Terça-feira da 13ª Semana do Tempo Comum – Ano ímpar

29 junho, 2021

Senhor, em Tua clemência, liberta-nos da cultura da morte. Protege-nos contra os atrativos de um mundo de falsidades e de pecado que nos rodeia e nos tenta seduzir. Leva-nos, ó Deus de Bondade, para o lugar da Verdade e da Vida, onde reina o amor. Amém

Terça-feira da 13ª Semana do Tempo Comum – Ano ímpar

Gn 21,5.8-20

Sl 25 (26)

Mt 8,28-34

Homilia originalmente preparada para as Irmãs Missionárias da Caridade

Na Primeira Leitura, lemos o relato da destruição de Sodoma e Gomorra. Vamos meditar brevemente sobre alguns detalhes dessa narração.

Qual foi a causa da destruição das cidades? O pecado. Segundo a Palavra de Deus, o pecado dessas cidades agravara-se demais (cf. Gn 18,20). Isso fez com que chegasse aos Céus um “clamor”. Os antigos católicos, com base na Bíblia, falavam da existência de quatro pecados que “clamam” aos Céus: assassinato voluntário; pecado sensual contra a natureza; oprimir os pobres e as viúvas; negar o salário aos que trabalham. Tradicionalmente, diz-se que em Sodoma e Gomorra abundava o pecado do segundo tipo. Não por acaso, na linguagem jurídica, o termo “sodomia” tornou-se sinônimo de relação homossexual.

De fato, quando Ló recebeu em sua casa a visita de dois anjos do Senhor em forma humana, vários homens foram até lá para assediá-los. De acordo com Gn 19,4 eram homens de todas as idades, desde jovens até idosos. Porém, recentemente, um estudo da Pontifícia Comissão Bíblica (2019) ofereceu uma explicação um pouco diferente do pecado dos habitantes de Sodoma. Segundo essa nova visão, o grande pecado da população de Sodoma era maltratar os estrangeiros. Não importa tanto que este maltrato tenha sido de cunho erótico. O mais determinante é que tenha havido intimidação, falta de acolhida, submissão. Exatamente assim se explica o contraste entre a conduta de Ló e a conduta dos demais: no meio de um povo hostil e malvado, o justo Ló abre as suas portas para praticar uma obra de misericórdia corporal de grande relevância: oferece pousada aos forasteiros. Não por acaso, Deus resolve salvá-lo da destruição, juntamente com sua família.

O Salmo 25 bem poderia ter sido entoado por Ló: “Não junteis a minha alma à dos malvados, nem minha vida à dos homens sanguinários; eles têm as suas mãos cheias de crime”.

Chama também atenção a popularidade do pecado. Apenas uma família tinha abertura de coração para amar o próximo como convém. Uma população inteira estava fechada; uma sociedade inteira degenerada; um povo inteiro moralmente degradado. É o que alguns teólogos chamam de pecado social, ou seja, um pecado cometido de maneira tão universal que se torna cultural, geral, estrutural. Em nossos dias, não vemos algo de semelhante? Dia após dia, vão-se perdendo os valores cristãos e os princípios inegociáveis. Uma outra cultura vai ganhando forma. Uma cultura carregada de sentimentalismo, mas carente de verdadeiro amor. Uma cultura que São João Paulo II rotulou com o dramático título de cultura da morte. Não é fácil escapar de tal tendência: tudo em nosso redor tenta nos convencer.

Os anjos do Senhor, porém, não cessam de nos visitar. E como a Ló, também a nós dirigem essas palavras: “trata de salvar a tua vida. Não olhes para trás, nem te detenhas em parte alguma desta região”. Ó! Senhor, como é grande a Tua Misericórdia! Fizeste para nós uma rota de fuga e envias todos os dias mensageiros para nos advertir, pessoas que nos tomam pelas mãos para nos conduzir (cf. Gn 19,16).

Triste é o caso da mulher de Ló. Começou bem, dando as costas para a maldade, a mentira e o engano e correndo para o abrigo fornecido por Deus. Mas aquela pobre mulher, cheia de curiosidade vã, talvez com apego àquela cidade e ao mal que ali grassava, olhou para trás. Como consequência, tornou-se estátua de sal. Curiosamente, Sodoma e Gomorra estavam localizadas nas proximidades do Mar Morto: um mar que, de tão salgado, não permite a vida.

Senhor, em Tua clemência, liberta-nos da cultura da morte. Protege-nos contra os atrativos de um mundo de falsidades e de pecado que nos rodeia e nos tenta seduzir. Leva-nos, ó Deus de Bondade, para o lugar da Verdade e da Vida, onde reina o amor. Amém.

Pe. Ricardo Petroni Smiderle Passamani

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