Viva a Mãe das Alegrias!

12 abril, 2021

Juliano Nascimento | Porque olhou para a humilhação de sua serva, doravante todas as gerações me felicitarão” (Lc 1,48).

O título “Senhora das Alegrias” ou “Virgem das Alegrias” é atribuído a Nossa Senhora por conta da Ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, Maria está intimamente ligada a seu Filho e Senhor Nosso. Isso nos mostra que Maria não é igual ou superior a Cristo, mas, sim, caminhante no percurso da salvação junto d’Ele. Desse modo, após oito dias – os oito dias da oitava de Páscoa, nos quais as áreas pastorais da Arquidiocese de Vitória e as Dioceses de Colatina, São Mateus e Cachoeiro de Itapemirim participam da Liturgia das celebrações no decorrer do chamado Oitavário da Penha –, a Província do Estado do Espírito Santo celebra, no dia de hoje, o título de Maria como Senhora das Alegrias, recordando o mistério Pascal: Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, centralidade de nossa fé. Alegria no Cristo Ressuscitado.

No Evangelho desta Solenidade, é possível perceber o motivo da proclamação “bem-aventurada”, dada a Nossa Senhora. Essa proclamação é decorrente do gesto nobre e necessário de Maria, que se colocou inteiramente disponível aos planos de Deus para sua vida. Ela não fez por querer para si, mas para manifestar a grandeza salvadora de Deus aos homens, ou seja, se colocou para o outro. Maria é Bem-Aventurada, porque é aquela que ouve a palavra do Pai e a põe em prática (cf. Mt 12,46-50), conforme é relatado no Evangelho de São Lucas, quando narra que Maria dirigiu-se apressadamente ao encontro da necessidade de sua prima Isabel (cf. Lc 1,39-40), que se encontrava grávida já na velhice (cf. Lc 1,36-37).

Maria acompanhou Jesus em todos os momentos de Sua vida (infância, juventude e missão), nos dando o exemplo de discípula que segue o Bom Mestre, mesmo sendo a Mãe amada d’Ele. Ela poderia pedir para si todas as honrarias existentes, mas preferiu ser uma humilde serva do Senhor em seus desígnios (cf. Lc 1,38). O ato de se colocar nas mãos de Deus implica estar à disposição dos mais necessitados, exemplo presente no Evangelho de São João, na narrativa das Bodas de Caná (Jo 2,1-12), Maria olhou para a necessidade dos noivos na falta do vinho e intercedeu a Jesus pelos recém-casados.

No percurso do Calvário, momento de maior dor e sofrimento de Jesus, até aos pés da cruz, Maria também estava com Ele (Jo 19,25), cumprindo o que o velho Simeão dissera na apresentação do Menino Jesus no Templo (cf. Lc 2,33-35). Ela nunca abandonou o seu amado Filho, e sempre se fez presente na caminhada junto d’Ele nas alegrias e tristezas. Assim é conosco: ela nos acompanha com seu olhar e amor maternal; como, possivelmente, já cantamos diversas vezes em nossas Comunidades de Base, com a música Pelas estradas da vida. Maria é o modelo mais sublime e perfeito de abandono aos desígnios de Deus. É Deus quem a conduz pelos caminhos do mundo. Por isso é reconhecida como Bem-Aventurada por todas as gerações (cf. Lc 1,48).

Outra personagem que se destaca na Liturgia de hoje, por sua intercessão aos que padecem, é Judite (cf. Jt 13, 18-20; 15, 9). Judite, mulher temente a Deus, se colocou em favor de seu povo, intercedendo por todos os israelitas que padeciam em um governo tirano. Confiou nas promessas de Deus a ela e, mesmo em sua doce fragilidade feminina, permaneceu forte para superar o rei Holofernes e decapitá-lo, cumprindo o querer benevolente de Deus aos seus na sua libertação do governo opressor. Assim como na vida de Nossa Senhora é de fácil percepção a atuação de Deus, na vida de Judite também é verificável a vontade de Deus nas suas ações. Duas mulheres fortes que nos dão grandioso exemplo de entrega a Deus e ao próximo com atitudes de amor e fidelidade ao Pai.

Assim como a Senhora das Alegrias e Judite, somos convidados, através da Liturgia da Solenidade de hoje, a cumprir o querer benigno de Deus, e nos depositarmos no colo Dele como filhinhos(as) muito amados(as) que somos – exemplo exortado por São Paulo em sua carta aos Gálatas (cf. 4,4-7) – ainda mais em um tempo tão difícil como o que estamos vivendo, por conta desta pandemia da COVID-19.

É na confiança em Deus que vamos realizar na nossa caminhada o refrão do Salmo 44, cantado pelo salmista “O Senhor fez em mim maravilhas”.  Como é proclamado por Maria no Magnificat, “Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes” (Lc 1,51-52), Deus olha por todos os seus filhos que estão dispostos a viver em seu Espírito de amor. Ele deve ser o “fio condutor” das nossas ações.

Portanto, na Solenidade de hoje, celebramos não somente o título de Senhora das Alegrias atribuído a Nossa Senhora, mas também o exemplo da realização das promessas de Deus aos que n’Ele confiam. É preciso coragem para a realização dos projetos d’Ele em nossa vida, pois é uma verdadeira entrega de total amor. Cristo vive! Como já proclamamos há dois Domingos por ocasião da Solenidade da Páscoa e também em todas as liturgias que celebramos.

É necessário acreditar e viver esse mistério no nosso cotidiano, isto é, o mistério deve ser vivo em nossas atitudes para com Deus através das orações pessoais, comunitárias e, sobretudo neste momento de tensão da pandemia, familiares – como nos vem orientando a Santa Igreja, por meio do nosso Arcebispo Dom Dario. Sendo assim, vamos confiar em Deus e deixá-lo realizar, por meio de nós, as suas boas obras a todas as criaturas, tendo como exemplo e intercessora a Senhora das Alegrias. Lembrando sempre: “aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias” (Lc 1,53), ou seja, Ele está olhando por cada um de nós, conforme a sua infinita misericórdia de Pai amoroso. É na humildade que vamos alcançar o Reino dos Céus. Amém.

Curiosidade: A Festa da Penha é a terceira maior festa Mariana do Brasil e é a festa Mariana mais antiga, completando, neste ano de 2021, 451 anos de festividades.

Viva Cristo! Viva a Igreja! Viva a Senhora das Alegrias!

Senhora das Alegrias, intercedei por nós.

Juliano do Nascimento Machado

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de Origem: São José – Guarapari

Paróquia de Pastoral: Santa Teresa de Calcutá – Vitória

Referência Bibliográfica: BÍBLIA DE JERUSALÉM. 1ª Ed. São Paulo: Paulus, 2002.

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