Notícias da Igreja

Durante o mês de julho o Papa Francisco faz a pausa de verão nas audiências de 4ªfeira. Leia como foi a catequese de hoje,

Durante o mês de julho o Papa Francisco faz a pausa de verão nas audiências de 4ªfeira.

Leia como foi a catequese de hoje, a segunda da sequência dedicada à Carta aos Gálatas, na matéria publicada no Vatican News.

“Paulo, verdadeiro apóstolo” foi o tema da segunda catequese do Papa dedicada à Carta aos Gálatas.

Na quarta-feira passada, ao inaugurar o novo ciclo, o Pontífice comentou as dificuldades enfrentadas pelo discípulo na obra de evangelização na Galácia. A sua intenção é muito clara: é necessário reafirmar a novidade do Evangelho, que os Gálatas receberam da sua pregação, a fim de construir a verdadeira identidade sobre a qual basear a própria existência.

De perseguidor a anunciador

Em primeiro lugar, Paulo sente-se obrigado a recordar que é um verdadeiro apóstolo não por causa do seu mérito, mas devido à chamada de Deus. Ele próprio conta a história da sua vocação e conversão, que coincidiu com o aparecimento do Cristo Ressuscitado durante a viagem a Damasco (cf. At 9, 1-9).

Paulo evidencia assim a verdade da sua vocação através do contraste flagrante que tinha sido criado na sua vida: de perseguidor dos cristãos porque não observavam as tradições e a lei, tinha sido chamado a tornar-se apóstolo para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. “Vemos que Paulo é livre: é livre para anunciar o Evangelho e também é livre para confessar os seus pecados. ‘Eu era assim’: é a verdade que dá liberdade ao coração, é a liberdade de Deus”, explicou Francisco.

Pensando nesta sua história, Paulo está cheio de admiração e gratidão. É como se quisesse dizer aos Gálatas que podia ter sido tudo menos apóstolo. No entanto, algo inesperado aconteceu: Deus revelou-lhe o seu Filho para que pudesse tornar-se o seu arauto entre os gentios (cf. Gl 1, 15-16).

Os caminhos do Senhor são imperscrutáveis 

“Quão imperscrutáveis são os caminhos do Senhor!”, disse o Papa. Tocamos esta experiência com as nossas mãos todos os dias, especialmente se pensarmos nos momentos em que o Senhor nos chamou.

Para Francisco, “nunca devemos esquecer o tempo e a forma como Deus entrou na nossa vida”: ter fixo no coração e na mente aquele encontro com a graça, quando Deus mudou a nossa existência.

“Quantas vezes, perante as grandes obras do Senhor, vem espontaneamente à mente a pergunta: como é possível que Deus se sirva de um pecador, de uma pessoa frágil e fraca, para realizar a sua vontade? E no entanto, não há nada de casual, porque tudo foi preparado no desígnio de Deus.”

Ele tece a nossa história, a Sua chamada envolve sempre uma missão à qual estamos destinados; por isso, nos é pedido que nos preparemos seriamente, sabendo que é o próprio Deus que nos envia e apoia com a Sua graça.

“Irmãos e irmãs, deixemo-nos conduzir por esta consciência: o primado da graça transforma a existência e a torna digna de ser colocada a serviço do Evangelho. O primado da graça perdoa todos os pecados, transforma os corações, transforma a vida, nos faz ver novos caminhos. Não nos esqueçamos disto. Obrigado.”

O Papa Francisco, ao falar de São Pedro e São Paulo no Angelus de hoje, acentuou a transparência e o testemunho que os dois
O Papa Francisco, ao falar de São Pedro e São Paulo no Angelus de hoje, acentuou a transparência e o testemunho que os dois santos viveram e nos provocou a abandonar as máscaras. Leia a matéria publicada no site Vatican News.
No Angelus desta terça-feira (29), Francisco encorajou a seguir o testemunho de vida de Pedro e Paulo, reforçando a mensagem da missa da manhã por ocasião da Solenidade dos Apóstolos: vamos “abandonar as nossas máscaras, renunciar às meias-medidas, às desculpas que nos tornam mornos e medíocres”. O pedido do Papa, assim, para nos “colocarmos em jogo”, com transparência, fazendo uma Igreja “mais próxima ao povo, profética e missionária”.
No dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo e após presidir a celebração na Basílica Vaticana, o Papa rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis da janela do seu escritório no Palácio Apostólico. A Praça São Pedro recebeu muitos peregrinos e turistas por ocasião da festa dos santos padroeiros de Roma nesta terça-feira (29), feriado na Itália e no Vaticano.

E olhando justamente para a vida de Pedro e Paulo e através do Evangelho de hoje (Mt 16, 13-19), o Papa Francisco nos dirigiu uma provocação feita pelo próprio Jesus aos discípulos: “quem dizem as pessoas que Eu sou?” e “quem sou Eu para ti?”. A primeira questão “tratava-se de uma sondagem para descobrir quais eram as opiniões sobre Ele e a fama de que gozava, mas a notoriedade não interessa a Jesus”, observou o Pontífice. Por isso da importância de conseguir reconhecer a “diferença fundamental da vida cristã” para não se limitar à segunda pergunta, sobre as opiniões dos outros e falando “de Jesus”, mas entrando em relação com Ele, falando “com Jesus”, como testemunharam Pedro e Paulo.

