“Trabalho da Igreja é cuidar da humanidade”

24 março, 2022

Um assunto muito importante e atual para todos – que foi tratado pelo programa Papa Cabeça da Rádio América ontem – é a situação de guerra que o mundo vive atualmente. Nesta sexta-feira (25) o Papa Francisco muito preocupado pelos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia, que já dura quase um mês, propôs para todos os católicos e pessoas de outras religiões do mundo inteiro um ato solene de consagração da humanidade, particularmente desses dois países, ao Imaculado Coração de Maria. Segundo o entrevistado, Dom Luiz Fernando Lisboa, Arcebispo-Bispo de Cachoeiro de Itapemirim, o pontífice como um grande embaixador da Paz “pensou nesta forma de estarmos unidos, em comunhão, pedindo a mesma coisa a Deus, para que cessem as armas e para que reconstruamos a paz entre esses dois países”.

Dom Luiz destacou que assim como alguns outros Papas no passado já agiram e foram mediadores em vários conflitos entre países, foram pessoas que tentaram buscar o diálogo entre povos, entre autoridades, justamente para impedir a guerra “Papa Francisco já se ofereceu para intermediar, já ligou para o presidente da Ucrânia e certamente ele tem tentado ligar para o presidente Putin. Paralelo a isso ele enviou dois cardeais para as fronteiras onde estão saindo os refugiados para eles estarem mais próximos do povo que está sofrendo.  O Papa Paulo VI disse uma frase muito forte que é esta: ‘a Igreja é perita em humanidade’. Então o papel do Papa como aquele irmão mais velho, como aquele que conduz a Igreja é muito importante”.

E porque essa preocupação com a Rússia neste momento? Na entrevista Dom Luiz explica que há muitas outras guerras que estão acontecendo no mundo e detalha que o Iêmen, por exemplo, já tem uma guerra que dura 11 anos e já são mais de 230 mil mortos e cerca de 2 milhões e 300 mil crianças em desnutrição aguda; a Etiópia vive uma guerra e são mais de 9 milhões de etíopes que precisam de ajuda humanitária; o Afeganistão; o Iraque; o Sudão do Sul; Mianmar que tem uma guerra recente; Cabo Delgado, em Moçambique, onde ele trabalhou e viveu até um ano atrás tem uma guerra que já matou milhares de pessoas e tem quase um milhão de deslocados, pessoas que tiveram que abandonar suas aldeias e suas cidades para defender suas próprias vidas.

“Então o Papa está preocupado com todas as guerras e eu sou testemunha disso, pois estava naquela diocese em Moçambique e o Papa falou várias vezes e rezou a partir do Vaticano pedindo a paz em Moçambique, telefonou para mim enquanto eu estava como bispo, mandou uma ajuda humanitária e nós conseguimos construir 2 hospitais para deslocados de guerra. Também no fim do ano retrasado me chamou ao Vaticano para conversarmos a respeito da guerra. Então ele acompanha os vários conflitos no mundo inteiro e nesse momento essa preocupação com a Rússia é porque essa guerra tem contornos muito especiais, pois está envolvida a OTAN, que é um tratado de cerca de 30 países, está envolvido os EUA que são potências bélicas e se não houver entendimento, se a diplomacia não funcionar como está pedindo o Papa e outros líderes mundiais, nós podemos desencadear uma 3ª guerra mundial e isso não pode acontecer”, relata Dom Luiz Fernando.

O Arcebispo-Bispo também conta sobre a sua experiência em regiões de conflitos e afirma que é muito forte: “ eu vivi cerca de 20 anos no norte de Moçambique, um país que já enfrentou duas guerras, a guerra contra os colonos portugueses e depois uma guerra civil e interna que durou 16 anos com mais de um milhão de mortos. E a Igreja foi muito importante neste momento para acordos de paz. Aliás, em Moçambique se conseguiu acordo de paz em 1992 por causa da atuação da Igreja, dos bispos locais, da Comunidade chamada Santo Egídio. Enfim a Igreja teve um papel fundamental para que a guerra cessasse e em outros lugares da África aconteceu a mesma coisa e aonde ainda existe guerra a Igreja está muito empenhada em cuidar das pessoas que são atingidas pela guerra”.

Ainda de acordo com Dom Luiz o primeiro trabalho da Igreja é cuidar da humanidade, pois ela é perita em humanidade e isto é cuidar dos refugiados: “O tempo todo enquanto eu estive em Moçambique, ultimamente está acontecendo essa guerra em Cabo Delgado que é o estado onde eu morava e a Diocese onde eu estava é Pemba, que abrange todo esse estado de Cabo Delgado, essa guerra como eu disse produziu mais de um milhão de deslocados e a Igreja está toda empenhada em atender esse povo, arranjar comida, arranjar barracas para que possam se cobrir e se defender da chuva, arrumar atendimento psicológico para as pessoas porque uma guerra traz consequências gravíssimas para as mulheres e crianças principalmente. Então a Igreja está muito empenhada em resgatar a humanidade das pessoas. Assim como na Ucrânia em que neste momento muitos religiosos, religiosas, bispos não saíram, não fugiram e estão lá para atender os atingidos pela guerra”.

Durante o bate papo com Rodrigo Moutinho, Dom Luiz também falou sobre o papel de cada cristão diante de situações de guerra que existem dentro da nossa sociedade. Ouça a entrevista completa e fique bem informado sobre o assunto!

Papo Cabeça – Dom Luiz Fernando Lisboa – Consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Maria – Parte 1

 

Papo Cabeça – Dom Luiz Fernando Lisboa – Consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Maria – Parte 2

 

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