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Em mensagem por vídeo, o Papa Francisco fala sobre condições de trabalho, desemprego e direitos entre outros. A mensagem foi enviada à 109ª Conferência

Em mensagem por vídeo, o Papa Francisco fala sobre condições de trabalho, desemprego e direitos entre outros. A mensagem foi enviada à 109ª Conferência Internacional do Trabalho que acontece hoje em Genebra. Leia a matéria publicada no site Vatican News:

O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo, em espanhol, aos participantes da 109ª Conferência Internacional do Trabalho que se realiza, em Genebra, nesta quinta-feira.

Promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o evento reúne representantes de Governos, e organizações de empregadores e trabalhadores. “Esta Conferência foi convocada num momento crucial da história social e econômica, que apresenta desafios sérios e abrangentes para o mundo inteiro. Nos últimos meses, a Organização Internacional do Trabalho, através de seus relatórios regulares realizou um trabalho louvável ao dedicar atenção especial a nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis”, disse o Papa na videomensagem.

Segundo Francisco, “aderir a um sindicato é um direito”. A seguir, invoca “uma profunda reforma da economia” e um trabalho “realmente e essencialmente humano”, porque o atual para muitos trabalhadores diaristas, migrantes e trabalhadores precários e sobretudo para muitas mulheres, começando pelas empregadas domésticas, cuidadoras e vendedoras ambulantes, é “perigoso, sujo e degradante”.

Ajudar quem está à margem do trabalho

No vídeo, Francisco convida a Igreja e os governantes a darem uma resposta incisiva àqueles que se encontram “à margem do mundo do trabalho”, esmagados pelas consequências dramáticas da Covid.

Muitos migrantes e trabalhadores vulneráveis e suas famílias são geralmente excluídos do acesso a programas nacionais de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e assistência, bem como dos planos de proteção financeira e serviços psicossociais.

Segundo o Bispo de Roma, este é “um dos muitos casos da filosofia do descarte que nos acostumamos a impor em nossas sociedades”. Uma exclusão que “complica a detecção precoce, a execução de testes, diagnósticos, rastreamento de contatos e busca de assistência médica para a Covid-19” para refugiados e migrantes, e assim “aumenta o risco de surtos nessas populações”.

Desemprego, jovens fora do mercado, tráfico humano

Francisco entra nos gânglios da emergência trabalhista, pré-existente, mas agravada pela pandemia. Ele enumera os danos causados pela “falta de medidas de proteção social diante do impacto da Covid-19”: aumento da pobreza, desemprego, subemprego, atraso na inserção dos jovens no mercado de trabalho, exploração infantil, tráfico de pessoas, insegurança alimentar, maior exposição a infecções para os doentes e idosos.

“A diminuição do horário de trabalho nos últimos anos resultou tanto na perda de empregos quanto na redução da jornada de trabalho para aqueles que o mantiveram. Muitos serviços públicos, assim como muitas empresas, enfrentaram enormes dificuldades, algumas correndo o risco de falência total ou parcial. Em todo o mundo, vimos perdas de empregos sem precedentes em 2020”.

Condições de trabalho decentes e dignas

“Com a pressa de voltar a uma maior atividade econômica no final da ameaça da Covid-19, evitamos as pesadas fixações no lucro, o isolamento e o nacionalismo, o consumismo cego e a negação das evidências claras que denotam a discriminação dos nossos irmãos e irmãs ‘elimináveis’ em nossa sociedade”, ressalta o Pontífice.

Buscamos soluções que nos ajudem a construir um novo futuro de trabalho baseado em condições de trabalho decentes e dignas que venham da negociação coletiva e promovam o bem comum.

Um diálogo entre governos, empresários e trabalhadores

O Papa volta o seu olhar para as categorias sociais mais vulneráveis: jovens, migrantes, indígenas e pobres que “não podem ser deixados de lado num diálogo que também deveria reunir governos, empresários e trabalhadores”. As confissões religiosas e as comunidades também devem se comprometer juntas, pois só através do diálogo amplo é que pode ser alcançado “um futuro solidário e sustentável para nossa casa comum”. Um verdadeiro diálogo se instaura quando “todos aqueles que dialogam estão no mesmo nível de direitos e deveres”.

Prestar atenção às necessidades particulares das mulheres

Quando se trata de igualdade de direitos, os nossos pensamentos se voltam especialmente para as mulheres, começando pelas vendedoras ambulantes e trabalhadoras domésticas, que sofrem o impacto do coronavírus em termos de “isolamento” ou “exposição extrema a riscos à saúde”.

Sem creches acessíveis, os filhos dessas trabalhadoras estão expostos a um risco maior à saúde porque as mães devem levá-los para o local de trabalho ou deixá-los em casa sem sozinhos.

“É necessário assegurar que a assistência social chegue à economia informal e preste especial atenção às necessidades particulares das mulheres e meninas”, insiste Francisco.