“Os Santos que hoje celebramos fizeram esta passagem, tornando-se testemunhas. Não eram admiradores, mas imitadores de Jesus. Não eram espectadores, mas protagonistas do Evangelho. Não acreditavam em palavras, mas nos atos. Pedro não falou de missão, era pescador de homens; Paulo não escreveu livros eruditos, mas cartas vivas, enquanto viajava e testemunhava. Ambos gastaram a vida pelo Senhor e pelos irmãos.”

Seguir o testemunho de vida de Pedro e Paulo

O Papa, assim, encorajou a aceitarmos essa provocação, seguindo o testemunho de vida dos Apóstolos que nem sempre foram “exemplares”, mas “transparentes” já que tiveram toda a “história nua e crua nos Evangelhos, com todas as misérias”. Só assim, “da luta contra as próprias duplicidades e falsidades”, o Senhor pode fazer grandes coisas através de nós, enfatizou Francisco, para não corrermos o risco “de dar pareceres e opiniões, de ter grandes ideias e dizer belas palavras, mas de nunca nos colocarmos em jogo”:

“Quantas vezes, por exemplo, dizemos que gostaríamos de uma Igreja mais fiel ao Evangelho, mais próxima do povo, mais profética e missionária, mas depois, na prática, nada fazemos! É triste ver que muitos falam, comentam e debatem, mas poucos testemunham. As testemunhas não se perdem em palavras, mas dão fruto. Não se queixam dos outros e do mundo, mas começam por si próprias. Lembram-nos que Deus não deve ser demonstrado, mas mostrado; não anunciado com proclamações, mas testemunhado com o exemplo.”

Quem sou Eu para ti?

O Pontífice finalizou, então, a alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, reforçando para que não nos preocupemos “em cuidar de defender a nossa imagem”, mas, ao contrário, busquemos seguir os passos dos Apóstolos:

“Caros irmãos e irmãs, hoje o Senhor interpela-nos. A sua pergunta – Quem sou Eu para ti? – escava dentro de nós. Através das suas testemunhas Pedro e Paulo, exorta-nos a abandonar as nossas máscaras, a renunciar às meias-medidas, às desculpas que nos tornam mornos e medíocres. Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, nos ajude nisto. Acenda em nós o desejo de dar testemunho de Jesus!”

O  Departamento Penitenciário Nacional elaborou proposta para substituir a assistência religiosa presencial por “sistemas fechados de áudio na forma de rádios ecumênicas”. A Pastoral

O  Departamento Penitenciário Nacional elaborou proposta para substituir a assistência religiosa presencial por “sistemas fechados de áudio na forma de rádios ecumênicas”. A Pastoral Carcerária nacional com o apoio de  diversas entidades e  bispos elaborou Carta Aberta com as razões pelas quais discorda da proposta. Leia a matéria que foi publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

CARTA DA PASTORAL CARCERÁRIA RECEBE 862 ASSINATURAS EM REPÚDIO À PROPOSTA DE ACABAR COM A ASSISTÊNCIA RELIGIOSA PRESENCIAL NOS PRESÍDIOS

A carta aberta da Pastoral Carcerária (PCr) em repúdio à proposta do Departamento Penitenciário Nacional de substituir a assistência religiosa presencial por “sistemas fechados de áudio na forma de rádios ecumênicas” recebeu 862 assinaturas e teve sua versão final divulgada nesta quinta-feira, 24 de junho. O texto, com apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), recebeu a assinatura de 27 bispos individualmente e centenas de entidades eclesiais e da sociedade civil, nacionais e internacionais, além de pessoas físicas e pastorais carcerárias de diferentes cidades e estados do país.

Como avalia a PCr na carta, “a troca da assistência religiosa presencial pelo dito sistema ataca a existência e a missão de qualquer religião no interior dos presídios. A presença física de representantes religiosos/as é fundamental para a efetivação dos dogmas estabelecidos em seus livros e rituais sagrados. Não há afeto, não há escuta, não há vida na proposta do DEPEN”.

A PCr Nacional, em conjunto com a CNBB, segue expondo os danos que a proposta em questão pode causar para as presas e presos do sistema carcerário, pois a assistência religiosa presencial é um direito garantido, e vai continuar pressionando os órgãos oficiais para que ele seja respeitado.

Confira a carta na íntegra abaixo. Para baixar, clique aqui. 

Carta Aberta da Pastoral Carcerária contraproposta do Depen de
substituir a assistência religiosa presencial nos presídios

 A Pastoral Carcerária Nacional, em conjunto com as demais entidades abaixo assinadas, vem através desta carta aberta manifestar repúdio à proposta formulada pelo Departamento Penitenciário Nacional no Ofício nº 1055/2021/DIRPP/DEPEN/MJ.

O DEPEN quer substituir, para sempre, a assistência religiosa presencial, por meio da “implantação de sistemas fechados de áudio na forma de rádios ecumênicas”.

