Unidade dos cristãos

18 janeiro, 2022

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que este ano se realiza de 18 a 25 de janeiro, é uma oportunidade extraordinária para centralizar novamente a vontade de Jesus expressa no Evangelho: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles também sejam um em nós”. No centro das reflexões está o versículo: “Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem“. As palavras, citadas pelo evangelista Mateus, se referem aos magos ou sábios que, de suas terras distantes, partiram e, seguindo a estrela, encontraram o Menino em Belém. Melchior, Baltazar e Gaspar – nomes com os quais aparecem nos Evangelhos apócrifos – além de suas humildes aparências, reconhecem naquela criança recém-nascida um Rei e, prostrando-se diante dele, o adoram.

Cristãos de diferentes tradições do Oriente Médio propuseram as palavras dos Reis Magos para a celebração da Semana de Oração. De fato, o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos havia confiado ao Conselho das Igrejas Orientais a tarefa de escolher o tema para 2022. Entrevistamos o bispo irlandês Dom Brian Farrell, secretário do dicastério, que explica porque esta decisão foi tomada e que mensagem as Igrejas daquela região querem dirigir às comunidades do mundo inteiro:

Dom Farrell, por que o Conselho das Igrejas Orientais foi solicitado a escolher o tema para a Semana da Unidade dos Cristãos deste ano?

Sabe-se que a Semana de Oração pela Unidade existe, de uma forma ou de outra, há mais de 100 anos, e há 50 anos existe uma colaboração entre o Pontifício Conselho pela Unidade e o Conselho Ecumênico de Igrejas, onde a cada ano, alternadamente, nós ou eles escolhemos um grupo ecumênico ou um grupo de cristãos em um país ou região para preparar o material. Em 2020, o Conselho de Igrejas do Oriente Médio pareceu uma escolha muito boa porque nessas regiões há tanto sofrimento humano, guerras, pobreza, falta de direitos e, ao mesmo tempo, tantas Igrejas de diferentes tradições que sempre viveram juntas. Assim, nesses lugares existe um ecumenismo vivido naturalmente, no cotidiano, na sociedade e muitas vezes também nas famílias.

“Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem” é um tema que, à primeira vista, parece ter pouco a ver com a unidade dos cristãos. Qual é a conexão que o senhor vê, em vez disso, entre este episódio dos Reis Magos e a busca da unidade?

Eu diria que, antes de tudo, o episódio dos Reis Magos nos lembra que esta é a região onde Cristo nasceu, e a busca da unidade dos cristãos só dá frutos se Cristo for o centro, o critério, a fonte de nossos esforços. Trata-se de recompor a comunhão entre os seguidores de Jesus pela qual ele rezou na noite anterior à sua paixão. O ecumenismo é a obediência à vontade de Cristo, e recordo o que o Papa Francisco disse recentemente: a viagem dos Magos em direção a Belém, a sua peregrinação fala também a nós que somos chamados a caminhar na direção de Jesus porque ele é a Estrela Polar que ilumina os céus da vida e direciona nossos passos em direção à verdadeira alegria. Em outras palavras, o ecumenismo, a busca da unidade cristã, só avança na medida em que todos somos fiéis ao Senhor, e este é o ponto fundamental, em minha opinião.

Qual é a mensagem principal ou o apelo mais forte que os cristãos do Oriente dirigem a todas as comunidades do mundo através do tema que escolheram para esta Semana de Oração pela Unidade?

Creio que o principal convite que os textos da Semana nos apresentam é para voltarmos às origens, ou seja, a Cristo. Não para reduzir a Igreja a mais uma organização humana, a uma força política ou cultural, mas para fazer o encontro com o mistério revelado no berço de Belém, a história dos Reis Magos, o centro de toda a vida e dos esforços das Igrejas. Oramos pela unidade dos cristãos, mas não se trata de uma unidade de interesses ou de estratégias ou de políticas, mas uma unidade na qual o Evangelho se torna a regra de nossas vidas e o compromisso de fazer do ensinamento de Jesus, sobretudo do amor de Deus e do próximo, o verdadeiro caminho de nossas vidas. Na minha opinião, este é o principal convite que os textos deste ano nos apresentam.

Na sua opinião, qual é a relação entre a unidade entre as Igrejas cristãs e a fraternidade universal e a paz no mundo, tão solicitada pelo Papa Francisco e tão necessária hoje?

Obrigado por esta pergunta, pois a considero muito apropriada. Recordamos que na encíclica Fratelli tutti, diante de um mundo confuso e dividido, um mundo em que há ainda tanto descarte de seres humanos, o Papa Francisco nos pede para sonhar e trabalhar pelo renascimento de um sentimento de fraternidade universal que seja a consequência de um coração aberto a todos. Este, em minha opinião, é o contexto certo para entender o ecumenismo e para compreender as relações ecumênicas: é uma questão entre cristãos de passar da rejeição mútua, da divisão e do conflito à compreensão mútua, ao respeito, à solidariedade e à cooperação. Quanto mais cristãos das diferentes Igrejas se reconciliarem, mais eles serão um sinal e um instrumento da unidade da família humana, da fraternidade universal. Esta é, de acordo com o que o Papa nos ensina, a única maneira para que haja paz e justiça, para que haja um futuro melhor para as próximas gerações. A unidade cristã, portanto, é um fator indispensável na construção desse mundo futuro.

Fonte; Vatican News

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