A violência contra a mulher é vergonhosa

E ainda sobre as mulheres, ele denuncia as situações extremas que surgiram em vários países durante a pandemia. São muitas, demasiadas, mulheres que “continuam clamando por liberdade, justiça e igualdade entre todas as pessoas humanas”, afirma o Papa. É verdade que houve “melhorias notáveis ​​no reconhecimento dos direitos das mulheres e na sua participação no espaço público”, mas ainda há muito a ser feito, pois “costumes inaceitáveis ​​ainda não foram completamente erradicados”. Em primeiro lugar, a “violência vergonhosa” que resulta em maus-tratos familiares, escravidão ou na “desigualdade de acesso a empregos dignos e aos locais onde se tomam decisões”.

Apoiar sistemas de proteção social

Com vigor, o Papa Francisco pede o apoio e a ampliação dos sistemas de proteção social, “que por sua vez enfrentam riscos importantes”, para que possam garantir o acesso aos serviços de saúde, alimentação e necessidades humanas básicas.

O direito de sindicalização

O Papa também pede para que seja garantido o respeito dos direitos fundamentais dos trabalhadores, incluindo o da sindicalização: “A adesão a um sindicato é um direito. A crise da Covid-19 já afetou os mais vulneráveis e eles não devem ser afetados negativamente por medidas para acelerar uma retomada que se concentre unicamente nos indicadores econômicos”.

O vírus da indiferença egoísta

Para o Papa, “uma profunda reforma da economia” é urgente e necessária, porque “uma sociedade não pode progredir descartando”. O risco é de fato “ser atacado por um vírus ainda pior que a Covid-19: o da indiferença egoísta”.

Este vírus se propaga ao pensar que a vida é melhor se for melhor para mim, e que tudo está bem se estiver bem para mim, e assim começamos e terminamos selecionando uma pessoa ao invés de outra, descartando os pobres, sacrificando aqueles que ficaram para trás no chamado “altar do progresso”. É uma verdadeira dinâmica elitista, de constituição de novas elites ao preço do descarte de muitas pessoas e povos.

Em vez disso, a pandemia mostrou que “não há diferenças ou confins entre os que sofrem. Somos todos frágeis e, ao mesmo tempo, todos de grande valor…”.

Pio XI e a Grande Depressão

Lembrando, em 1931, a crise de Wall Street e a Grande Depressão, quando Pio XI falou contra a assimetria entre trabalhadores e empresários, Francisco também pede proteção para os trabalhadores “do jogo da desregulamentação”. Ele espera que as normas jurídicas sejam orientadas “para o crescimento do emprego, do trabalho digno e dos direitos e deveres da pessoa humana”.

Um trabalho que cuida

O Pontífice não esquece os trabalhadores dos chamados empregos “não standard”, sem proteção social e particularmente vulneráveis. Para eles, como para todos, uma única e simples ação é necessária: “cuidado”.

“O trabalho que não cuida, que destrói a Criação, que põe em perigo a sobrevivência das gerações futuras, não respeita a dignidade dos trabalhadores e não pode ser considerado digno. Pelo contrário, o trabalho que se preocupa, contribui para a restauração da plena dignidade humana, ajudará a garantir um futuro sustentável para as gerações futuras”.

Libertar-se da herança do Iluminismo

Toda empresa deve se perguntar cotidianamente “se ela cuida de seus trabalhadores”, diz Francisco. E junto com o cuidado, ele fala da cultura, ou melhor, das muitas culturas do mundo, começando pelas indígenas ou populares, muitas vezes marginalizadas, que se, em vez disso, se entrelaçassem, levariam ao enriquecimento.

Acredito que é hora de finalmente nos livrarmos da herança do Iluminismo, que associou a palavra cultura a um certo tipo de formação intelectual e pertença social. Cada povo tem sua própria cultura e nós devemos aceitá-la como ela é.

Daí, novamente, um convite para “enfrentar os efeitos destruidores do império do dinheiro”.

Apelo aos políticos, sindicalistas e empresários

No final da mensagem de vídeo, o Papa Francisco se dirige a cada um dos “atores institucionalizados do mundo do trabalho” que poderiam favorecer as mudanças já em curso: “A sua responsabilidade é grande, mas o bem que você pode alcançar é ainda maior”. Em seguida, ele fala aos políticos e governantes, pedindo-lhes que se inspirem “naquela forma de amor que é a caridade política”; fala aos sindicalistas e líderes de associações de trabalhadores, advertindo-os contra a corrupção e exortando-os “a não se deixarem fechar numa camisa de força”, mas “a se concentrarem nas situações concretas dos bairros e comunidades em que trabalham”. Ele fala, por fim, aos empresários que têm a vocação de “produzir riqueza a serviço de todos” através da criação de oportunidades de trabalho diversificadas.