Não se trata de uma medida para ampliar e fomentar a assistência religiosa pelo país, como pode parecer em um primeiro momento; no ofício enviado pelo DEPEN, o órgão explicita que “com um sistema de áudio remoto, inexistiria a necessidade da entrada de líderes religiosos nas área internas dos estabelecimentos, como ocorre hoje”. Da mesma forma, não é uma proposta que seria adotada exclusivamente durante a pandemia. Trata-se de uma medida duradoura, que destruirá a assistência religiosa nos presídios, substituindo a presença física de representantes religiosos/as pela voz unilateral da rádio.

A troca da assistência religiosa presencial pelo dito sistema  ataca a existência e a missão de qualquer religião no interior dos presídios. A presença física de representantes religiosos/as é fundamental para a efetivação dos dogmas estabelecidos em seus livros e rituais sagrados. Não há afeto, não há escuta, não há vida na proposta do DEPEN. A assistência religiosa não é um discurso vazio e sem emoção. Trata-se de uma relação participativa e coletiva, que exige a presença multilateral e a escuta mútua. Não se pode vivenciar a religião no cárcere sem a presença física, sem o contato próximo e afetivo e sem o diálogo horizontal. Não se pode expressar qualquer religiosidade sem presença, sem corpo e sem alma.

Não bastasse a agressão mencionada, a proposta de virtualização da assistência religiosa também ataca os direitos fundamentais da pessoa presa e fere o ordenamento jurídico. O distanciamento e a destruição da presença religiosa causada pela transmissão de áudio via circuito de rádio atacam diretamente as Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos, ao violar a Regra 65. A proposta também agride o inciso VII do art. 5º da Constituição Federal, o art. 24 da Lei nº 7.210/84 e os art. 3º e 4º da Resolução nº 08/2011 do CNPCP.

Não se está, portanto, diante de uma simples regalia. Trata-se de um direito fundamental da pessoa presa, que será destruído caso a proposta do DEPEN seja concretizada.

Por fim, cumpre ressaltar que a presença de qualquer religião no cárcere é imprescindível para prevenção e combate às violações de direitos que ocorrem nos presídios brasileiros. É durante a visita presencial e reservada que a pessoa presa se sente segura a relatar sua vivência no cárcere, espaço este que é reconhecido como estruturalmente violador de direitos. Este é, inclusive, um dos pontos defendidos pela Agenda Nacional pelo Desencarceramento (7. Ainda no âmbito da LEP: abertura do cárcere e criação de mecanismos de controle popular. Disponível em: https://desencarceramento.org.br/).

Desse modo, considerando que a proposta do DEPEN é inconstitucional e ilegal; e considerando que a proposta agride frontalmente a existência de religiões no cárcere, declaramos nosso repúdio a qualquer proposta de virtualização da assistência religiosa no cárcere e nos manifestamos pela negação, pela extinção e pelo arquivamento de toda e qualquer proposta que vise aniquilar e destruir a assistência religiosa presencial nos presídios brasileiros.

24 de Junho de 2021

Pastoral Carcerária Nacional – CNBB


Bispos que assinam esta carta:

Dom Pedro Carlos Cipollini

Dom José Carlos de Souza Campos

Dom Mário Spaki

Dom José Valdeci Santos Mendes Bispo

Dom Alberto Taveira Corrêa Arcebispo de Belém

Dom Frei Wilmar Santin, O.Carm.

Dom Vital Corbellini

Dom José  Altevir da Silva

Dom José Carlos de Souza Campos

Dom Jesus Maria López Mauleón

Dom Bernardo Johannes Bahlmann

Dom Pedro Brito Guimarães

Dom Giovane Pereira de Melo

Dom Jose Maria Chaves dos Reid

Dom Pedro José Conti

Dom Frei João Muniz Alves, OFM

Dom José Eudes Campos do Nascimento

Dom Carlos Verzeletti

Dom Adriano Ciocca Vasino

Dom Dominique YOU

Dom Fernando  Barbosa  dos Santos

Dom Rodolfo Luís Weber

Dom José Eudes Campos do Nascimento

Diamantino Prata de Carvalho

Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz

Dom Philip Dickmans, bispo de Miracema do Tocantins

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, SDV

Dom Edson da Diocese de SGC

O mês de outubro é dedicado às missões e no dia 23 e 24 de outubro deste ano de 2021 será realizada a Coleta

O mês de outubro é dedicado às missões e no dia 23 e 24 de outubro deste ano de 2021 será realizada a Coleta Nacional. O resultado do coleta é enviado em 80% para a Congregação para Evangelização dos Povos e 20% são destinados ficam no Brasil para manter os trabalhos das Pontifícias Obras Missionárias.

A música para a Campanha já está disponível e pode ser escutada clicando neste link: https://youtu.be/43l_dGLEvig

Leia a matéria publicada no site da CNBB.

A música “Vivo alegria de ser missionário”, de autoria do arcebispo de Palmas (TO), dom Pedro Brito Guimarães, animará o Mês Missionário de 2021. “Jesus Cristo é missão” é o tema proposto pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) para este ano, junto com a inspiração bíblica é “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,20). Motivada pela Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões, a Campanha Missionária de 2021 destaca o testemunho de missionários e missionárias da compaixão e da esperança.

