Para o responsável pela Igreja Lusitana, de Comunhão Anglicana, D. Jorge Pina Cabral que presidiu a esta celebração, com esta Semana de Oração, o Oitavário pela Unidade, os cristãos afirmam a sua opção pela paz.
“Nós ao celebrarmos a fé em Jesus Cristo, celebramos uma opção pela paz, pela reconciliação, pela compreensão e pelo diálogo que nós percebemos hoje, mais do que nunca, que são modos de estar, vivências e valores que são cada vez mais necessários no nosso mundo”, afirmou.

Cristãos unidos na promoção da paz
Em declarações aos jornalistas, D. Jorge Pina Cabral afirmou a importância da união entre as religiões para o diálogo e a cooperação. “As religiões hoje estão unidas na promoção da paz”, disse o bispo anglicano sublinhando que é a “sede de poder” que faz a guerra.
“É muito importante hoje as religiões estarem unidas, é muito importante o diálogo, é muito importante a cooperação, precisamente, para dizer que as guerras que são feitas em nome das religiões não são verdadeiras. Não é a religião ou as incompatibilidades entre religiosos que provocam as guerras, mas uma sede de poder, de política, de autoridade. E por isso, as religiões hoje estão unidas na promoção da paz”, sublinhou.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, está a decorrer de 18 a 25 de janeiro centrada neste ano no tema “Crês nisso?”, inspirado no diálogo entre Jesus e Marta, quando Jesus visitou a casa de Marta e Maria em Betânia, após a morte de seu irmão Lázaro, conforme narra o evangelista João.
A celebração ecuménica nacional, presidida por D. Jorge Pina Cabral, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e de representantes das várias igrejas cristãs.
Passos concretos rumo à unidade
Aos jornalistas presentes na celebração falou também D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto, que situou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos num “patamar de esperança”. “Passos claros, concretos” rumo à unidade, na pluralidade da “vivência cristã” e na “mesma fé em Jesus e no mesmo Evangelho”, assinalou.
“Assim nos possamos apresentar no mundo: naquilo que é a nossa pluralidade, numa verdadeira unidade, a partir do Espírito. E nessa verdadeira unidade, possamos ser um sinal profético num mundo tão dilacerado por divisões, guerras e conflitos”, disse o bispo auxiliar do Porto.
D. Roberto Mariz referiu que o encontro entre religiões cristãs desafia a sociedade à “unidade, na tolerância das suas diferenças” e valorizou o diálogo ecuménico como oportunidade de “fazer pontes”.
“O diálogo ecuménico tem uma importância essencial: permite sentarmo-nos à mesma mesa, olharmo-nos no rosto, sentirmos as palavras que ecoam no nosso coração, os pensamentos que cruzamos em torno do nosso credo, da nossa crença e das vivências da fé, no concreto de cada religião. E onde possamos, nesse diálogo, fazer pontes no respeito de uns pelos outros e sermos capazes de caminhar irmãmente”, declarou D. Roberto Mariz.
Em 2025 assinalam-se 1700 anos do Concílio de Niceia
O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo, recorda-nos a Agência Ecclesia.
As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).
Para este ano de 2025, as orações e reflexões para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foram preparadas pelos irmãos e irmãs da comunidade monástica de Bose, no Norte da Itália.
Em 2025 assinalam-se os 1700 anos do primeiro Concílio Ecuménico, realizado em Niceia, perto de Constantinopla, em 325 d.C. Essa comemoração oferece uma oportunidade única para refletir e celebrar a fé comum dos cristãos, conforme é expressa no Credo formulado nesse Concílio; uma fé que permanece viva e fecunda nos nossos dias.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2025 oferece uma ótima oportunidade para nos valermos dessa herança partilhada e aprofundarmos a fé que une todos os cristãos.
Laudetur Iesus Christus

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