Propriedade privada, um direito secundário

Para eles, o Pontífice lembra, como já mencionado na encíclica Fratelli Tutti, que “junto com o direito de propriedade privada, existe o direito prioritário e precedente da subordinação de toda propriedade privada ao destino universal dos bens da terra e, portanto, o direito de todos ao seu uso”. A propriedade privada, reitera o Papa, “é um direito secundário”, dependente do “direito primário, que é o destino universal dos bens”.

Acordo entre Iphan, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assinam no dia de hoje,

Acordo entre Iphan, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assinam no dia de hoje, 16 de maio de 2021 às 14h30, Acordo de Cooperação Técnica. Leia a matéria produzida e divulgada pela CNBB.

Hoje Igrejas, conventos, residências e acervos de arte sacra estão entre os bens culturais incluídos em acordo de cooperação técnica a ser firmado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na tarde desta quarta-feira, 16, às 14h30.

As duas instituições estabelecem uma parceria para realizar ações conjuntas de preservação e valorização do Patrimônio Cultural sob gestão da Igreja Católica no Brasil. Cerca de um terço do total dos bens tombados pelo Iphan serão abrangidos pelo novo acordo.

Patrimônio Cultural da Igreja no Brasil

Com vigência de três anos, o acordo prevê um conjunto de ações, que vão desde o diagnóstico dos bens tombados a ações educativas, passando ainda pela identificação desse Patrimônio Cultural, estabelecimento de diretrizes para intervenções, fomento à conservação e capacitação de quadros da CNBB e seus colaboradores para a gestão de imóveis e acervos. O acordo não abarca repasse de recursos financeiros entre as duas instituições; o custeio das ações deverá ser feito por meio do orçamento de cada uma delas.

Durante o evento de lançamento, que ocorre no auditório da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), haverá ainda o lançamento do selo criado especialmente para celebrar a parceria. Na sequência, o acordo de cooperação técnica será assinado. O evento conta com a presença do bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, e da presidente do Iphan, Larissa Peixoto. A cerimônia terá transmissão online.

“O acordo consolida um longo diálogo entre a Igreja Católica e o Iphan, ampliando as possibilidades de preservação e promoção do Patrimônio Cultural eclesiástico”, avalia a presidente do Iphan, Larissa Peixoto. “Os bens continuam sob propriedade da Igreja, mas abrimos novos caminhos para melhorar a gestão desses bens, para os fiéis, o turismo religioso e a sociedade de maneira mais ampla.”

Patrimônio católico

O acordo de cooperação busca conferir à Igreja e a seus colaboradores os instrumentos necessários para preservação do acervo sob sua responsabilidade. Por meio de ações preventivas, com a integração e alinhamento das informações entre as instituições, está prevista, dentre outras atividades, a elaboração de materiais de orientação e capacitação, desenvolvimento de planos de conservação e articulação com os cursos já existentes nas Pontifícias Universidades Católicas e fomento à criação de outros.

Para a efetivação das atividades, serão considerados os estudos e ações já realizados por ambas as instituições, avaliando-os e avançando em estratégias comuns. Após a assinatura do acordo, serão definidos projetos-piloto para cada etapa prevista.

“O acordo expressa o reconhecimento do quanto nossos antepassados fizeram, a corresponsabilidade entre Igreja e Estado na preservação dos bens culturais materiais e o respeito pela destinação religiosa, como primeira finalidade de todo esse acervo”, avalia dom Joel Portella Amado. “Cuidar, portanto, desse acervo é cuidar também da memória e dos valores mais profundos de um povo, respeitando sua história, preservando seu passado para consolidar valores importantes no presente e, com certeza, colaborar na construção do futuro.”

Os bens que podem ser beneficiados pelo acordo estão distribuídos por todo o Brasil. Há igrejas, complexos e outras edificações, além de bens móveis, como imagens de santos católicos e outros objetos de arte sacra. A Igreja da Sé, de onde parte o Círio de Nazaré, em Belém (PA), é um exemplo, ao lado de outros templos religiosos tombados individualmente, como a Catedral Metropolitana de Brasília (DF), a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, no Rio de Janeiro (RJ), e do Senhor do Bonfim, em Salvador (BA). Ainda podem ser beneficiados os bens inseridos em cidades com conjuntos urbanos tombados, a exemplo de Ouro Preto (MG), Alcântara (MA) e Paraty (RJ).

As edificações de propriedade da Igreja Católica foram erigidas desde o período colonial, demarcando diferentes períodos da história do Brasil. Desde a criação do Iphan, em 1937, previu-se a necessidade de cooperação com autoridades eclesiásticas, dada a representatividade desses bens para o Patrimônio Cultural.

Na década de 1970, a CNBB publicou o Documento Base sobre a Arte Sacra que orientou os responsáveis pelos acervos culturais nas ações da gestão e promoção dos seus bens culturais eclesiásticos. E, em 2008, acordo internacional entre o Brasil e a Santa Sé previu a cooperação para salvaguardar, conservar, valorizar a preservar os bens culturais eclesiásticos.