De acordo com o diretor nacional das POM, padre Maurício Jardim, a razão da escolha da música é o alinhamento do conteúdo com o tema da campanha missionária “Jesus Cristo é missão”, que é uma continuidade da temática do ano passado, “A vida é missão”.

“No hino, dom Pedro fala da alegria de ser missionário não reduzindo a missão a uma dimensão ou em atividades, mas ampliando a compreensão de missão como natureza da Igreja. No próximo ano queremos dar continuidade nesta compreensão de que missão é o ser da Igreja, ou seja, a Igreja é missão”, destacou padre Maurício.

Dom Pedro partilha que a música é seu testemunho vivo, sendo a missão o seu “caso de amor”, sua experiência de viver com alegria a missão. “Espero que vocês cantem, que vocês rezem, que vocês se decidam por serem missionários com alegria e com muita paz. É o meu desejo”, concluiu.

Letra do Hino da Campanha

Vivo a alegria de ser missionário

Dom  Pedro Brito

 

Vivo a alegria de ser missionário

Recebi de Jesus esta linda missão

Mas a América é grande e há pouco operário

Vou fazer romaria, fazer mutirão

 

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, a vida é missão, o amor é missão

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, nós somos missão, missão local

 

Vivo a alegria de ser missionário

Neste mundo marcado por tantas feridas

Há um povo que vive um duro calvário

Vou levar no meu barco a Palavra da Vida

 

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, a vida é missão, o amor é missão

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, nós somos missão, missão continental

 

Vivo a alegria de ser missionário

Tenho sede da vida que nunca secou

Nesta Igreja que vive em tristes cenários

Vivo a minha missão como um caso de amor

 

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, a vida é missão, o amor é missão

Então, Jesus é missão, a Igreja é missão

E então, nós somos missão, universal

 

Uma forte comoção (comoção)

Uma firme decisão (decisão)

Uma nova conversão

A missão continental

O Papa Francisco iniciou hoje um novo ciclo de catequese na Audiência da quarta-feira. O ciclo anterior foi sobre a oração e o Papa

O Papa Francisco iniciou hoje um novo ciclo de catequese na Audiência da quarta-feira. O ciclo anterior foi sobre a oração e o Papa disse: “Espero que com este itinerário de oração tenhamos conseguido rezar melhor.”

O novo ciclo é com a Carta aos Gálatas que segundo Francisco “parece escrita para os nossos tempos”.

Leia a matéria publicada no site do Vaticano.

Já diante do microfone, o Pontífice iniciou um novo ciclo de catequeses. O tema agora será inspirado no apóstolo Paulo, mais precisamente em Carta aos Gálatas. Ouça e compartilhe

“É uma Carta muito importante, diria até decisiva, não só para conhecer melhor o Apóstolo, mas sobretudo para considerar alguns dos temas que ele aborda em profundidade, mostrando a beleza do Evangelho. Parece escrita para os nossos tempos”, explicou o Pontífice.

As primeiras comunidades cristãs

Entre os temas a serem explorados nas próximas semanas, estão a conversão, a liberdade, a graça e o modo de vida cristão, mas a primeira temática abordada por Francisco foi a obra de evangelização realizada pelo Apóstolo, que visitou as comunidades da Galácia pelo menos duas vezes durante as suas viagens missionárias.

Sabe-se que os gálatas eram uma antiga população celta que, através de muitas vicissitudes, se estabeleceu na extensa região da Anatólia que tinha a sua capital na cidade de Ancira, hoje Ankara, capital da Turquia.

Paulo relata apenas que, por causa de uma doença, viu-se obrigado a permanecer naquela região – fato que indica que o caminho da evangelização nem sempre depende da nossa vontade e dos nossos projetos, mas requer a disponibilidade a deixar-nos plasmar e seguir outros caminhos que não estavam previstos.

A chegada dos “abutres”

Para o Papa, é interessante notar a preocupação pastoral de Paulo, pois havia muitos infiltrados semeando teorias contrárias aos seus ensinamentos, chegando ao ponto de o difamar. Como alguém dizia, notou o Pontífice, “vêm os abutres a destruir a comunidade”.

“Como podemos ver, é uma prática antiga apresentar-se em certas ocasiões como o único possuidor da verdade e procurar menosprezar o trabalho dos outros, até com a calúnia”, afirmou.

Entre as intrigas, os adversários argumentaram que os Gálatas teriam de renunciar à sua identidade cultural e os mesmos se encontravam numa situação de crise. Para eles, que conheceram Jesus e acreditaram na obra de salvação realizada através da sua morte e ressurreição, foi verdadeiramente o início de uma nova vida, mas se sentiam desorientados e incertos sobre como se comportar e a quem ouvir.

“Pensemos em alguma comunidade cristã ou diocese: começam as histórias e depois acabam por desacreditar o pároco, o bispo. É precisamente o caminho do maligno, dessas pessoas que dividem e não sabem construir. E nesta Carta aos Gálatas vemos este procedimento.”

