Vitória 469 anos: Entre o secular e o religioso

A capital do Espírito Santo é um arquipélago com 33 ilhas e uma parte continental. Conhecida como Ilha do Mel, Cidade Sol e Cidade Presépio, Vitória é o centro da Região Metropolitana e abriga a sede administrativa do Governo Estadual, bem como os poderes Legislativo e Judiciário.

Cidade conhecida pelas suas belezas naturais e pela boa qualidade de vida, vitória é destino turístico de milhares pessoas todos os anos. Espremida entre o mar e a montanha, a parte central do município conta com um porto para navios, fato que torna a cidade ainda mais singular, pois existem poucas localidades no mundo onde navios fazem manobras dentro da área urbana.

A história civil e a história religiosa de Vitória estão intrinsicamente ligadas, pois o município foi um dos primeiros locais onde chegaram e se instalaram muitos missionários católicos que aportaram no estado.

Para se ter uma ideia, um dos monumentos mais importantes do Espírito Santo, o Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, hoje leva esse nome em homenagem ao Apóstolo do Brasil (1534-1597), um missionário católico.

Mas, antes de se tornar um prédio do poder público, o palácio foi uma escola e levava o nome de Colégio São Tiago. A obra começada em 1551 pelo Pe. Afonso Brás s.j. (1524-1610) serviu durante muitos anos como um prédio escolar.

Outro marco histórico-religioso da cidade de Vitória é o Convento de São Francisco. Segundo o Pe. Adwalter Carnielli, “Vasco Fernandes Coutinho Filho, segundo Governador da Capitania, em 1587 convidou os Frades Franciscanos a se instalarem em Vitória e doou-lhes, nesse mesmo ano, um terreno coberto de mata virgem situado na parte alta da então Vila de Vitória, para construírem o convento”. (CARNIELLI, 2006, p. 116)

Hoje o local é um centro de visitação e está no roteiro da Secretaria de Cultura da prefeitura. O prédio, parte dele em ruínas conservadas, abriga alguns departamentos da Cúria Metropolitana de Vitória.

Outra arquitetura histórica que não se pode deixar de citar é a primeira igreja construída na ilha, trata-se da Capela Santa Luzia. Erguida na Cidade Alta, ela data de 1551. Essa obra é tão importante para a história de Vitória que em 1946 ela foi tombada pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

No século XVIII, mais precisamente no ano de 1707, começa a construção da igreja de São Gonçalo, uma das referências histórico religiosas que nos dias de hoje muito procurada para celebração de casamentos. Segundo Carnielli, originalmente o nome da igreja não era esse, mas “Igreja de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte” (CARNIELLI, 2006, p. 167).

História mais recente

A chegada dos padres Pavonianos em Vitória também é um marco na história religiosa e social da cidade. Eles, além de assumirem a paróquia da Vila Rubim e posteriormente a paróquia de Santo Antônio, onde está situada a única Basílica da Arquidiocese, foram responsáveis pela fundação da livraria Âncora, primeira livraria católica da cidade (1958). 

Por falar em Vila Rubim, naquela religião destaca-se a Paróquia de São Pedro, com 94 anos de existência, ela foi a segunda paróquia a ser fundada na Arquidiocese e é “marcada pelo dinamismo histórico antes e pós Concílio Vaticano II”, diz Pe Roberto Camilato.

É também na Vila Rubim que está instalada a Santa Casa de Misericórdia, hospital que foi referência no atendimento aos mais pobres de toda a Grande Vitória. Conhecida também pelo bom atendimento, a Santa Casa era gerenciada por uma congregação religiosa, as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.

Como pode-se perceber a presença da Igreja é muito forte na vida da cidade desde a sua fundação, por isso é possível afirmar que a história civil e a religiosa se confundem e se completam. Além do que já foi exposto nessa matéria, existem várias outras arquiteturas e ações que marcam a presença da Igreja na formação da sociedade e da capital do ES, inclusive nas atividades seculares como em inaugurações importantes, tais como a presença de Dom João Batista da Mota e Albuquerque na reinauguração do teatro Carlos Gomes e na inauguração da iluminação pública da praça Costa Pereira, entre outras.

Para você que quer conhecer melhor o município em questão vai aí uma sugestão: comece pelo Centro da Cidade, onde estão todas as arquiteturas citadas acima e o famoso Parque Moscoso, espaço que marcou a infância de muita gente da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV).

Mas, e a Catedral de Vitória? Ela é um dos monumentos mais conhecidos do estado e por isso encerramos com uma fala do Arcebispo Emérito, Dom Luiz Mancilha Vilela, sobre ela:

A Catedral de Vitória do Espírito Santo é um belo hino de louvor a Deus, presidido pela Mãe da Igreja, a Senhora da Vitória!

Ao entrar neste Templo abra seus olhos de fé… seu bondoso coração! (VILELA, Dom, 2011, p. 09)

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