Síntese da etapa arquidiocesana do Sínodo

23 julho, 2022

A Arquidiocese de Vitória finalizou a síntese dos questionários sobre o Sínodo e já está nas mãos de dom Dario Campos, nosso arcebispo para ser enviada à CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O Sínodo foi convocado pelo Papa Francisco como forma de “fazer um retrato” da Igreja Católica no mundo para com ele pensar ações pastorais evangelizadoras. A primeira etapa aconteceu em 2021 com a Abertura do Sínodo feita pelo Papa e repetida nas arquidioceses e dioceses do mundo. No Brasil a primeira etapa está sendo concluída com o envio das sínteses à CNBB até 31 de julho.  Até março de 2023 acontecem as reuniões e sínteses por continente e em outubro será a última etapa em Roma.

Os católicos da Arquidiocese de Vitória deram sua contribuição e retrataram as conquistas e mazelas vivenciadas no dia a dia das comunidades respondendo às 10 perguntas que receberam. Com elas pode-se destacar alguns elementos que apontam como é o caminho conjunto na Arquidiocese e o que o Espírito Santo nos convida a fazer para melhorar o caminhar juntos, a vida em sinodalidade (caminhada conjunta) perpassando todas as instâncias administrativas, pastorais e carismáticas que compõem nossa Igreja Local.

As respostas são dadas com contraditórios, porque a vida também é feita assim. Por um lado, uma visão positiva quanto ao diálogo, celebrações, capacidade de escuta, participação, tomadas de decisão, relações ecumênicas e inter-religosas, corresponsabilidade, exercício de autoridade e sinodalidade. Por outro, fragilidades nessas mesmas questões são apontadas como enfraquecedoras do caminhar.

Há uma grande parte de pessoas que se sentem por fora da caminhada, excluídas ou com participação restrita e não acolhidas. As razões são inúmeras, mas o que fica é a pergunta: o que fazer para incluir quem está e/ou se sente por fora da caminhada eclesial? Iniciativas para socorrer os vulneráveis, grupos para analisar os problemas e situações, novas formas de divulgar a ação da Igreja e incentivar novas lideranças são algumas das soluções apontadas.

O individualismo, isolamento, distâncias, falta de escuta e de acolhida também são características encontradas. O desafio é criar espaços onde leigos, jovens, mulheres e idosos possam ser ouvidos e, fortalecer a disposição para ouvir, principalmente as minorias. Fortalecer as pastorais sociais também é apontado como um caminho para a sinodalidade.

Estamos afetados pelo contexto de intolerância social e medo de se expor como cristãos e católicos, por conta disso a participação nos espaços organizados da sociedade é pequena. Já internamente algumas lideranças são apontadas como as que falam em nome de outros sem os ouvir. Passos a serem dados que podem melhorar estes comportamentos são o conhecimento em Doutrina Social da Igreja, integração das comunidades mais afastadas, descentralização de decisões e melhorar a participação nos veículos de comunicação.

As Celebrações são apontadas como momentos de força para caminhar. Porém, há necessidade de que sejam melhor preparadas, que seja oferecida mais formação litúrgica e bíblica. Falta de pessoas disponíveis e mais espaço para os leigos que perderam esse espaço com o crescente número de diáconos, também impactam nas descrições das comunidades. Os caminhos possíveis são a melhor preparação das liturgias, envolver catequizando e famílias na liturgia, investir em formações mais atrativas e reinventar as pastorais.

Comprometimento acontece, mas comprometimento permanente comunitário e missionário está sendo substituído por comodismo. Pontualmente em campanhas específicas há um envolvimento maior. Estimular a união entre as pastorais e aumentar visitas missionárias são apontadas como elementos do fortalecimento da responsabilidade na missão.

O diálogo é mais acentuado nos Conselhos e entre pastorais e Círculos Bíblicos, mas mesmo sendo espaços onde todos têm direito de falar, há insatisfação por nem todos serem ouvidos pela hierarquia. No diálogo com a sociedade uma frase resume os sentimentos: “Existe apenas convívio material e institucional”. A inclusão dos pobres e afastados das periferias sociais e geográficas, superar divisões de cunho pessoal, intelectual e político e fortalecimento espiritual é o caminho para melhorar o diálogo.

As iniciativas ecumênicas são tímidas e com as Igreja neopentecostais não existe iniciativas de aproximação de nenhuma das partes, pois prevalece a desconfiança. Em eventos (casamentos, formaturas e velórios) há convívio respeitoso, mas tímido. A promoção de diálogos contínuos, testemunho cristão, criar amizades, receber com carinho e promover a pastoral do ecumenismo, assim como conhecer bem a própria Igreja é um caminho sugerido.

Posturas clericais em crescimento são apontadas como entrave à participação dos leigos, mesmo que também seja dito que há um grupo de padres que são verdadeiros pastores. Superar a autorreferência de alguns padres e ministros ordenados, romper “panelinhas” nas estruturas das comunidades e mudar o perfil das lideranças que se sentem “donos da Igreja” é o caminho para maior participação de todos.

Quanto se trata de falar em decisões alguns dizem que são tomadas de maneira conjunto, mas muitos dizem que as decisões chegam prontas, os Conselhos estão esvaziados e mesmo assim apenas eles são ouvidos e o povo não. As comunidades também se sentem à margem das decisões arquidiocesanas. Há tendência à centralização nas mãos do padre e coordenador e também à clericalização do leigo.  Para melhorar a caminhada e as decisões se tornarem mais participativas é necessário que a compreensão de sinodalidade pelos ministros ordenados entre na formação de presbíteros desde a Filosofia e Teologia. Também é preciso avaliar o que é melhor para a comunidade e não deixar prevalecer convicções pessoais ou da hierarquia. Saber administrar grupos e pessoas e não apenas finanças e administrativo, assim como maior união entre bispos, padres e diáconos com o Papa, são parte das sugestões.

Sinodalidade ou caminhar juntos foi considerado tema já incluso na prática pastoral pela estrutura arquidiocesana organizada em Conselhos e também por ter sido tema do Sínodo Arquidiocesano, porém a desmotivação tem crescido e apresenta-se como um novo desafio. Há diferentes perfis pastorais pela existência de grupos que se fecham às propostas do Papa Francisco e buscam ritos e documentos antigos reagindo à novidade do Concílio Vaticano II. Existe também dificuldade para incluir novas lideranças, principalmente jovens por resistência dos mais antigos. Como processo para retomar a caminhada quatro palavras foram explicitadas: Organização – Reconciliação – Revitalização – Formação.

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