Uma situação que se apresenta também hoje, constatou Francisco:

“Ainda hoje, não faltam pregadores que, especialmente através dos novos meios de comunicação, se apresentam não para anunciar o Evangelho de Deus que ama o homem em Jesus Crucificado e Ressuscitado, mas para reiterar com insistência, como verdadeiros ‘guardiães da verdade’, qual é a melhor maneira de ser cristão.”

A liberdade oferecida por Cristo

Estas pessoas afirmam que o verdadeiro cristianismo é aquele a que estão ligados, frequentemente identificado com certas formas do passado, e que a solução para as crises de hoje é voltar atrás para não perder a genuinidade da fé. Também hoje, como outrora, existe a tentação de se fechar em algumas certezas adquiridas em tradições passadas.

O traço distintivo dessas pessoas, segundo o Papa, é a rigidez: “Diante da pregação do Evangelho que nos torna livres, nos faz alegres, estes são rígidos”.

Mas é o próprio Apóstolo que indica o caminho a seguir, e é o caminho libertador e sempre novo de Jesus Crucificado e Ressuscitado; é o caminho do anúncio, que se realiza através da humildade e da fraternidade; “os novos pregadores não conhecem o significado da humildade, da fraternidade”; é o caminho da confiança mansa e obediente, que os novos pregadores não conhecem, na certeza de que o Espírito Santo age em cada época da Igreja. “Em última instância, a fé no Espírito Santo presenta na Igreja nos leva avante e nos salvará.”

A mensagem do Papa Francisco para o Dia dos avós e dos idosos foi divulgada na manhã de hoje, 22 de junho de 2021.

A mensagem do Papa Francisco para o Dia dos avós e dos idosos foi divulgada na manhã de hoje, 22 de junho de 2021. A data será comemorada no 4º domingo de julho, dia 25. Leia mensagem abaixo:

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

(4º domingo de julho – 25 de julho de 2021)

 

«Eu estou contigo todos os dias»

Queridos avôs, queridas avós!

«Eu estou contigo todos os dias» (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! «Eu estou contigo todos os dias» são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, connosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado.

Bem sei que esta mensagem te chega num tempo difícil: a pandemia foi uma tempestade inesperada e furiosa, uma dura provação que se abateu sobre a vida de cada um, mas, a nós idosos, reservou-nos um tratamento especial, um tratamento mais duro. Muitíssimos de nós adoeceram – e muitos partiram –, viram apagar-se a vida do seu cônjuge ou dos próprios entes queridos, e tantos – demasiados – viram-se forçados à solidão por um tempo muito longo, isolados.

O Senhor conhece cada uma das nossas tribulações deste tempo. Ele está junto de quantos vivem a dolorosa experiência de ter sido afastado; a nossa solidão – agravada pela pandemia – não O deixa indiferente. Segundo uma tradição, também São Joaquim, o avô de Jesus, foi afastado da sua comunidade, porque não tinha filhos; a sua vida – como a de Ana, sua esposa – era considerada inútil. Mas o Senhor enviou-lhe um anjo para o consolar. Estava ele, triste, fora das portas da cidade, quando lhe apareceu um Enviado do Senhor e lhe disse: «Joaquim, Joaquim! O Senhor atendeu a tua oração insistente».[1] Giotto dá a impressão, num afresco famoso[2], de colocar a cena de noite, uma daquelas inúmeras noites de insónia a que muitos de nós se habituaram, povoadas por lembranças, inquietações e anseios.

Ora, mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: «Eu estou contigo todos os dias». Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!

Este anjo, algumas vezes, terá o rosto dos nossos netos; outras vezes, dos familiares, dos amigos de longa data ou conhecidos precisamente neste momento difícil. Neste período, aprendemos a entender como são importantes, para cada um de nós, os abraços e as visitas, e muito me entristece o facto de as mesmas não serem ainda possíveis em alguns lugares.

Mas o Senhor envia-nos os seus mensageiros também através da Palavra divina, que Ele nunca deixa faltar na nossa vida. Cada dia, leiamos uma página do Evangelho, rezemos com os Salmos, leiamos os Profetas! Ficaremos comovidos com a fidelidade do Senhor. A Sagrada Escritura ajudar-nos-á também a entender aquilo que o Senhor nos pede hoje na vida. De facto, Ele manda os operários para a sua vinha a todas as horas do dia (cf. Mt 20, 1-16), em cada estação da vida. Eu mesmo posso dar testemunho de que recebi a chamada para me tornar Bispo de Roma quando tinha chegado, por assim dizer, à idade da aposentação e imaginava que já não podia fazer muito de novo. O Senhor está sempre junto de nós – sempre – com novos convites, com novas palavras, com a sua consolação, mas está sempre junto de nós. Como sabeis, o Senhor é eterno e nunca vai para a reforma. Nunca.

No Evangelho de Mateus, Jesus diz aos Apóstolos: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (28, 19-20). Estas palavras são dirigidas também a nós, hoje, e ajudam-nos a entender melhor que a nossa vocação é salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Atenção! Qual é a nossa vocação hoje, na nossa idade? Salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos. Não vos esqueçais disto.

