Solenidade da natividade de Nossa Senhora e de Nossa Senhora da Vitória

8 setembro, 2022

Juliano Machado| Exulto de alegria no Senhor. (Is 61,10)

Hoje a Igreja celebra a Solenidade da Natividade de Nossa Senhora, a Mãe de Jesus Cristo. Esta Solenidade, dedicada a Mãe de Deus e nossa, é celebrada na Igreja desde os primeiros séculos[1]. Já em nossa Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, neste dia festivo e solene, celebramos a nossa padroeira arquidiocesana com o título de Nossa Senhora da Vitória.

No Novo Testamento, não encontramos nenhum relato a respeito do nascimento da Virgem Santíssima, pois os evangelhos possuem um único objetivo: apresentar aos homens a imagem de Jesus Cristo[2]. Mas, esta solenidade da Natividade de Nossa Senhora tem seu embasamento nos chamados “Evangelhos Apócrifos”. Estes textos apócrifos são escritos extra bíblicos e foram transcritos de acordo com a tradição oral do povo primitivo, porém, ao contrário dos livros contidos na Bíblia, as narrativas trazidas nestes textos não são de inspiração divina, mas são segundo a Tradição da Igreja transmitidas e difundidas nas primeiras comunidades[3].

Pouquíssimos textos bíblicos falam sobre a Virgem Maria, as narrações citando a Mãe de Deus são todas relacionadas diretamente com a origem, o nascimento ou a missão de Jesus, como: a Anunciação (Lc 1,26-38), visita de Maria a Isabel (Lc 1,39-56), o nascimento de Jesus (Lc 2,4-8.16-20), apresentação do Menino Jesus no Templo (Lc 2,21-35), Jesus no Templo (Lc 2,46-52), a origem de Jesus (Mt 1,18-25), os irmãos de Jesus (Mt 13,53-58), visita dos Reis Magos (Mt 2,9-12), as bodas de Caná (Jo 2,1-11), a mãe de Jesus e o seu discípulo amado (Jo 19,25-27).

Assim, tudo que é relacionado a Nossa Senhora na Bíblia, tem como principal intenção apresentar e indicar a pessoa de Cristo ao mundo. Maria nunca quis ser o centro da fé humana, mas conduzir a humanidade ao seu Filho Jesus Cristo. Isso aconteceu na visita dos Reis Magos após o nascimento do Menino Jesus (cf. Mt 2,9-12), a visita que ela fez a sua prima Isabel (cf. Lc 1,39-56) e nas bodas de Caná quando percebeu a necessidade dos noivos (cf. Jo 2,1-11). Ela é aquela que intercede junto ao Seu Filho para os mais necessitados da presença do Cristo Salvador.

Maria é um exemplo para todos nós de como devemos proceder na vida terrena. Assim como ela, somos todos convidados a sermos de Deus, a amá-lo inteiramente e agir conforme a sua palavra. Neste sentido, a segunda leitura da liturgia de hoje, tirada da carta de São Paulo aos Romanos (8,28-30), mostra que o amor a Deus deve estar acima de todas as coisas. Maria fez isso. Amou a Deus com todas as suas forças e capacidades. Deixou realizar em si o projeto do Pai e a manifestação de sua graça (cf. Lc 1,34-38). Ela é aquela lembrada por todas as gerações, é a Bem-aventurada (cf. Lc 1,48).

Fazer a vontade de Deus deve ser o projeto de todo homem e mulher. Nascemos para sermos filhos e filhas do Altíssimo por meio do batismo (cf. Mt 28,18-20). Diante disso, Deus nos chama a sermos justos conforme o seu amado Primogênito (Rm 8,29b-30). São os justos os herdeiros da vida eterna, do Reino dos Céus (Rm 8,30). Ser justo é almejar a salvação, mas agindo de acordo com os desígnios de Deus.

Um exemplo de homem justo é São José, homem citado no evangelho desta solenidade. São José era justo porque buscou configurar sua vida ao projeto do Pai. Ele acolheu Maria depois de saber de sua gravidez por meio da ação do Espírito Santo (cf. Mt 1,19-21). A princípio pensou em desistir de seu casamento com a menina de Nazaré, mas depois da revelação do anjo resolveu seguir e realizar a vontade de Deus para a salvação dos homens.

Diante do exemplo de São José e de Nossa Senhora, busquemos ser homens e mulheres que agem de acordo com o querer benevolente de Deus. Não pensemos que essa realidade está distante de nós, pois há muitos santos e santas dos nossos tempos que, assim como a Sagrada Família, realizaram em suas vidas o amor de Deus em favor dos mais necessitados. Foi assim com Santa Teresa de Calcutá, São Paulo VI, Santa Dulce dos Pobres, Santo Oscar Romero e muitos outros santos e santas de Deus, que doaram suas vidas em prol do amor de Deus aos homens.

Portanto, o Senhor já nos escolheu para fazemos parte de sua herança, do seu povo eleito, como cantamos no Salmo da liturgia desta solenidade: Sois meu apoio desde antes que eu nascesse/ desde o seio maternal, o meu amparo (Sl 70,6). Assim, façamos exatamente como o salmista, exultemos de alegria no Senhor e jubilemos no Deus da paz e do amor, pois Ele será a nossa paz (cf. Mq 5,3b-4a). Que a Senhora da Vitória interceda pelo povo capixaba e lhe dê esperança no coração para um dia morar na glória eterna. Assim seja, Amém!

[1] Cf. VaticanNews: A Natividade de Maria – 08 de Setembro de 2020.

[2] Cf. VaticanNews: A Natividade de Maria – 08 de Setembro de 2020.

[3] Cf. VaticanNews: A Natividade de Maria – 08 de Setembro de 2020.

 

Juliano do Nascimento Machado

Seminarista do 3º ano de teologia

Paróquia de origem: São José, São José, Guarapari – ES

Paróquia de pastoral: Sagrada Família, Jardim Camburi, Vitória – ES.

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