Solenidade da Natividade de São João Batista

23 junho, 2022

Daniel Demuner| ´´De fato, a mão do Senhor estava com ele.“ (Lc 1, 66)

Seis meses antes da solenidade do natal do Senhor, celebra-se em toda a Igreja o Precursor, aquele que anuncia a vinda do salvador, que batiza o criador do batismo: São João Batista. O único santo, com exceção da Virgem Maria e de Nosso Senhor Jesus Cristo, que são celebrados tanto o nascimento como a morte. Com efeito, João foi um homem agraciado por Deus desde o seu ventre: ao receber Isabel a saudação de Maria, João Batista pula de alegria no seu ventre. O menino nasce com os olhos voltados a Cristo, assim como nos diz a primeira leitura de hoje: “o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome”. Também o salmista canta algo semelhante: “eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes”.

Podemos nos perguntar frente a tão abundante graça: por quais razões Cristo desejaria santificar tão cedo um homem? Precisaria o próprio salvador da humanidade de alguém para ajudá-lo? É evidente que Deus não depende de ninguém para realizar sua obra. Não obstante, ele deseja servir-se dos homens para trazer a salvação. Ora, após ver Isabel, que era tida como estéril, conceber um filho na velhice, não seria mais simples crer na concepção virginal de Maria? Analogamente, após ver o batismo de conversão pregado por João, não seria mais fácil crer no reino dos céus que Jesus anunciou? Em palavras mais claras, Deus prepara os seus filhos para receber a Verdade; ele usa de meios humanos para exprimir as verdades divinas. Assim também foi com João Batista.

Eis, portanto, a missão do Batista: anunciar o salvador. João é “voz que clama no deserto”, mas esta voz só anuncia uma única palavra: o Cristo, Verbo Eterno de Deus que se encarnou no seio da Virgem Maria. Aqui manifesta-se outra riqueza da vida do precursor: mesmo sendo homem agraciado desde o ventre materno e confiado a uma importante missão, João soube desaparecer na hora devida. Ora, a missão do arauto é apontar o que é anunciado e, em seguida, desaparecer a fim de que transpareça a mensagem anunciada. Quanto mais João é agraciado, mais ele se faz humilde diante do Salvador. Esta é a verdadeira força que é anunciada no Evangelho de hoje: “o menino crescia e se fortalecia em espírito”, ou seja, cada vez se tornava mais humilde para agradar mais ainda o Senhor.

Nós também temos a missão de testemunhar a Cristo onde quer que estejamos, e para isso, são necessárias duas coisas: a graça, que nos cumula dos bens eternos; aliada à humildade, que nos permite transparecer a Verdade em nossas vidas. Sejamos nós também humildes como o Batista. Cumpramos com amor e diligência os trabalhos que nos são propostos; sirvamos com generosidade e saibamos desaparecer quando Cristo tomar a frente. Assim, seremos também razão de alegria e de esperança aos que caminham conosco.

Viva João Batista!

 

Daniel Tonini Demuner                                                                                                                                                Seminarista do 2º ano de filosofia

Paróquia de origem: Nossa Senhora de Guadalupe, Praia de Itaparica, Vila Velha – ES;

Paróquia de pastoral: Santuário Bom Pastor, Campo Grande, Cariacica – ES.

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