Não importa quantos anos tens, se ainda trabalhas ou não, se ficaste sozinho ou tens uma família, se te tornaste avó ou avô ainda relativamente jovem ou já avançado nos anos, se ainda és autónomo ou precisas de ser assistido, porque não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelhoda tarefa de transmitir as tradições aos netos. É preciso pôr-se a caminho e, sobretudo, sair de si mesmo para empreender algo de novo.

Portanto existe uma renovada vocação, também para ti, num momento crucial da história. Perguntar-te-ás: Mas, como é possível? As minhas energias vão-se exaurindo e não creio que possa ainda fazer muito. Como posso começar a comportar-me de maneira diferente, quando o hábito se tornou a regra da minha existência? Como posso dedicar-me a quem é mais pobre, se já tenho tantas preocupações com a minha família? Como posso alongar o meu olhar, se não me é permitido sequer sair da residência onde vivo? Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? Quantos de vós se interrogam: Não é um fardo já demasiado pesado a minha solidão? O próprio Jesus ouviu Nicodemos dirigir-Lhe uma pergunta deste tipo: «Como pode um homem nascer, sendo velho?» (Jo 3, 4). Isso é possível – responde o Senhor –, abrindo o próprio coração à obra do Espírito Santo, que sopra onde quer. Com a liberdade que tem, o Espírito Santo move-Se por toda a parte e faz aquilo que quer.

Como afirmei já mais de uma vez, da crise que o mundo atravessa, não sairemos iguais: sairemos melhores ou piores. E «oxalá não seja mais um grave episódio da história, cuja lição não fomos capazes de aprender [somos de cabeça dura!]. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de respiradores (…). Oxalá não seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça» (Papa Francisco, Enc. Fratelli tutti, 35). Ninguém se salva sozinho. Devedores uns dos outros. Todos irmãos.

Nesta perspetiva, quero dizer que há necessidade de ti para se construir, na fraternidade e na amizade social, o mundo de amanhã: aquele em que viveremos – nós com os nossos filhos e netos –, quando se aplacar a tempestade. Todos devemos ser «parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas» (Ibid., 77). Entre os vários pilares que deverão sustentar esta nova construção, há três que tu – melhor que outros – podes ajudar a colocar. Três pilares: os sonhos, a memória e a oração. A proximidade do Senhor dará – mesmo aos mais frágeis de nós – a força para empreender um novo caminho pelas estradas do sonho, da memória e da oração.

Uma vez o profeta Joel pronunciou esta promessa: «Os vossos anciãos terão sonhos e os jovens terão visões» (3, 1). O futuro do mundo está nesta aliança entre os jovens e os idosos. Quem, senão os jovens, pode agarrar os sonhos dos idosos e levá-los por diante? Mas, para isso, é necessário continuar a sonhar: nos nossos sonhos de justiça, de paz, de solidariedade reside a possibilidade de os nossos jovens terem novas visões e, juntos, construirmos o futuro. É preciso que testemunhes, também tu, a possibilidade de se sair renovado duma experiência dolorosa. E tenho a certeza de que não será a única, pois, na tua vida, terás tido tantas e sempre conseguiste triunfar delas. E, dessa experiência que tens, aprende como sair da provação atual.

Nisto se vê como os sonhos estão entrelaçados com a memória. Penso como pode ser de grande valor a memória dolorosa da guerra, e quanto podem as novas gerações aprender dela a respeito do valor da paz. E, a transmitir isto, és tu que viveste a tribulação das guerras. Recordar é uma missão verdadeira e própria de cada idoso: conservar na memória e levar a memória aos outros. Segundo Edith Bruck que sobreviveu à tragédia do Holocausto, «mesmo que seja para iluminar uma só consciência, vale a pena a fadiga de manter viva a recordação do que foi… e continua. Para mim, a memória é viver».[3] Penso também nos meus avós e naqueles de vós que tiveram de emigrar e sabem quanto custa deixar a própria casa, como fazem muitos ainda hoje à procura dum futuro. Talvez tenhamos algum deles ao nosso lado a cuidar de nós. Esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor. Mas, sem a memória, não se pode construir; sem alicerces, tu nunca construirás uma casa. Nunca. E os alicerces da vida estão na memória.

Por fim, a oração. Como disse o meu predecessor, Papa Bento (um idoso santo, que continua a rezar e trabalhar pela Igreja), «a oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o talvez de modo mais incisivo do que a fadiga de tantos».[4] Disse-o quase no fim do seu pontificado, em 2012. É belo! A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo (cf. Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 262). Sobretudo neste tempo tão difícil para a humanidade em que estamos – todos na mesma barca – a atravessar o mar tempestuoso da pandemia, a tua intercessão pelo mundo e pela Igreja não é vã, mas indica a todos a serena confiança de um porto seguro.

Querida avó, querido avô! Ao concluir esta minha mensagem, gostaria de indicar, também a ti, o exemplo do Beato (e proximamente Santo) Carlos de Foucauld. Viveu como eremita na Argélia e lá, naquele contexto periférico, testemunhou «os seus desejos de sentir todo o ser humano como um irmão» (Enc. Fratelli tutti, 287). A sua história mostra como é possível, mesmo na solidão do próprio deserto, interceder pelos pobres do mundo inteiro e tornar-se verdadeiramente um irmão e uma irmã universal.

