TRIBUTO A DOM GERALDO

10 setembro, 2024


Neste 26 de julho devotamos memória ao nosso já saudoso Dom Geraldo Lyrio Rocha que há um Ano partiu de nosso convívio, surpreendido e surpreendendo-nos com o seu adeus que a todos nós consternou. Em 23 de agosto próximo, rememoramos o nosso Dom Luiz Mancilha Vilela pelos dois Anos de seu falecimento, sem que esqueçamos de Dom Silvestre Luís Scandian há cinco Anos que nos deixou. Insignes prelados que fizeram contecer na Igreja de Vitória, cada qual com o seu olhar eclesial e apostólica ação-direcional a dinamizarem em pastoreio a Comunidade de Fé, Comunhão e Unidade nesta nossa Igreja-Povo do Senhor.

De nosso Dom Geraldo Lyrio Rocha é de sumo dever discorrer de sua especial e hierárquica personalidade a marcar êxito em missão episcopal em quatro Arqui/Dioceses em expressivo ardor e virtuoso vigor. Guardadas as proporções de sua hierática-litúrgica
expressão, nunca desabnegou de sua simplicidade e familiaridade para com todos em acolhida amiga e fraterna próprias de sua pessoal e íntegra atitude pastoral e eclesial, desde padre e por todo o tempo de bispo, em singeleza e sociabilidade.

Capixaba da cidade de Fundão, como padre deu vida à querida Arquidiocese como tantos outros padres de sua geração. Antes de ser alçado a Bispo Auxiliar de Vitória, foi Professor de Filosofia na Universidade Federal do Espírito Santo, Pároco em diferentes Paróquias de Vitória, Reitor do Seminário Arquidiocesano, para em tão pouco tempo tornar-se o Primeiro Bispo da Diocese de Colatina, Arcebispo de Vitória da Conquista na Bahia e Arcebispo de Mariana nas Minas Gerais. Como Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB,
Delegável no Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribe, também com atribuições à Dimensão Litúrgica desse Conselho para toda a América Latina, soube se alargar com sua estimável preparação formativa a integrar-se no seio da Igreja com profunda razão de ser, pois dizia e repetia sempre: “se eu posso servir, aceito”, o que assimilou de sua querida mãezinha, conforme afirmara múltiplas vezes.

O legado de Dom Geraldo Lyrio Rocha nas Igrejas Diocesanas pelas quais passou, deixou marcas indeléveis de seu lidar orgânico ímpar em toda a extensão de Igreja afora e entre nós. Após completar seus 75 de vida em 2017, e de se tornar Arcebispo Emérito de Mariana,
retornou à sua amada Igreja de Vitória, sempre em disponibilidade ao serviço pastoral, e sem deixar de percorrer o Brasil inteiro, dedicando-se a pregar Retiros para o Clero e Congregações Religiosas. Contava em sua agenda, somente de janeiro a dezembro de 2023, noventa retiros, preparando-se também para participar do Sínodo da Sinodalidade da Igreja em Roma, indicado que foi em
unanimidade por todos os Bispos do Brasil em Assembléia Geral com os demais representantes-integrantes da CNBB. Pelos seus préstimos e em pleno e rigoroso trabalho fez ainda a revisão das mil e cinquenta e quatro páginas da nova edição do Missal Romano em nossa
língua portuguesa. E exatamente dentre esses Retiros na longínqua Diocese de Xingu-Altamira, centro-norte do Estado do Pará, onde a irmã-morte o colheu em razão de uma fratura inesperada no fêmur a causar-lhe desconforto e certa complicação em busca de um melhor atendimento em região de menores recursos, e à espera de uma remoção para Vitória que não aconteceu em tempo. Fiel em plenitude até o fim, cumpriu seu lema de episcopado “OPUS FAC EVANGELISTAE” – Faz a Obra de um Evangelista – 2 Tim. 4,5 – e impregnado de sua missão, provou já na altura de seus 81 Anos de existência, para além de cargos e funções, como doar-se e entregar-se até mesmo nos recônditos lugares e postos onde está presente o povo que Deus, o Senhor, ama e esperançadamente liberta. Dom Geraldo, nessa sua viva
memória de já completo Ano de sua partida de entre nós, e que postamos com saudades, o nosso preito de justa, admirável e sempre feliz recordação.

Padre Roberto Camillato, FMI
Religioso Pavoniano

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