Desde o ano passado, com a elaboração do I Plano de Gestão de Bens Culturais Materiais, se iniciou o diálogo para uma parceria entre Iphan e CNBB, considerando o elevado número de bens culturais católicos acautelados. Ainda em 2020, foram formalizadas as tratativas para a construção de um documento que contivesse os termos do acordo. O acordo de cooperação assinado será publicado na edição da próxima segunda-feira, 21, do Diário Oficial da União (DOU).

Acontece de hoje até dia 17 a 16ª edição do Fórum Globsec Bratislava, na Eslováquia. Esta edição que se realiza em modelo híbrido: presencial

Acontece de hoje até dia 17 a 16ª edição do Fórum Globsec Bratislava, na Eslováquia. Esta edição que se realiza em modelo híbrido: presencial e online tem como tema ‘Re construamos melhor o mundo’.

O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo para este encontro e aponta caminhos: Corrigir o que não funcionava antes da pandemia – Reconhecer a igualdade de cada ser humano – Ter uma visão abrangente e de esperança. Leia a matéria produzida e publicada pelo Vatican News.

Francisco: converter a morte em vida, as armas em alimento

Na videomensagem enviada hoje para a abertura do Fórum Globosec Bratislava, na Eslováquia, o Papa olha para o mundo a ser construído depois da pandemia e “desenvolver uma ideia de retomada” que reconstrói, corrige “o que não funcionava antes da chegada do coronavírus e que contribuiu para piorar a crise”.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo, nesta terça-feira (15/06), aos participantes da 16ª edição do Fórum Globsec Bratislava, na Eslováquia, que se realiza em presença e também on-line, sobre o tema “Reconstruamos melhor o mundo”.

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O evento conta com a participação de políticos como o presidente francês, Emmanuel Macron, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, líderes de opinião, empresários e organizações internacionais de hoje a 17 de junho.

Ver, julgar e agir. Estes três verbos citados pelo Papa Francisco na videomensagem, indicam o caminho para que o mundo saia melhor da crise causada pela pandemia de coronavírus.

Corrigir o que não funcionava antes da pandemia

Segundo o Papa, o primeiro passo a ser dado é ver o mundo que entrou em crise, analisar o seu passado, reconhecer “as carências sistêmicas”, os “erros cometidos” também em relação à Criação. A partir disso, “desenvolver uma ideia de retomada” que reconstrói, corrige “o que não funcionava antes da chegada do coronavírus e que contribuiu para piorar a crise”.

“Vejo um mundo que foi enganado por uma sensação ilusória de segurança baseada na fome de lucro. Vejo um modelo de vida econômica e social caracterizado por tanta desigualdade e egoísmo, em que uma pequena minoria da população mundial possui a maioria dos bens, muitas vezes não hesitando em explorar pessoas e recursos.”

“Vejo um estilo de vida que não cuida o suficiente do ambiente”, ressalta Francisco, enfatizando o hábito “de consumir e destruir sem restrições aquilo que pertence a todos e que deve ser protegido com respeito, criando uma “dívida ecológica” suportada sobretudo pelos pobres e pelas gerações futuras”.

Reconhecer a igualdade de cada ser humano

“O segundo passo é avaliar o que vimos”, ressalta o Papa. “A crise abre novas possibilidades: de fato, é um desafio aberto para enfrentar a situação atual, para transformar o tempo de provação num tempo de escolha. Uma crise obriga a escolher, para o bem ou para o mal. De uma crise, como eu já disse, não se      sai igual: ou se sai melhor ou pior. Mas nunca o mesmo”, afirma Francisco. “Julgar o que vimos e vivemos nos impele a melhorar”, a “dar passos adiante”.

“A crise que afetou a todos nos lembra que ninguém se salva sozinho. A crise nos abre o caminho para um futuro que reconhece a verdadeira igualdade de cada ser humano: não uma igualdade abstrata, mas concreta, que oferece às pessoas e aos povos oportunidades justas e reais de desenvolvimento.”

Uma visão abrangente e de esperança

Neste caminho, o último passo é agir para não desperdiçar a oportunidade da crise, “diante das injustiças sociais e da marginalização”, com um modelo que coloca no centro o respeito por todas as pessoas.

Toda ação precisa de uma visão, uma visão abrangente e de esperança: uma visão como a do profeta bíblico Isaías, que viu espadas transformarem-se em arados, as lanças em foices. Agir para o desenvolvimento de todos é realizar um trabalho de conversão. E antes de tudo decisões que convertem a morte em vida, as armas em alimento. Todos nós precisamos empreender também uma conversão ecológica. A visão de conjunto inclui a perspectiva da criação entendida como uma “casa comum” e exige uma ação urgente para protegê-la.”

O Papa espera que os debates destes dias ajudem a criar “um modelo de retomada capaz de gerar soluções mais inclusivas e sustentáveis; um modelo de desenvolvimento baseado na convivência pacífica entre os povos e na harmonia com a criação”.

