Ser mãe?

6 maio, 2022

A maternidade é percebida como uma benção de Deus desde o início dos tempos. Filhos garantiam a sobrevivência da comunidade, garantiam a expansão do poder dos clãs. Filhos davam reconhecimento social aos pais, eram prova de competência e levava aos pais o reconhecimento e a aprovação da sociedade.

Evidentemente essa mentalidade ainda está presente em nosso Brasil de tantas realidades. As vezes penso que nós condensamos simultaneamente todos os pensamentos dos tempos, de tão divergentes internamente que somos, mas…

Hoje o Brasil está entre os países de mais acentuada queda da taxa de fecundidade e consequentemente de natalidade. Na busca de suas conquistas, suas realizações, sua independência e sua inserção nesta população economicamente ativa, a mulher brasileira passou de uma média de 6 filhos em meados do século passado para o 1,7 de hoje. Muitas simplesmente não querem ter filhos. Filhos são o único vínculo para a vida toda e as gerações mais novas (abaixo dos 40 anos) temem muito ter vínculos. Se não gostam mais dos seus trabalhos, empregos, relacionamentos, círculos sociais… simplesmente descartam. Filhos geram compromissos para toda a vida e, o que mais temem as gerações atuais, são vínculos para sempre. Filhos exigem dos pais, minimamente amadurecidos, responsáveis, a renúncia ao prazer individual e egocentrado, para o bem-estar do outro. Trazem demandas fortes também no aspecto financeiro e assim comprometem anseios individuais ou do casal. Muitos não querem.

Quando os métodos anticonceptivos falham é triste ver que a vontade de não querer ter filhos (ou mais filhos) tem levado uma em cada cinco mulheres brasileiras à opção por abortar ao menos uma vez até chegar aos 40 anos.

No estudo longitudinal do Ministério da Saúde publicado em 2009, o perfil da mulher brasileira que aborta é predominantemente entre 20 e 29 anos, está em união estável, tem até oito anos de estudo, trabalha e tem, pelo menos, um filho. Em outro estudo mais recente (UNB,2016) esse perfil é confirmado, mas amplia a faixa etária para entre 18 e 39 anos e a escolaridade até com curso superior. Um outro estudo similar o total das mulheres que declarou já ter feito pelo menos um aborto: 64% são casadas, 81% são mães, 23% ganham até um salário mínimo, 31% de um a dois, 35% de dois a cinco e 11% recebem mais de cinco. Só a análise destes números nos mostra o quão irreais tem sido as justificativas apresentadas como plataforma para a aprovação do abroto. Fundamentalmente não parece ser a mulher fragilizada emocional, social ou economicamente que tem buscado o aborto.

Os dois estudos trazem ainda a chocante constatação de que ser católica é parte deste perfil de mulher que escolhe abortar e a religião não é impeditiva para o aborto: “56% dos casos registrados foram praticados por católicas e 25% por protestantes ou evangélicas”.

Fica a pergunta o que aconteceu com a consciência de nossos fiéis? O que aconteceu com o 5º Mandamento dos 78% desses cristãos que optaram por abortar seus bebês? Este mandamento exige respeito pela vida humana. Como a consciência destas mulheres lida com esse conflito religioso depois do aborto? Sei que este é um momento de muito sofrimento e que muitas confessam inúmeras vezes esse pecado e não se perdoam, mesmo o sacerdote as tenha perdoado. O peso psicológico e o religioso é muito grande.

A polarizada discussão sobre o direito de livre arbítrio da mulher sobre seu corpo ignora solenemente o direito à vida da criança, e quer deixar “mais fácil” esquecer o que o aborto realmente é: matar a criança no ventre materno. Muitos eufemismos são usados para disfarçar o trágico desta escolha. Não falam bebe no útero, falam em feto. Os defensores defendem o direito de abortar com “28 semanas” pois não tem coragem de falar que esse é o tempo de 6 meses de gestação. Sei, como psicóloga, como a grande maioria das mulheres que fizeram essa escolha, sofrem depois com as consequências emocionais e espirituais deste ato.

A discussão vai ser novamente aberta. Não podemos deixar de “dar nomes aos bois”. Não podemos deixar que meias palavras, eufemismos aplaquem a nossa consciência.

Escolhamos bem nossos representantes nestas eleições para que nossas consciências também possam estar em paz. Se ter um filho indesejado é penoso para todos ali envolvidos, vamos pensar em outras formas de enfrentamento. Sempre haverá soluções.

Vania Reis

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