Transferência de afetos

13 outubro, 2020

“Vem aqui com a mamãe”, “filho, olha para mim”, “passeando com o papai”, “cara feia pra tomar vacina”, “olha quem chegou… papai”. Ouvidas por qualquer pessoa, essas frases certamente seriam interpretadas como sendo um diálogo entre pais e filhos ou legendas para fotos de família. Mas não são! Cada vez mais, ouvimos expressões e manifestações de afeto na relação entre humanos e animais.

Pesquisa divulgada pelo IBGE confirma o que vemos nas ruas, praças e parques: 44,3% dos domicílios do país (cerca de 28,9 milhões de casas) possuem pelo menos um cachorro. São 52,2 milhões de cachorros, uma média de 1,8 cachorros por domicílio. No Brasil, existem mais cachorros de estimação do que crianças de até 14 anos.

Os animais de estimação ganharam tanto destaque na sociedade ao ponto de, pela primeira vez, o número de cães e gatos de estimação ser medido com esta metodologia.

O mercado em torno dos ‘novos filhos’ de quatro patas move, a cada ano, no Brasil cerca de 16 bilhões de reais. Em São Paulo, por exemplo, já há mais pet shops do que padarias.

Evidente que o carinho, zelo e respeito pelos animais é um comportamento digno da atitude cristã. O Catecismo da Igreja Católica diz “Deus confiou os animais à administração daquele que criou à sua imagem (…) Podem ser domesticados, para ajudar o homem em seus trabalhos e lazeres” (n. 2417). Mas ressalta no item seguinte que é “indigno gastar com eles o que deveria prioritariamente aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas”.

A psicóloga Luciene Lima faz coro ao pensamento cristão: “É claro que não devemos de maneira alguma maltratar animais, mas é importante reconhecer o humano como seu semelhante”, afirma.

Para o funcionário público federal, Revan Berger, dono da Lucky, uma Ilasa Apso de 12 anos, a relação é bem clara: “trato como animal. Todos os cuidados que ele precisa (…) só come ração e não dorme na cama”.

Um dos fatores que podem ajudar a entender este fenômeno é porque, na maioria dos países as mulheres vêm tendo menos filhos. Ao mesmo tempo, há o aumento da população idosa, cujos filhos já saíram de casa. Então sobra espaço, tempo e dinheiro para gastar com os animais.

“Acredito que essa relação estreita com os animais reflete a necessidade de suprir carências, de preencher vazios. A sociedade moderna faz-nos cada vez mais distantes e assim, encontrar um ser com o qual o eu não tenha que discutir ou discordar, um ser que vê em mim um objeto de importância é gratificante e consolador”, aponta a psicóloga.

Esta relação entre as pessoas e os animais de estimação é uma realidade e os dados estatísticos do IBGE provocam surpresa. O que devemos nos atentar é para a necessidade de que esta relação seja sadia, que a guarda dos animais seja responsável e que o afeto e a relação interpessoal não seja substituída.

Matéria de Gilliard Zuque e Vander Silva
Publicada na Revista Vitória / out. 2015

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