Será que sou chamado?

3 agosto, 2020

A juventude é uma fase de muitos questionamentos e incertezas. O jovem se vê diante de uma multiplicidade de profissões, áreas de estudo, cursos, e quando é incomodado com uma voz interior que o chama para uma vocação específica, o que fazer? E quando esse chamado é para ser padre? A vida sacerdotal não é uma simples escolha aleatória, mas sim uma vocação. Vocação significa chamado, todos os fiéis são chamados, são vocacionados, mas tem aqueles que possuem um chamado especial.

 

A vocação sacerdotal é um chamado que Deus faz à alguns homens, para entregarem inteiramente a sua vida as coisas de Deus, através do serviço ao seu povo. E como saber se tenho uma vocação ao sacerdócio? Padre Jorge Campos Ramos, Vigário Geral e Reitor do Seminário Nossa Senhora da Penha em Vitória ajuda a responder essa pergunta.

 

“Para a pessoa discernir esse chamado, para saber se está sendo chamado, é necessário colocar-se em oração, em silêncio, escutar o Senhor, fazer um retiro espiritual, é necessário também ouvir a palavra de Deus, ou seja, meditar a palavra, esse contato com a palavra de Deus é que vai levando a pessoa a discernir o seu chamado é ou não autentico”.

 

Descobrir a vocação, se Deus está chamando ou não, não é uma tarefa tão simples, é preciso ter uma comunhão com Deus, uma intimidade com o Senhor. Marcilio de Araújo Neto, seminarista do seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha em Vitória, está no seu primeiro ano de Teologia e viu sua vocação despertar aos 17 anos quando cursava o ensino superior de Administração.

 “Aos 17 anos tive a oportunidade de conhecer o seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha. Ocasião que visitei e fui convidado a participar dos encontros, porém como havia ingressado recentemente na faculdade, decidi, terminar o curso superior. Terminado o curso, me veio a seguinte pergunta: e agora, o que vou fazer? Decidi então, retornar para a casa dos meus pais no interior, onde fiquei durante um ano, e nesse período me dediquei a aumentar minha vida de oração e me dispus a participar dos encontros vocacionais. Participava durante o dia do encontro, ao entardecer retornava para Afonso Cláudio, chegando em casa por volta das 21 horas. Assim foi durante um ano de encontro vocacional, ao final, pela Graça de Deus fui aprovado para ingressar no propedêutico no ano seguinte”, relata.   

 

A trajetória para chegar até ao altar, não é pequena. O discernimento vocacional é realizado durante todo itinerário de vida da pessoa, seja no relacionamento familiar, social ou comunitário.

 

“É necessário em primeiro lugar o chamado de Deus, sentir-se chamado e amado por Deus. A partir de então desse sentimento, o jovem se dispõe a segui-Lo, e busca o seminário para ajudá-lo a discernir melhor os seus sentimentos, se o que está pensando é realmente o chamado de Deus. É necessário um grande amor a Jesus, a Virgem Maria, a Igreja, um desejo profundo de se consagrar a Deus para servir a Igreja de Jesus Cristo. O jovem deve ser também desapegado as questões que possam lhe prender a este mundo. Deve se colocar totalmente disponível para o serviço a Igreja sem apegos, totalmente desapegado para servir”, complementa Pe Jorge.

 

O vocacionado ao Sacerdócio é uma pessoa apaixonada por Deus. É querer servir e obedecer a Deus a todo custo, é ser uma pessoa que ama profundamente a Santa Igreja. A família é a grande promotora das vocações em especial da vocação sacerdotal, assim aconteceu na vida de Marcílio.

