No dia 02 de novembro, a Igreja Católica celebra o Dia dos Mortos, ocasião propícia para lembrarmos parentes e amigos já falecidos e intensificarmos nossas orações por eles. Esta é uma data que provoca nas pessoas muitas emoções e traz lembranças e saudades. Contudo, como pessoas de fé, acreditamos na vida em Deus e confiamos que todos estão junto Dele na vida eterna. No site da Arquidiocese oferecemos dois subsídios: Razões para rezar pelos mortos, com sugestões para oração individual (clique aqui para acessar Razoes-para-rezar-pelos-mortos-oracao-pessoal.pdf) e Celebração da Esperança, este específico para celebração de exéquias (clique aqui para acessar (Celebracao-da-Esperanca.pdf).
O pe. Rodrigo Chagas, coordenador da Comissão para a Liturgia, enviou uma carta, dirigida aos padres e a todo o povo de Deus, com orientações sobre a liturgia do Dia dos Fiéis Defuntos. Conversamos com ele que explicou as razões e os pontos mais importantes dessas orientações.
- Por que celebramos o dia dos mortos?
Pe. Rodrigo: Diria que temos três motivos: o primeiro deles é para homenagear aqueles que já estiveram conosco, aqueles que passaram a sua vida conosco, e foram importantes, e de quem sentimos saudades. É homenagear aqueles que nós amamos e que já partiram. O segundo motivo, talvez o mais importante, para reforçar a nossa fé na ressurreição. Cristo morreu e ressuscitou para provar para nós que a vida não termina na morte. Na verdade, ela inicia um novo momento a partir da morte. Então, celebrando aqueles que morreram, e acreditando que eles ainda vivem com Cristo e em Cristo. O terceiro motivo é para que aqueles nossos irmãos falecidos, que não encontraram ainda a graça de estar na glória de Deus, que ainda estão em preparação, em purificação, nesse espaço de tempo onde você deixa a terra para chegar ao céu, que nós chamamos de purgatório, necessitam de nossas orações para conseguirem se purificar e chegar até o céu. Então, nós rezamos para que essas almas que ainda não chegaram até a presença de Deus, possam plenamente ver a face do Senhor, possam plenamente chegar até a glória de Deus.
- Qual a justificativa para fazer orientações litúrgicas para este ano, uma vez que nós celebramos o dia dos mortos todos os anos?
Pe. Rodrigo: De fato, todos os anos, dia 2 de novembro, nós celebramos a comemoração de todos os fiéis defuntos. Mas, este ano o dia 2 de novembro é no domingo. Então, nesse dia acontecem dois momentos importantes para a nossa fé: celebrar o dia do Senhor, o domingo, e também celebrar os fiéis defuntos. Por isso as orientações, porque a liturgia dos fiéis defuntos tem algumas coisas próprias, que não se encaixam com a liturgia dominical.
Por exemplo, na liturgia dominical, nós dizemos o Glória, que é uma oração importante, onde nós glorificamos o Deus Pai, Filho, com o Espírito Santo, e professamos a nossa fé em Deus que está conosco e na Igreja que nos orienta, inspirada pelo Espírito Santo de Deus. Já na comemoração dos fiéis defuntos, não tem essas duas orações, esses dois momentos litúrgicos.
Então fica a pergunta: como vamos comemorar os fiéis defuntos num domingo, a gente vai seguir que liturgia dominical ou dos fiéis defuntos? Por isso as orientações, neste exemplo, vamos celebrar a liturgia dos fiéis defuntos, mesmo sendo no domingo. A forma como fazemos quando o dia 2 acontece durante a semana, vamos fazer dessa forma no domingo. Neste caso, não vamos incluir à liturgia dos fiéis defuntos aqueles momentos da liturgia de domingo, mesmo sendo domingo.
As orientações nos ajudam a fazer o que a Igreja pede.
Outra orientação é sobre a Solenidade de Todos os Santos que celebramos dia 1 de novembro. Geralmente esta solenidade, no Brasil, é celebrada no domingo. Mas, excepcionalmente, este ano, também não vai ser.
Vamos celebrar no sábado, iniciando na sexta-feira à noite, com as primeiras vésperas, até o sábado à noite. E, no domingo, iremos celebrar os fiéis defuntos.
Junto temos orientações também para os fiéis que participem de celebrações cemitério, ou nas igrejas, podem obter indulgência plenária, aplicável aos defuntos.
As orientações para obter a indulgência serão dadas nas paróquias.
ORIENTAÇÕES LITÚRGICAS SOBRE A
SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
Vitória – ES, 22 de outubro de 2025.
Aos reverendíssimos senhores padres e a todo o Povo de Deus desta Arquidiocese,
Saudações de Graça e Bênção.
Considerando que, neste ano, a Comemoração de todos os fiéis defuntos irá acontecer no domingo, achamos por bem orientar:
1. No domingo, 2 de novembro, celebra-se, durante todo o dia, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, conforme o Missal Romano (p.846). Nessa celebração:
a) Pode-se escolher um dos três formulários indicados no Missal Romano (p.846-848);
b) Não se canta o Glória, nem se proclama a Profissão de Fé;
c) As leituras estão indicadas no Diretório Litúrgico (p.171), podendo-se também escolher outras leituras presentes no Lecionário Dominical (p.1050-1101), ou seguir as indicações do Folheto Caminhada (no caso de Celebração da Palavra);
d) Utiliza-se o Prefácio dos Fiéis Defuntos (Missal Romano, p.518-522);
e) Pode-se utilizar a fórmula da Bênção Solene (Missal Romano, p.588);
f) A cor litúrgica própria para a Missa dos Fiéis Defuntos é a roxa ou preta, como recomendado na Instrução Geral do Missal Romano (cf. IGMR, n. 346) e no Diretório da Liturgia (p.171);
g) Nesse dia, cada sacerdote pode celebrar três Missas, observando-se o que foi determinado na Constituição Apostólica Incruentum Altaris Sacrificium (p.401-404);
h) Nesse dia não se ornamenta o altar com flores; os instrumentos musicais sejam apenas para sustentar o canto;
i) Aos que visitarem o cemitério, ou uma igreja, e rezarem pelos falecidos, concede-se uma Indulgência Plenária aplicável aos defuntos.
2. Quando o dia 2 de novembro coincide com o domingo, como neste ano (cf. Missal Romano, p.846), no sábado, 10 de novembro, celebra-se, durante todo o dia, a Solenidade de Todos os Santos (cf. Missal Romano, p.841), com início nas Primeiras Vésperas na noite anterior (sexta-feira).
Como peregrinos, na certeza da ressureição e na esperança de um dia estarmos unidos a todos os santos no Céu, celebremos com amor e dedicação, juntamente com as nossas comunidades eclesiais, esta solenidade e esta comemoração até que o Senhor Jesus possa vir em sua glória.
Fraternalmente,
Pe. RODRIGO CHAGAS
Coordenador Arquidiocesano da Comissão para a Liturgia e Ministérios