O Papa Francisco divulgou mensagem para o Dia Mundial dos Pobres 2021. O tema é uma frase do Evangelho de São Marcos (14,7): “Sempre

O Papa Francisco divulgou mensagem para o Dia Mundial dos Pobres 2021. O tema é uma frase do Evangelho de São Marcos (14,7): “Sempre tereis pobres entre vós”. A data foi instituída pelo próprio Papa Francisco em 20 de novembro de 2016, quando estabeleceu o 33° Domingo do Tempo Comum como marco para o evento. Este ano será no dia 14 de novembro. O Papa explica a escolha do tema: «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem.

Leia a mensagem na íntegra:

Mensagem do Papa Francisco para o V Dia Mundial dos Pobres

Para o V Dia Mundial dos Pobres que será celebrada no próximo dia 14 de novembro o Papa Francisco apresentou a sua mensagem que inicia com as palavras: “Sempre tereis pobres entre vós” do Evangelho de São Marcos

«Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7)

1. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): estas palavras foram pronunciadas por Jesus, alguns dias antes da Páscoa, por ocasião duma refeição em Betânia na casa de Simão chamado «o leproso». Como narra o evangelista, entrou lá uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume muito precioso e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. Este gesto suscitou grande estupefação e deu origem a duas interpretações diversas.

A primeira delas é a indignação de alguns dos presentes, incluindo os discípulos, que, ao considerar o valor do perfume (cerca de 300 denários, equivalente ao salário anual dum trabalhador), pensam que teria sido melhor vendê-lo e dar o produto aos pobres. Segundo o Evangelho de João, é Judas que se faz intérprete desta posição: «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?». E o evangelista observa: «Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava» (Jo 12, 5-6). Não é por acaso que esta crítica dura sai da boca do traidor: é a prova de que, quantos não reconhecem os pobres, atraiçoam o ensinamento de Jesus e não podem ser seus discípulos. Recordemos, a este propósito, as palavras fortes de Orígenes: «Judas, aparentemente, estava preocupado com os pobres. (…) Se, agora, ainda houver alguém que tem a bolsa da Igreja e fala a favor dos pobres como Judas, mas depois tira o que metem lá dentro, então tenha parte juntamente com Judas» (Comentário ao Evangelho de Mateus 11, 9).

A segunda interpretação é dada pelo próprio Jesus e permite individuar o sentido profundo do gesto realizado pela mulher. Diz Ele: «Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em Mim uma boa ação» (Mc 14, 6). Jesus sabe que está próxima a sua morte e vê, naquele gesto, a antecipação da unção do seu corpo sem vida antes de ser colocado no sepulcro. Esta visão ultrapassa todas as expetativas dos convivas. Jesus recorda-lhes que Ele é o primeiro pobre, o mais pobre entre os pobres, porque os representa a todos. E é também em nome dos pobres, das pessoas abandonadas, marginalizadas e discriminadas que o Filho de Deus aceita o gesto daquela mulher. Esta, com a sua sensibilidade feminina, demonstra ser a única que compreendeu o estado de espírito do Senhor. Esta mulher anónima – talvez por isso destinada a representar todo o universo feminino que, no decurso dos séculos, não terá voz e sofrerá violências –, inaugura a significativa presença de mulheres que participam no momento culminante da vida de Cristo: a sua crucifixão, morte e sepultura e a sua aparição como Ressuscitado. As mulheres, tantas vezes discriminadas e mantidas ao largo dos postos de responsabilidade, nas páginas do Evangelho são, pelo contrário, protagonistas na história da revelação. E é eloquente a frase conclusiva de Jesus, que associa esta mulher à grande missão evangelizadora: «Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há de contar-se também, em sua memória, o que ela fez» (Mc 14, 9).

2. Esta forte «empatia» entre Jesus e a mulher e o modo como Ele interpreta a sua unção, em contraste com a visão escandalizada de Judas e doutros, inauguram um fecundo caminho de reflexão sobre o laço indivisível que existe entre Jesus, os pobres e o anúncio do Evangelho.

Com efeito, o rosto de Deus que Ele revela é o de um Pai para os pobres e próximo dos pobres. Toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no nosso meio. Não O encontramos quando e onde queremos, mas reconhecemo-Lo na vida dos pobres, na sua tribulação e indigência, nas condições por vezes desumanas em que são obrigados a viver. Não me canso de repetir que os pobres são verdadeiros evangelizadores, porque foram os primeiros a ser evangelizados e chamados a partilhar a bem-aventurança do Senhor e o seu Reino (cf. Mt 5, 3).

Os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai. Eles «têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo. Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198-199).

3. Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte. Isto constitui também um forte ensinamento para os seus discípulos de todos os tempos. As suas palavras – «sempre tereis pobres entre vós» – pretendem indicar também isto: a sua presença no meio de nós é constante, mas não deve induzir àquela habituação que se torna indiferença, mas empenhar numa partilha de vida que não prevê delegações. Os pobres não são pessoas «externas» à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. Aliás sabe-se que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça. Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele.