Peço ao Senhor que cada um de nós, graças também ao seu exemplo, alargue o próprio coração e o torne sensível aos sofrimentos dos últimos e capaz de interceder por eles. Oxalá cada um de nós aprenda a repetir a todos, e em particular aos mais jovens, estas palavras de consolação que ouvimos hoje dirigidas a nós: «Eu estou contigo todos os dias». Avante e coragem! Que o Senhor vos abençoe.

Roma, São João de Latrão, na Festa da Visitação da Virgem Santa Maria, 31 de maio de 2021.

 

FRANCISCO

 

[1] O episódio é narrado no Protoevangelho de Tiago.

[2] Trata-se da imagem escolhida como logótipo do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos.

[3] «La memoria è vita, la scrittura è respiro», in L’Osservatore Romano (26 de janeiro de 2021).

[4] Visita à casa-família “Viva gli anziani”, 12 de novembro de 2012.

Diante das preocupações com os retrocessos agrários, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enviou carta ao Congresso Nacional manifestando preocupação com a

Diante das preocupações com os retrocessos agrários, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enviou carta ao Congresso Nacional manifestando preocupação com a PL, Projeto de Lei,  nº 510/2021, que tramita no instituição e trata dos direitos constitucionais dos povos, das águas e da florestas.

Na carta, a presidência da CNBB expressa sua preocupação com os riscos “para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto da pandemia da Covid-19”. A carta da CNBB reafirma as preocupações dos bispos da Amazônia já enviada ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Leia a carta na íntegra:

CARTA AO CONGRESO BRASILEIRO MEDIANTE OS GRAVES RETROCESSOS NA PAUTA AGRÁRIA E SOCIOAMBIENTAL

 

“Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar até a água potável, ou quando as autoridades deixam o caminho livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam a floresta e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata.”

(Papa Francisco – Querida Amazônia, 14)

Nós, do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, diante das discussões referentes aos projetos legislativos que tratam dos direitos constitucionais dos povos da terra, das águas e das florestas no Congresso Nacional, nos dirigimos aos senhores presidentes do Senado e da Câmara Federal, e aos demais membros dessas Casas, com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação.

Como a viúva, da parábola contada por Jesus (cf. Lc 18,1-8), pobre, mas firme na determinação por garantir seus direitos, que convenceu o juiz da cidade por meio de sua insistência, também nós, voltamos a reiterar o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza, certos de que este pleito por justiça será escutado.

Os bispos da Amazônia já haviam externado a preocupação por meio da carta ao Excelentíssimo senhor presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no início do mês passado, sobre o conteúdo do PL nº 510/2021. O caráter de urgência atribuído aos Projetos de Leis que tocam a pauta ambiental e agrária intensifica nossa preocupação. Em verdade, todos esses PLs são oriundos da mesma fonte: a MP nº 910/2019, a qual já havia sido denunciada como nociva aos povos, pelos bispos da Amazônia, há exatamente um ano, em nota pública.

Nossa preocupação é com os riscos destes Projetos para as populações campesinas e tradicionais no atual contexto de perpetuação da Pandemia da Covid-19, bem como o tempo necessário para que um Projeto de Lei de tamanha consequência para o País sem uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira. Trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada por meio dos respectivos Projetos de Leis. Defendemos que seus termos sejam de conhecimento e debate com o conjunto da sociedade brasileira como um todo, já que sua matéria envolve os direitos constitucionais das populações da terra, das águas e das floretas.

Se a MP nº 910/2019 havia sido obstada exatamente por se tratar de medida provisória, sem o necessário tempo para discussão com a sociedade brasileira, o PL nº2633/2020, em sendo conferido caráter de urgência na tramitação na Câmara dos Deputados, sujeita-se à mesma crítica que obstou a referida Medida Provisória, da qual é originário. Ainda mais porque a ele foi apensado o PL 1730/2021, que se trata de uma cópia do PL 510/2021 do Senado, considerado um dos mais preocupantes projetos de flexibilização da regularização fundiária no Brasil, conforme externamos em nossa carta aos senadores.

Como dito na mencionada carta dos bispos da Amazônia:

“A regularização fundiária no Brasil é extremamente relevante e requer a atenção da sociedade. Mas, numa situação de emergência como a que enfrentamos com a pandemia, não há urgência ou lacuna legal que justifique o retorno de um PLs sobre tema tão complexos, pois a legislação vigente (Lei 11.952/2009) já atende aos pequenos e médios produtores. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) são quase 200 mil posseiros que podem receber seu título de propriedade. O que falta, no entanto, é fortalecer a estrutura dos órgãos responsáveis para fazer valer a lei fundiária brasileira e as políticas públicas de incentivo à produção familiar. E para os que ocupam e produzem em terras públicas há décadas, a legislação atual já é suficiente.”

