A Vida de Dom Geraldo Lyrio Rocha

26 julho, 2023

Nascido em 14 de março de 1942, em Fundão, Espírito Santo, filho de Leovegilda Lyrio Rocha e Chrysanho de Jesus Rocha, sendo o segundo entre os cinco filhos do casal (Ronaldo José, Geraldo, Rosa Maria, José Carlos e Luciano). Desde criança, alguns sinais já sinalizavam o despertar de sua vocação sacerdotal. Amava “brincar de Igreja”. Como ele mesmo costumava a dizer, “era uma das suas brincadeiras favoritas”.

Ronaldo, José Carlos, Rosa Maria e Geraldo

Ao 10 anos encontrou-se com um padre jesuíta que passava por Fundão e o convidou para ingressar no pré-seminário em Anchieta (ES). Ficou entusiasmado com esse convite. Ao concluir o curso primário, Pe. Francisco Marchi Aletti, pároco de Fundão, perguntou qual seminário queria ingressar, logo respondeu: “Seminário Capuchinho, em Santa Teresa”. Padre Francisco, então, apresentou outra opção: a de de ir para o Seminário Diocesano de Vitória. Geraldo aceitou e aos 12 anos ingressou no Seminário Menor de Nossa Senhora da Penha, em Vitória (ES).

Seminaristas e formadores no pátio do Seminário

Em fevereiro de 1960, Dom Geraldo foi cursar filosofia no Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte (MG). No final de setembro de 1963, chegou em Gênova, na Itália, para cursar Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Concluído o curso de Teologia, Dom Geraldo retornou para o Brasil, em meados de 1967.

 

Dom Geraldo no dia da sua ordenação episcopal, na Catedral de Vitória

A ordenação Sacerdotal aconteceu no dia 15 de agosto de 1967, Solenidade de Assunção de Nossa Senhora numa celebração  na matriz São José, em Fundão. Presidiu e ordenou pe. Geraldo, o então arcebispo de Vitória, Dom João Batista da Mota e Albuquerque. Concelebraram o bispo auxiliar, Dom Luís Gonzaga Fernandes, padre Djalma Rodrigues Moreira, pároco de Fundão, entre muitos outros sacerdotes.

Destacando-se pelo seu amor pelo estudo e pela cultura, interesse histórico e jeito sereno de empenho em participar da vida da Igreja, padre Geraldo foi assumindo funções pastorais que o levaram a ser nomeado pelo Papa João Paulo II, bispo auxiliar de Vitória, no dia 14 de março de 1984.  Exerceu sua primeira missão episcopal até 1990, destacando-se ao ministrar aulas de Filosofia na UFES, Universidade Federal do Espírito Santo e organização acadêmica do Seminário da Arquidiocese de Vitória. Nesta data foi nomeado primeiro bispo da Diocese de Colatina (ES), onde ficou até o ano de 2002. Em 2002, foi transferido para a Arquidiocese de Vitória da Conquista (BA) permanecendo até 2007, onde passou a ser Arcebispo.

Recepção do pálio de Arcebispo de Vitória da Conquista (BA), das mãos do Papa São João Paulo II, no dia 29 de junho de 2002

Em 2007, Dom Geraldo Lyrio Rocha foi nomeado Arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, uma das Arquidioceses mais antigas e importantes do Brasil. Sua atuação como arcebispo foi marcada pela dedicação à evangelização, ao fortalecimento da vida paroquial e à preservação do patrimônio cultural e religioso da região. Pessoa de relacionamento fácil, dom Geraldo conseguia transitar por diversos espaços e ambientes, criando relacionamentos e demonstrando com seu testemunho a fé que professava.

Foi presidente da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil no período de 2007 a 2011, atuante na Dimensão da Liturgia e membro do Conselho Econômico e do Conselho Permanente. Fez parte da Comissão Episcopal para a Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) e da Comissão Especial para a Causa dos Santos.

Núncio Apostólico Dom Carlo Furno e Dom Geraldo na sua posse como primeiro Bispo da Diocese de Colatina (ES)

Seu jeito firme, suave e flexível o levou ao Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), onde foi membro do Departamento de Liturgia em duas ocasiões (1987-1991 e 1995-1999) e presidente deste mesmo organismo, entre 1999 e 2003. Foi segundo vice-presidente do conselho e delegado da CNBB junto ao colegiado latino-americano (2011-2015).

Participou da Conferência de Santo Domingo (1992), representando a CNBB, foi membro ex officio da Conferência de Aparecida (2007), e delegado nos  Sínodos: para a América (1997), sobre a Eucaristia (2005), sobre a Palavra de Deus (2008) e sobre a Nova Evangelização (2012). Foi membro da Pontifícia Comissão para a América Latina (2009-2014).

Por onde passou deixou a marca da cordialidade, capacidade reflexiva e sempre se comportava como um professor que ensina com o testemunho, capacidade de análise, bondade e sabedoria. Por isso, foi sempre muito procurado para fazer palestras, pregar retiros e falar sobre Documentos da Igreja, o que fazia com muita propriedade.

Nunca se distanciou de sua Igreja de origem, a Arquidiocese de Vitória. Para ali vinha buscando um descanso e se fortalecer na convivência dos laços familiares e com os amigos. A cada visita presidia missas na Catedral, visitava as paróquias por onde passou e participava dos momentos eclesiais que aconteciam durante sua permanência.

Aos 75 anos, conforme estabelece a legislação eclesiástica, apresentou ao Papa a carta de renúncia ao governo pastoral da Diocese de Mariana. Ao ter a renúncia aceita pelo Papa retornou a Vitória e estabeleceu residência, ficando mais próximo de seus familiares, participando das atividades pastorais da Arquidiocese e continuando a prestar o serviço de ajuda à Igreja no Brasil, com formações e retiros em diversas arquidioceses e dioceses.

Presidência da CNBB em audiência com o Papa Bento XVI

Na última Assembleia Geral da CNBB, a 60ª, realizada em abril deste ano, dom Geraldo fez uma memória das sessenta edições da Assembleias da CNBB. Acentuou o clima de graças com que as assembleias marcaram a história, e disse referindo-se à 16ª: “Nesses anos, mudou a fisionomia da conferência, o modo de tratar as questões, os meios, que foram aperfeiçoados e facilitam o trabalho”. “[Mudaram] coisas acidentais. E o que permanece: o essencial. Há uma linha condutora que marca todas as assembleias, e que se chama comunhão eclesial”.

Durante a 60ª Assembleia, a última que participou, dom Geraldo foi eleito pelos bispos do Brasil,  junto a outros quatro bispos, para representar o episcopado Brasileiro no Sínodo sobre sinodalidade, em outubro próximo, no Vaticano. Não participará com sua presença física discreta, mas que impunha respeito e admiração, mas, certamente sua intercessão ajudará a Igreja para que se abra à ação do Espírito Santo.

Lembranças da presença de dom Geraldo Lyrio Rocha em momentos diversos de sua atuação pastoral:

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