Temos muitos exemplos de Santos e Santas que fizeram da partilha com os pobres o seu projeto de vida. Penso, entre outros, no Padre Damião de Veuster, Santo apóstolo dos leprosos. Com grande generosidade, respondeu à vocação de ir para a ilha de Molokai – tinha-se tornado um gueto acessível apenas aos leprosos –, a fim de viver e morrer com eles. Lançando-se ao trabalho, tudo fez para tornar digna de ser vivida a existência daqueles pobres doentes e marginalizados, reduzidos à degradação extrema. Fez-se médico e enfermeiro, sem se preocupar com os riscos que corria, levando a luz do amor àquela «colónia de morte», como era designada a ilha. A lepra atingiu-o também a ele, sinal duma partilha total com os irmãos e irmãs pelos quais dera a vida. O seu testemunho é muito atual nestes nossos dias, marcados pela pandemia de coronavírus: com certeza a graça de Deus está em ação no coração de muitas pessoas que, sem dar nas vistas, se gastam concretamente partilhando a sorte dos mais pobres.

4. Por isso precisamos de aderir com plena convicção ao convite do Senhor: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15). Esta conversão consiste, primeiro, em abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza e, depois, em manifestar o Reino de Deus através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos. Com frequência, os pobres são considerados como pessoas aparte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial. Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação. Tornar-se seu discípulo implica a opção de não acumular tesouros na terra, que dão a ilusão duma segurança em realidade frágil e efémera; ao contrário, requer disponibilidade para se libertar de todos os vínculos que impedem de alcançar a verdadeira felicidade e bem-aventurança, para reconhecer aquilo que é duradouro e que nada e ninguém pode destruir (cf. Mt 6, 19-20).

Mas o ensinamento de Jesus aparece em contracorrente também neste caso, porque promete aquilo que só os olhos da fé podem ver e experimentar com certeza absoluta: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Se não se optar por tornar-se pobre de riquezas efémeras, poder mundano e vanglória, nunca se sará capaz de dar a vida por amor; viver-se-á uma existência fragmentária, cheia de bons propósitos mas ineficaz para transformar o mundo. Trata-se, portanto, de abrir-se decididamente à graça de Cristo, que pode tornar-nos testemunhas da sua caridade sem limites e restituir credibilidade à nossa presença no mundo.

5. O Evangelho de Cristo impele a ter uma atenção muito particular para com os pobres e requer que se reconheça as múltiplas, demasiadas, formas de desordem moral e social que sempre geram novas formas de pobreza. Parece ganhar terreno a conceção segundo a qual os pobres não só são responsáveis pela sua condição, mas constituem também um peso intolerável para um sistema económico que coloca no centro o interesse dalgumas categorias privilegiadas. Um mercado que ignora ou discrimina os princípios éticos cria condições desumanas que se abatem sobre pessoas que já vivem em condições precárias. Deste modo assiste-se à criação incessante de armadilhas novas da miséria e da exclusão, produzidas por agentes económicos e financeiros sem escrúpulos, desprovidos de sentido humanitário e responsabilidade social.

Além disso, no ano passado, veio juntar-se outra praga que multiplicou ainda mais o número dos pobres: a pandemia. Esta continua a bater à porta de milhões de pessoas e, mesmo quando não traz consigo o sofrimento e a morte, todavia é portadora de pobreza. Os pobres têm aumentado desmesuradamente e o mesmo, infelizmente, continuará a verificar-se ainda nos próximos meses. Alguns países estão a sofrer gravíssimas consequências devido à pandemia, a ponto de as pessoas mais vulneráveis se encontrarem privadas de bens de primeira necessidade. As longas filas diante das cantinas para os pobres são o sinal palpável deste agravamento. Um olhar atento requer que se encontrem as soluções mais idóneas para combater o vírus a nível mundial, sem olhar a interesses de parte. De modo particular, é urgente dar respostas concretas a quantos padecem o desemprego, que atinge de maneira dramática tantos pais de família, mulheres e jovens. A solidariedade social e a generosidade de que muitos, graças a Deus, são capazes, juntamente com projetos clarividentes de promoção humana, estão a dar e darão um contributo muito importante nesta conjuntura.

6. Entretanto permanece de pé uma questão, nada óbvia: Como se pode dar uma resposta palpável aos milhões de pobres que tantas vezes, como resposta, só encontram a indiferença, quando não a aversão? Qual caminho de justiça é necessário percorrer para que as desigualdades sociais possam ser superadas e seja restituída a dignidade humana tão frequentemente espezinhada? Um estilo de vida individualista é cúmplice na geração da pobreza e, muitas vezes, descarrega sobre os pobres toda a responsabilidade da sua condição. Mas a pobreza não é fruto do destino; é consequência do egoísmo. Portanto é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação. Há muitas pobrezas dos «ricos» que poderiam ser curadas pela riqueza dos «pobres», bastando para isso encontrarem-se e conhecerem-se. Ninguém é tão pobre que não possa dar algo de si na reciprocidade. Os pobres não podem ser aqueles que apenas recebem; devem ser colocados em condição de poder dar, porque sabem bem como corresponder. Quantos exemplos de partilha diante dos nossos olhos! Os pobres ensinam-nos frequentemente a solidariedade e a partilha. É verdade que são pessoas a quem falta algo e por vezes até muito, se não mesmo o necessário; mas não falta tudo, porque conservam a dignidade de filhos de Deus que nada e ninguém lhes pode tirar.

