VAMOS REZAR PELOS SACERDOTES?

6 abril, 2026

Desde o Concílio Vaticano II, fala-se de uma “Igreja toda ministerial” em decorrência do sacramento do Batismo. Penso que, muitas vezes, até banalizamos o uso do termo ministério deixando de reconhecer a diversidade que a Igreja institui e instituiu ao longo da história. Alguns são ministérios “reconhecidos” ligados a um serviço para a comunidade e podem desaparecer. Outros são ministérios confiados que são conferidos por algum gesto litúrgico, simples ou com forma canônica. Temos também os ministérios instituídos que se referem a leitores e acólitos, conferidos pela Igreja através de um rito litúrgico (instituição).

Por fim, os ministérios ordenados que também são chamados de apostólicos ou pastorais, conferidos através de um sacramento específico, o Sacramento da Ordem. Aqui nos referimos aos diáconos transitórios e permanentes, aos presbíteros ou padres e aos bispos. Estes constituem os ministérios da unidade da Igreja na fé e na caridade, de modo a garantir a manutenção da Igreja na tradição dos Apóstolos sendo fieis a Jesus, ao seu Evangelho e à sua missão. O Documento 62 da CNBB esclarece que o ministério ordenado não é a “síntese dos ministérios”, mas “o ministério da síntese”.

Um gesto que marcou as cerimônias da Semana Santa no Vaticano foi a do Lava-Pés, quando o Papa Leão XIV escolheu doze padres, sendo onze deles ordenados no ano passado pelo próprio Pontífice e o diretor espiritual do Pontifício Seminário Romano Maior. Escolheu aqueles a quem pediu obediência no rito de ordenação presbiteral. Qual o sentido deste gesto? Vamos entender esta escolha a partir do seu chamado para a oração no mês de abril na intenção dos padres. O Lava-Pés conduzido pelo Papa reveste-se do gesto de cuidado, tão necessário aos sacerdotes, especialmente aos recém ordenados.

O cuidado com os mais vulneráveis da sociedade, escolhidos no pontificado do Papa Francisco, não está dissociado do cuidado com aqueles que manifestam de modo concreto a missão apostólica, os padres, os bispos e os diáconos. Temos um cuidado para fora e um cuidado para dentro, numa linguagem mais simples; porém não separados.

O Papa Leão XIV nos convoca para um tempo de oração em vista do ministério ordenado sob cuja responsabilidade recai a coordenação (presidência) da Comunidade na animação da vida fraterna entre irmãos e irmãs, o discernimento dos sinais dos tempos e o cumprimento da missão conferida por Jesus Cristo. E nos diz que é preciso “reconhecer e aprofundar que, por trás de cada ministério, há uma vida que também necessita de cuidado, proximidade e escuta”.

Todos eles são seres humanos. Esquecemos disso tantas vezes em nossas críticas e fofocas. Quem cuida do pároco que sempre está disponível para nos atender? Será que ele está precisando de alguma coisa? Será que ele necessita se desabafar diante do peso do trabalho pastoral? Ou diante do disse-me-disse das fofocas das ruas?

Na oração solicitada pelo Papa, ele nos pede que coloquemos nas mãos do Senhor Jesus, Bom Pastor e companheiro de caminhada, “os padres que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte que a esperança”. É preocupante o número de sacerdotes que tiram a própria vida! E o Papa conhece muito bem esta realidade por sua experiência como Prior da Congregação dos Agostinianos, quando viu os desafios mais concretos dos padres da ordem religiosa.

Enquanto comunidade, é tempo de pedirmos a Deus que nos ajude a cuidar de nossos padres, nossos párocos e vigários, a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição. Eles não são super-heróis. Acima de tudo, pedir a Deus que nos ajude a partilhar com cada um deles a missão batismal de anunciar o Reino. Enfim, que saibamos acompanhá-los de maneira bem próxima, amparando-os em gestos de reciprocidade e com oração sincera.

Por fim, é preciso parar com a mania de generalizar em juízos discriminatórios e condenatórios em decorrência de um determinado padre que nos causou escândalo. A imensa maioria dos padres é extremamente zelosa pelo ministério que lhe foi confiado através do rito de ordenação sacerdotal. O cuidado dos sacerdotes é uma das responsabilidades partilhada entre todo o Povo de Deus.

É preciso sustentar aos que nos sustentam, conviver com eles como companheiros e amigos, que também atravessam momentos difíceis, com acompanhamento humano de amizade sincera e com a força de nossas orações. Eles precisam saber e sentir que não estão sozinhos, e são muito amados.

Edebrande Cavalieri

Compartilhe:

VÍDEOS

Facebook