 “Venho de uma família tradicional, todos muito católicos, meus pais foram meus primeiros catequistas, eles me ensinaram as primeiras orações. Foram eles que me falaram de Jesus pela primeira vez. Nesse contexto familiar, desenvolvi uma vida de oração. Descobri a liturgia das horas, e passei a rezá-las e meditá-las, pois ficava encantado com o formato daquela liturgia. Dentre outras orações, leitura da Sagrada Escritura, leitura da vida de santos, pude aumentar minha “intimidade” com Deus e assim perceber com maior claridade que todo aquele encanto pela Igreja, pela liturgia, pela vida dos santos, sobretudo pela Santa Missa se tratava de um sinal da vocação”.

 

Mas nem sempre a vida entregue a Deus é feita de facilidades, os desafios são grandes, é preciso perceber que quem chama é muito maior do que qualquer coisa.

 

“São muitos os desafios que encontramos durante o discernimento vocacional, no começo as renuncias que são necessárias, o distanciamento da família, coisas que cheguei a pensar que não iria dar conta, mas, ao dizer SIM, pude perceber que quem me chama é muito maior do que qualquer coisa que temos nesse mundo. Lembro-me aqui daquela parábola que talvez descreve um pouco essa decisão: “O Reino do Céu é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44). Assim o fiz, a partir de um encontro com Deus, me dispus a largar tudo e segui-lo, desejando entregar-me cada dia mais ao Senhor, e aqui se encontra o motivo: é o Senhor quem me sustenta na caminhada vocacional, fazendo da minha entrega, a minha felicidade, e com toda certeza, eu sou muito feliz por hoje está no seminário e caminhando para me configurar a Cristo por meio do ministério ordenado”, lembra o seminarista Marcílio.

 

Santo Agostinho, escreve que o sacerdócio é um serviço de amor (amoris officium) porque é um serviço de pastor, é gastar a vida no zelo pelo rebanho que é o povo de Deus. No Documento 110 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) Diretrizes para a Formação dos presbíteros na Igreja no Brasil, no número 42 nos diz sobre o chamado ao sacerdócio: “O presbítero é então chamado a formar-se para que o seu coração e a sua vida sejam confrontados ao Senhor Jesus, de modo a tornar-se um sinal do amor de Deus por todo ser humano. Unido intimamente a Cristo, ele anuncia o Evangelho e torna-se instrumento da misericórdia de Deus; guia e corrige, intercede e tem a seu cuidado a vida espiritual dos fiéis a ele confiados; escuta e acolhe, correspondendo também às exigências e às questões profundas do tempo atual”, documento citado por padre Jorge.

 

Segundo Marcílio “ser seminarista é estar em constante aprendizado, acima de tudo, é se colocar sempre na presença de Deus, deixando se guiar por Ele”; e é com essa certeza no coração, que o seminarista orienta aos jovens que estão em dúvidas quanto sua vocação: “Em primeiro lugar, procura-te ter uma vida assídua de oração, somente possuindo uma intimidade com Deus, conseguirá discernir bem sua vocação. Depois, não tenha medo, se decidir seguir a Jesus Cristo, você não está seguindo uma ideia, uma ideologia, você estará seguindo uma pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo, doando a si próprio como sacrifício para a salvação das almas, e se Ele te chama a fazer o mesmo com sua vida, é exatamente na oferta da sua vida pela salvação das almas, que você encontrará sua felicidade, por isso, não tenha medo. O Espírito Santo te conduzirá a verdade, e o ensinará a fazer essa oferta de amor. Deus chama, mas é você que precisa deixar tudo e segui-lo, como fizeram os apóstolos e todos os ministros ordenados ao longo da história da Igreja”.

 

Mais informações sobre o seminário: 

 

Você pode entrar em contato com o próprio reitor do seminário pelo telefone: (27) 99943-0934 e falar com o Pe. Jorge Campos Ramos ou com um dos nossos Seminaristas.

Endereçado ao Revmo. Pe. Jorge Campos Ramos

Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha

Ladeira Atero Braído, 255

Praia do Suá – Vitória / ES

CEP: 29052-220

Fones:

(27) 3227-8601

(27) 99943-0934

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