7. Impõe-se, pois, uma abordagem diferente da pobreza. É um desafio que os governos e as instituições mundiais precisam de perfilhar, com um modelo social clarividente, capaz de enfrentar as novas formas de pobreza que invadem o mundo e marcarão de maneira decisiva as próximas décadas. Se os pobres são colocados à margem, como se fossem os culpados da sua condição, então o próprio conceito de democracia é posto em crise e fracassa toda e qualquer política social. Com grande humildade, temos de confessar que muitas vezes não passamos de incompetentes a respeito dos pobres: fala-se deles em abstrato, fica-se pelas estatísticas e pensa-se sensibilizar com qualquer documentário. Ao contrário, a pobreza deveria incitar a uma projetação criativa, que permita fazer aumentar a liberdade efetiva de conseguir realizar a existência com as capacidades próprias de cada pessoa. Pensar que a posse de dinheiro consinta e aumente a liberdade é uma ilusão de que devemos afastar-nos. Servir eficazmente os pobres incita à ação e permite encontrar as formas mais adequadas para levantar e promover esta parte da humanidade, demasiadas vezes anónima e sem voz, mas que em si mesma traz impresso o rosto do Salvador que pede ajuda.

8. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. Como pano de fundo, pode-se vislumbrar o antigo mandamento bíblico: «Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra» (Dt 15, 7-8.10-11). E no mesmo cumprimento de onda se coloca o apóstolo Paulo, quando exorta os cristãos das suas comunidades a socorrer os pobres da primeira comunidade de Jerusalém e a fazê-lo «sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Não se trata de serenar a nossa consciência dando qualquer esmola, mas antes contrastar a cultura da indiferença e da injustiça com que se olha os pobres.

Neste ponto, faz-nos bem recordar as palavras de São João Crisóstomo: «Quem é generoso não deve pedir contas do comportamento, mas somente melhorar a condição de pobreza e satisfazer a necessidade. O pobre só tem uma defesa: a sua pobreza e a condição de necessidade em que se encontra. Não lhe peças mais nada; mesmo que fosse o homem mais malvado do mundo, se lhe vier a faltar o alimento necessário, libertemo-lo da fome. (…) O homem misericordioso é um porto para quem está em necessidade: o porto acolhe e liberta do perigo todos os náufragos, sejam eles malfeitores, bons ou como forem. Aos que se encontram em perigo, o porto acolhe-os, coloca-os em segurança dentro da sua enseada. Também tu, portanto, quando vês por terra um homem que sofreu o naufrágio da pobreza, não o julgues, nem lhe peças conta do seu comportamento, mas liberta-o da desventura» (Discursos sobre o pobre Lázaro, II, 5).

9. É decisivo aumentar a sensibilidade para se compreender as exigências dos pobres, sempre em mutação por força das condições de vida. Com efeito, nas áreas economicamente mais desenvolvidas do mundo, está-se menos predisposto hoje que no passado a confrontar-se com a pobreza. O estado de relativo bem-estar ao qual se habituaram torna mais difícil aceitar sacrifícios e privações. Está-se pronto a tudo só para não ficar privado daquilo que foi fruto de fácil conquista. Deste modo, cai-se em formas de rancor, nervosismo espasmódico, reivindicações que levam ao medo, à angústia e, nalguns casos, à violência. Este não é o critério sobre o qual construir o futuro; também estas são formas de pobreza, para as quais não se pode deixar de olhar. Devemos estar abertos a ler os sinais dos tempos que exprimem novas modalidades de ser evangelizadores no mundo contemporâneo. A assistência imediata para acorrer às necessidades dos pobres não deve impedir de ser clarividente para atuar novos sinais do amor e da caridade cristã como resposta às novas pobrezas que experimenta a humanidade de hoje.

Faço votos de que o Dia Mundial dos Pobres, chegado já à sua quinta celebração, possa radicar-se cada vez mais nas nossas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem, aos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração. Façamos nossas as palavras inflamadas do Padre Primo Mazzolari: «Gostaria de pedir-vos para não me perguntardes se existem pobresquem são e quantos são, porque tenho receio que tais perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar duma específica indicação da consciência e do coração. (…) Os pobres, eu nunca os contei, porque não se podem contar: os pobres abraçam-se, não se contam» (Revista «Adesso», n.º 7, 15 de abril de 1949). Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Santo António, 13 de junho de 2021.

