Terça-feira da 15ª Semana do Tempo Comum, ano ímpar.

13 julho, 2021

Terça-feira da 15ª Semana do Tempo Comum, ano ímpar.

 

Homilia preparada para as irmãs Missionárias da Caridade.

Como Moisés, fujamos também nós desses embates. Foi quando Moisés fugiu para longe das intrigas que ele encontrou a sua paz, descobrindo o valor da solidão, do silêncio; ele descobriu Deus, os mistérios divinos, a força do Amor, a grandeza da vida interior e da oração

A Primeira Leitura narra o nascimento e as primeiras etapas da vida de Moisés, o grande profeta do Antigo Testamento. Moisés foi considerado durante vários anos como o autor dos primeiros Cinco Livros da Bíblia (Pentateuco), o qual contém a Lei de Deus. Por essa razão, esses livros são também chamados “Livros de Moisés” ou, simplesmente, “Moisés”, numa metonímia. Na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro (Lc 16,19-31), o homem condenado pede a Abraão que envie Lázaro à sua família para prevenir os seus irmãos quanto aos castigos eternos. Abraão, em sua resposta, diz: “Eles têm Moisés e os Profetas, que os ouçam”. Eles têm Moisés, isto é, o Pentateuco, a Lei, os Cinco Livros de Moisés.

No tempo da Patrística (primeiros séculos da era cristã), São Gregório de Nissa meditava sobre a vida de Moisés, a quem dedicou um Tratado belíssimo. Após enumerar os fatos da vida de Moisés, São Gregório apresentou uma interpretação espiritual totalmente nova para eles. Encontrava em cada fato uma imagem da vida interior, do processo de santificação da alma cristã. A “Vida de Moisés” tornou-se assim uma inspiração para o Cristianismo.

Por exemplo, os fatos da Primeira Leitura são: Moisés foi criado pela filha do Faraó, a qual o resgatara nas águas do rio Nilo, quando ele flutuava numa cesta. Evidentemente, Moisés recebeu uma educação pagã, própria dos nobres egípcios. Contudo, o leite que o nutriu foi o de sua mãe biológica, feito conseguido por sua irmã, através de uma grande articulação.

Alegoricamente, conforme a interpretação de São Gregório, a cesta que salvou a criança representa os esforços de disciplina. Esses esforços nos protegem; criam ao redor de nós uma carapaça que nos previne contra o naufrágio. É necessário proteger-se contra as águas do rio, as quais, por sua vez, simbolizam os encantos do mundo, as seduções do mal, a instabilidade da coisas temporais, os perigos do caminho.

A educação recebida em ambiente pagão representa a situação daqueles que são forçados a isso, sem ter chance de escolher. É a situação de tantas de nossas crianças – hoje, mais que no tempo de São Gregório de Nissa – submetidas a um bombardeio ideológico desde a meninice. Elas crescem ouvindo falácias sobre a História da Igreja, mentiras a respeitos dos costumes tradicionais, distorções da moral católica. Elas crescem numa atmosfera secularizada e até anticristã, que só vai se tornando mais insalubre.

E então? O que fazer? Ah! As famílias precisam lutar, como a irmã de Moisés, através de todas as articulações possíveis, para garantir o leite materno para a criança. Nas palavras de São Gregório: “O leite são os preceitos e costumes da Igreja, com os quais a alma é nutrida e fortificada”. Certo, é impossível evadir-se por completo da influência do meio. Mas a doutrina cristã precisa ser assegurada e ensinada com a máxima clareza possível. Beber o leite da boa doutrina. É o mesmo conselho dado por São Pedro em sua Primeira Epístola: “Como crianças recém-nascidas, ferventemente desejai o leite espiritual que vos fará crescer para a salvação” (1Pd 2,2).

Depois, na luta entre o Egípcio e o Hebreu duas realidades podem ser notadas: a luta entre a doutrina pagã e a doutrina divina ou a luta entre os bons e maus desejos dentro de nós. E na conduta de Moisés – ele matou o Egípcio – está representada a necessidade de combater com energia as ameaças à nossa vida espiritual: as más doutrinas e os maus desejos.

E na luta entre dois compatriotas, por outro lado, se pode ver a divisão entre os cristãos por causa das heresias ou, em nossos dias, as disputas internas nas comunidades e na Igreja como um todo. Como Moisés, fujamos também nós desses embates. Foi quando Moisés fugiu para longe das intrigas que ele encontrou a sua paz, descobrindo o valor da solidão, do silêncio; ele descobriu Deus, os mistérios divinos, a força do Amor, a grandeza da vida interior e da oração.

Sigamos, pois, o conselho do salmista: “Humildes, procurai o Senhor Deus, e o vosso coração reviverá”.

Pe. Ricardo Petroni Smiderle Passamani.

 

 

 

 

 

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