Terça-feira da 16ª Semana do Tempo Comum, ano ímpar.

20 julho, 2021

Terça-feira da 16ª Semana do Tempo Comum, ano ímpar.

*Homilia preparada para as Irmãs Missionárias da Caridade

A palavra irmão é muitas vezes empregada com um sentido mais amplo na Bíblia, podendo significar primos, tios e outros parentes. No Novo Testamento, o termo irmãos pode significar também relações de fé na grande família espiritual dos cristãos.

Ao invés de uma reflexão, hoje quero fazer uma pequena catequese. O Evangelho que lemos (Mt 12,46-50) menciona a família de Jesus, nomeadamente Sua mãe e Seus irmãos. E aqui, surge uma questão bastante conhecida e fonte de frequentes polêmicas: Jesus tinha irmãos? Se tinha, como podemos falar da Virgindade Perpétua de Nossa Senhora? Maria teve outros filhos?

Num primeiro momento, a resposta parece irrelevante. A mentalidade dominante, hoje, coloca essa questão em segundo plano. É comum ouvir dizer de católicos mesmo: “se Maria teve outros filhos, isso em nada prejudica a História Sagrada; no fim das contas, não faz diferença”. Mas será mesmo assim tão pouco importante?

Parece que não. Pois a Virgindade Perpétua de Maria é um dogma de fé. O Catecismo da Igreja Católica dedica três Parágrafos a este tema. No Parágrafo 499, assim está escrito: “O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe.  A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem»”. E não é assim que rezamos na oração da Salve Rainha: “… ó doce sempre Virgem Maria”?

Há muitas coisas envolvidas nesta discussão. Primeiro, se um dos dogmas fosse falso, por que acreditaríamos nos outros? Se um ponto fixo da doutrina for relativizado, então todos os demais são postos em xeque também. É uma consequência lógica.

Segundo, um católico nunca estuda a Bíblia como um livro solitário. Nós a interpretamos como Palavra viva. Uma Palavra que se esclarece dentro da Igreja, que é seu lugar existencial. A fé transmitida pelos Apóstolos, também oralmente (2Ts 2,15), foi desenvolvida através dos séculos e mantida em sua integridade pelos sucessores dos Apóstolos. É a chamada Sagrada Tradição.  O Concílio Vaticano II ensina que a “Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja” (Dei Verbum, n. 10). Está aí uma diferença importantíssima entre a fé católica e a fé protestante.

Terceiro, mesmo a leitura bíblica isolada, fora da Tradição e esquecendo toda a doutrina da fé, não sugere que Maria tenha tido outros filhos. Segundo o conhecido biblista Scott Hahn, há quatro pontos que sustentam a afirmação da Igreja:

1 – A Bíblia se refere a Maria diretamente como mãe de Jesus em três momentos (Jo 2,1; 19,25; At 1,14). Em nenhum lugar, o texto fala de outros filhos de Maria.

2 – Dois dos nomes mencionados na Bíblia entre os irmãos de Jesus (Tiago e José) são na verdade, filhos de outra Maria (Mt 27,56; Mc 15,40)). Em Mt 28,1, a Bíblia fala de uma mulher com o termo: “a outra Maria”.

3 – Jesus confiou sua mãe a São João Evangelista no alto da cruz: “Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19,26). Se ela tivesse outros filhos, isso não faria muito sentido.

4 – A palavra irmão é muitas vezes empregada com um sentido mais amplo na Bíblia, podendo significar primos, tios e outros parentes. No Novo Testamento, o termo irmãos pode significar também relações de fé na grande família espiritual dos cristãos.

Haveria ainda outros motivos. O grande São Jerônimo, já em seu tempo, teve que rebater as afirmações falaciosas de um certo Helvídio. Sem dúvida, o modo como ele escreve pode ser um pouco forte para a sensibilidade moderna. Mas, ainda assim, a extensa argumentação presente no seu “Tratado da Virgindade Perpétua de Maria” é um tesouro da literatura católica. Ali se defende, por exemplo, o fato de que São José jamais manteve contato íntimo com Nossa Senhora.

O que se poderia discutir é se São José, no momento em que se casou com Nossa Senhora, já teria outros filhos. Assim, estaria composta a família adotiva de Jesus. Porém, esta afirmação não tem bases bíblicas fortes. Mas Orígenes (século III) e Epifânio (século IV-V), sustentavam a tese de que São José era, sim, viúvo e idoso ao conhecer Maria. Por este motivo, na maior parte das gravuras e imagens católicas, até hoje, São José é representado como um senhor de idade.

Que a Sempre Virgem Maria nos proteja e interceda em nosso favor para que andemos na luz da verdade.

 

*Pe. Ricardo Petroni Smiderle Passamani

 

 

 

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