Educando filhos em tempos difíceis

22 julho, 2022

Educar nossos filhos até a metade do século passado era algo extremamente simples.  Um mundo estável, previsível com valores e conceitos partilhados por todos. O certo era certo e o errado era errado. Simples. Um mundo onde o papel dos pais era ensinar aos filhos “o bom caminho”, caminho esse que era visível e previsível, mas…veio a revolução tecnológica e o mundo digital “apagou” as estradas e tirou muita coisa fora do lugar, ou seja, perdemos o caminho. Os físicos como Einstein e centenas de outros cientistas mudaram a realidade mostrando um mundo onde existem inúmeras possibilidades e a lógica binária não é mais soberana. Pensadores de várias áreas surgiram e interferiram na formação da nossa sociedade com suas teorias e ideias, algumas equivocadas, outras geniais, mas o fato é que nosso mundo mudou. Como disse acima “apagaram” o caminho seguro para nós e para a educação dos filhos.

Evidentemente nossa educação cristã é um grande esteio e dá suporte, mas como estamos fazendo uma série de artigos falando do futuro de nossos filhos para enfrentar a próxima onda de desenvolvimento, “a revolução de talentos” com as transformações que estão por vir, precisamos ir além do “pilar” espiritual. Como falamos semana passada, além do pilar mental, o “pilar” emocional é extremamente importante nesta construção. É ele que dá estabilidade aos demais. O desenvolvimento emocional só acontece de forma plena com a força do amor que a criança experimenta em seu cotidiano.

Amo meu filho quando o abraço, quando o acolho, quando o protejo, mas também amo meu filho quando eu o solto, quando não o protejo em determinadas situações, quando eu exijo que ele enfrente uma realidade que ele é capaz de enfrentar, quando zango com ele para seu melhor desenvolvimento e quando espero pacientemente o tempo dele quando é preciso.

Amo meu filho quando o beijo, quando me interesso pelas coisas dele, quando faço o que vai lhe agradar, mas também quando o coloco de castigo, quando eu o faço analisar melhor as situações, quando o ajudo a assumir seus erros assim como quando eu assumo meus erros e minhas falhas para ele quando as cometo.

Meu filho precisa aprender a lidar bem com as suas emoções básicas (a raiva, a tristeza, o medo, a zanga, o nojo, a surpresa, e a felicidade) assim como com as que ele aprende e integrar à sua memória pelas experiências que vive, como por exemplo o ciúme, o orgulho, a vergonha, a admiração e a culpa.

Quando penso no meu bem-estar posso ficar com preguiça de chamar a atenção de meu filho e não estou amando, nem cuidando dele como é meu dever, mas quando deixo meu descanso ou momento de prazer para ajudá-lo a lidar melhor com suas dificuldades ou suas emoções, eu amo meu filho e o ajudo a “canalizar” produtivamente a energia que essas emoções liberam para que ele supere suas dificuldades, sem criar outras.

É difícil educar bem os filhos hoje? Sem dúvida não é fácil!  Cada idade tem suas exigências e exige de nós pais novas habilidades.  A interação com os colegas, as habilidades sociais são outros desafios. Mas estas veremos semana que vem.

De qualquer forma, é preciso lembrar sempre a regra que ajuda muito: o equilíbrio é o segredo e o amor precisa permear todas as suas ações. Se você estiver tumultuado, com raiva… ou de alguma forma sem condições de agir com amor, se afaste, dá um tempo e depois quando estiver com calma retome seu lugar de pai ou mãe no sentido pleno da palavra.

Se depois seu filho adulto reclamar que você errou, não se angustie, muitos de nós pais fazemos tudo para acertar e depois percebemos que mesmo assim erramos!  Não é nossa falta, algo passou desapercebido o que é fácil acontecer quando não há caminhos trilhados. E, se isso acontecer, apenas olhe carinhosamente para seu filho ou filha e diga: desculpe, fiz o melhor que pude!

Vania Reis

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