Assim,

  • Considerando que o caráter de urgência à tramitação do PL 2633/2020 e PL 1730/2021 retira a possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira;
  • Considerando a necessidade de dar voz aos povos da terra e das florestas, sobretudo aos agricultores familiares e comunidades tradicionais que seriam afetados diretamente com os termos do Projeto de Lei 510/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, que objetivam instaurar novas regras para processos de regularização fundiária favorecendo a grilagem de terras no Brasil, como também o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, que visa restringir das demarcações de terras indígenas com base na tese do marco temporal;
  • Considerando que a pandemia prejudica o debate das populações vulneráveis mais afetadas sujeitos de direitos dos projetos de Leis em tramitação;
  • Considerando que a grilagem de terras públicas é responsável por 1/3 (um terço) do desmatamento no Brasil, além de ser promotora de violência no campo brasileiro;
  • Considerando que os Projetos de Leis atinentes à regularização fundiária flexibilizam procedimentos para a titulação de terras por meio da autodeclaração e dispensam a exigência de vistoria para a regularização dessas áreas;
  • Considerando que o crescimento do desmatamento ilegal na Amazônia precisa ser combatido de forma urgente e que o PL 2159/2021 no Senado Federal e o PL 2633/2020 na Câmara Federal podem ter como consequência o estímulo ao desmatamento;
  • Considerando que os Projetos de Leis em pauta possibilitam a titulação de terras com pendências ambientais e alvo de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis;
  • Considerando que o Projeto de Lei 510/2021 e o Projeto de Lei 2159/2021, no Senado Federal, e os Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021 e o Projeto de Lei 490/2007, na Câmara dos Deputados, tratam de patrimônio público que será entregue à iniciativa privada, com tamanho ataque aos biomas e aos seus respectivos povos, verdadeiros guardiões da natureza, sem audiências públicas;

Nós, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis 2633/2020 e 1730/2021, na Câmara dos deputados, como também dos demais Projetos de Leis em tramitação supracitados (PL 510/2020 e PL 2159/2021 no Senado e PL 490/2020 na Câmara), e se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano.

Pedimos ao Deus da vida, que sempre nos acompanha e nos socorre, esteja conosco em mais esse momento de luta e na defesa intransigente da justiça e da vida dos nossos povos.

Brasília-DF, 17 de junho de 2021.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Secretário-Geral da CNBB

 

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil convida todos para um dia de oração pelas vítimas de covid. A iniciativa surgiu na perspectiva de

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil convida todos para um dia de oração pelas vítimas de covid. A iniciativa surgiu na perspectiva de atingirmos o número triste de 500 mortes.  A proposta é de prestar solidariedade e, principalmente sensibilizar as pessoas para intensificarem as orações.

O arcebispo de Vitória, dom Dario Campos acolheu a solicitação da CNBB e “recomenda que nesse fim de semana se inclua nas prece dos fiéis uma intenção particular em sufrágio das vítimas e pelas famílias enlutadas. Onde houver soar os sinos das nossas igrejas que se faça um instante de silêncio no momento dessa prece. Esta será a nossa forma de manifestar nossa solidariedade às famílias enlutadas.

Leia a notícia publicada no site da CNBB.

Com o mote de que “Toda vida importa“, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza no próximo sábado, 19 de junho, um dia de sensibilização e orações em memória dos mortos pelo novo coronavírus. Com a previsão de o país atingir 500 mil mortes no próximo sábado, a Conferência escolheu a data para manifestar solidariedade, esperança e consolo.

Redes sociais

Durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada nesta quarta e quinta-feira, 16 e 17 de junho, a iniciativa foi apresentada aos bispos. A proposta é que os prelados utilizem a identidade visual da ação como foto de perfil nas redes sociais, bem como a hastag #todavidaimporta nas publicações. Outra sugestão é que os sinos das Igrejas toquem às 15h de sábado.

 

Estão disponíveis a logo da campanha, o vídeo com a oração e cards para as redes sociais.
Para baixar, acesse aqui.

Missa

No mesmo horário, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside a Santa Missa na intenção das 500 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. A celebração será no Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), com transmissão pelas redes sociais da CNBB e por emissoras de TV de inspiração católica, como TV Horizonte, TV Pai Eterno, Rádio e Rede Imaculada e TV Nazaré.

Oração

A CNBB também vai oferecer um vídeo de oração pelos 500 mil mortos na pandemia. Composta pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a oração será narrada pelo jornalista Silvonei José, que atua em Vatican News. A sugestão é que as emissoras de TV utilizem o material ao final dos telejornais, como uma homenagem aos que se foram ou em outros programas. O vídeo também será distribuído nas redes sociais da CNBB e rádios católicas.

A oração lembra dos irmãos e irmãs que morreram em decorrência da pandemia do novo coronavírus, “muitas sem o mínimo necessário para o tratamento digno como ser humano”. O pedido é que Deus Pai acolha esses filhos e filhas e conceda-lhes a paz eterna. A prece também é que o povo brasileiro possa trabalhar por solidariedade, acolhimento, partilha, compreensão e resiliência. “Que a saudade seja estímulo à fraternidade!
E que a fé seja o sustento de nossa esperança!”.