-se como os fundamentos da vida espiritual e vocacional do seminarista. Por isso, é necessário, de tempos em tempos, retomar tal espiritualidade e tal fervor no qual Deus chamou a uma doação radical por meio do presbiterato. Em suma, Santa Clara sabiamente nos ensina: “Jamais perca de vista o seu ponto de partida”. Alguns também expressam essa mesma ideia dizendo “retornar ao primeiro Amor”. Tal ponto de partida volta ao nosso olhar, quando voltamos à nossa comunidade de origem.

Sendo um período de recesso, é imprescindível destacar a importância do descanso. Em meio à grande quantidade de trabalhos e compromissos do cotidiano é muito comum perder de vista aquilo que se busca; esquecer-se daquilo que é o mais importante. A turbulência dos ofícios caleja a sensibilidade e a memória das coisas. Nesse estado, o seminarista pode acabar por ficar como Marta no Evangelho[6], que se esqueceu daquilo que é mais essencial em sua vida, em virtude da agitação das ocupações. Logo, cabe a mesma exortação de Jesus: “Marta, Marta! Tu andas preocupada e agitada por muitas coisas. No entanto, uma só uma coisa te é necessária”. O descanso e o recolhimento permitem voltar os olhos ao interior de si mesmo e reencontrar esse “necessário”; a “melhor parte” que Maria escolhera.

Enfim, o período de recesso ou férias não deve ser confundido pura e simplesmente com a “falta do que fazer” ou “ausência de trabalhos”. Na verdade, é um período de grande atividade interior, na qual se prepara para os próximos passos da jornada e se recebe os primeiros frutos do trabalho já realizado.

 

 

[1] Mateus, 13,3

[2] Catecismo da Igreja Católica (CIC) p.2204

[3] Ibid. p.2223

[4] Ibid. p.2206

[5] Batismo, Eucaristia (primeira comunhão) e a Crisma

[6] Lucas 10, 38-42

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