Vocação e o Sagrado Coração

9 junho, 2021

Embora seja muito conhecida, em geral, relegamos a devoção ao Coração de Jesus ao Apostolado da Oração e, talvez por tal motivo, tenhamos aprofundado pouco nos mistérios e inspirações que podem nos trazer a simples contemplação das tantas imagens e estampas que representam esse amor de Cristo à humanidade.

A aparição de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque faz ressoar a profecia que diz: “Vou dar-vos pastores segundo o meu coração” (Jr 3, 15). Para bem compreendermos bem o que significa esse “segundo o meu coração”, importante destacarmos alguns aspectos. Primeiro: qual a função do coração; segundo: qual as características exteriores apresentadas por Jesus; terceiro: qual é a característica essencial do Coração de Jesus.

A função do coração no corpo é bombear sangue, permitindo que ele se espalhe por todo o corpo, especialmente, após ter sido bombeado ao pulmão onde, o sangue é enriquecido de oxigênio. Assim, as batidas do coração permitem que, de alguma forma, a vida circule por todos os órgãos. Assim, se biologicamente falando é evidente a necessidade desse órgão, o que poderemos dizer do Coração de Jesus no Corpo, a Igreja. É por Ele que vem todas as riquezas do Pai, em união com o Espírito Santo.

Jesus ao aparecer à santa monja Margarida mostrou-lhe não o cérebro ou o pulmão, partes essenciais à vida, mas desejou apresentar-lhe o próprio coração, cercado de espinhos e encimado por um fogo. Além disso, no Evangelho, Jesus já havia indicado que devíamos aprender Dele, que é “manso e humilde de coração” (Mt 11, 29), expondo como que o mais profundo de seu ser.

A vocação sacerdotal, portanto, deve buscar sempre uma afinada proximidade com este Coração em chamas de Jesus. Isso porque um coração chamado à vida ministerial deve ser aquecido pelo amor de Deus. E não só! Deve estar incendiado por esse amor, a ponto de fazer queimar a todos os que dele se aproximem, como que numa irradiação de Cristo, como outro Cristo.

Ao mesmo tempo, este coração iluminado é acompanhado pelas marcas da Paixão, como que para afirmar que os que se decidiram pelo sacramento da ordem, devem entregar-se diuturnamente à humanidade, como Aquele que se doou inteiramente por ela: Jesus.  Quem se esquece desse fundamento vocacional, jamais compreenderá não somente a essência do presbiterado, mas também o próprio Jesus, cujo coração “tanto amou os homens”.

A mansidão e a humildade, por sua vez, são os tesouros escondidos deste mesmo coração de nosso Senhor. Essas duas características tornam-se, pois, necessárias ao exercício do ministério porque somente um manso pastor não afugentará as ovelhas, mantendo-as seguras no redil, fazendo com que se sintam seguras no aprisco. Ao mesmo tempo, aquele que se reveste de humildade saberá discernir que tudo é graça daquele que o chamou, sem desejar para si a glória que é devida ao Coração que dá vida e força ao Corpo.

A devoção ao Sagrado Coração, pois, mais do que algo do passado ou reservado a pequenos grupos, abrange a toda a Igreja, todos os leigos, todos os consagrados, todos os sacerdotes, todos os vocacionados, posto que, sem ele, nada poderemos fazer. Não há vida e não há dom que não venha dele. Sem Ele ninguém é santo, ninguém é forte. Que ele sempre seja o encanto e a fornalha que aquece a nossa existência.

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