[Francisco]

109 Associações internacionais de fiéis, assim como outras entidades sujeitas à supervisão do Dicastério para os Leigos, da Família e da Vida: o Caminho

109 Associações internacionais de fiéis, assim como outras entidades sujeitas à supervisão do Dicastério para os Leigos, da Família e da Vida: o Caminho Neocatecumenal, a Organização Internacional de Serviço do Sistema das Células Paroquiais de Evangelização, a Organização Mundial dos Cursilhos de Cristandade e o Serviço Internacional de Renovação Carismática Católica (CHARIS), têm novo regulamento para os mandatos de governo. A divulgação é do site Vatican News:

Decreto regulamenta os mandatos de governo nas associações internacionais de fiéis

Promulgada pelo Dicastério dos Leigos, da Família e da Vida e aprovada pelo Papa, a medida pretende promover uma saudável rotatividade nos cargos de governo para que a autoridade possa ser um autêntico serviço à comunhão contra o risco de personalismos e abusos. Possíveis dispensas para os fundadores.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida emitiu um Decreto geral que regulamenta a duração e o número de mandatos de governo nas associações internacionais de fiéis e a necessária representação dos membros no processo de eleição do órgão de governo internacional. A medida, aprovada de forma específica pelo Papa Francisco e promulgada hoje, entrará em vigor dentro de três meses. Será vinculativa para todas as associações de fiéis e para outras entidades reconhecidas ou erigidas pelo Dicastério.

O objetivo do Decreto é promover “uma rotação saudável” nos cargos de governo, para que a autoridade seja exercida como um autêntico serviço que se articula em comunhão eclesial.

Uma Nota explicativa publicada pelo Dicastério junto com o Decreto, observa que o Papa Francisco, “em linha com seus antecessores, sugere de compreender as exigências exigidas pelo caminho de maturidade eclesial das agregações de fiéis na ótica da conversão missionária”, indicando como prioridades “o respeito à liberdade pessoal, a superação da auto-referencialidade, dos unilateralismos e dos absolutismos, a promoção de uma sinodalidade mais ampla, assim como o bem precioso da comunhão”.

A Nota evidencia que “não é raro que a falta de limites aos mandatos de governo fomente, naqueles chamados a governar, formas de apropriação do carisma, personalismos, centralização de funções assim como expressões de auto-referêncialidade, que facilmente causam graves violações da dignidade e da liberdade pessoais e, até mesmo, verdadeiros e próprios abusos. Um mau exercício de governo” – observa-se – “inevitavelmente cria conflitos e tensões que ferem a comunhão, enfraquecendo o impulso missionário”.

Por outro lado, a experiência mostrou que “a mudança geracional dos órgãos de governo através da rotação das responsabilidades diretivas, traz grandes benefícios à vitalidade da associação: é uma oportunidade de crescimento criativo e um estímulo ao investimento formativo; revigora a fidelidade ao carisma; dá fôlego e eficácia à interpretação dos sinais dos tempos; encoraja novas e atuais formas de ação missionária”.

Ao mesmo tempo, o Dicastério, “ciente do papel fundamental desempenhado pelos fundadores”, reserva-se o direito de dispensá-los dos limites estabelecidos para os mandatos (Art. 5 do Decreto), “se considerar oportuno para o desenvolvimento e estabilidade da associação ou da entidade, e se tal dispensa correspondesse à clara vontade do órgão central de governo”.

Em artigo para L’Osservatore Romano, o padre jesuíta Ulrich Rhode, decano da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do Dicastério, assinala que, além das 109 entidades reconhecidas ou erigidas pelo Dicastério, o Decreto (com exceção do Art. 3) aplica-se também a outras entidades sujeitas à supervisão do Dicastério, incluindo o Caminho Neocatecumenal, a Organização Internacional de Serviço do Sistema das Células Paroquiais de Evangelização, a Organização Mundial dos Cursilhos de Cristandade e o Serviço Internacional de Renovação Carismática Católica (CHARIS). Padre Rhode, portanto, afirma: “É de se esperar que muitas associações deverão convocar uma assembléia geral para decidir sobre as mudanças a serem feitas nos estatutos a serem submetidos ao Dicastério para a aprovação necessária. Existe uma urgência particular para aquelas associações nas quais os limites previstos pelo Decreto já foram ou serão superados durante o período do mandato em andamento”.

Começa no próximo domingo, 13 e vai até 20 de junho a Semana do Migrante. O tema deste ano nos provoca e nos alerta

Começa no próximo domingo, 13 e vai até 20 de junho a Semana do Migrante. O tema deste ano nos provoca e nos alerta a um novo olhar para aqueles que vêm até nós e buscam uma vida melhor: Quem bate à nossa porta?

Dom José Luiz Ferreira Salles, bispo de  Pesqueira (PE) e presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes afirmou que “abordar essa temática significa estar disposto a ser uma Igreja em saída, sempre”.

Leia a matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:

De 13 a 20 de junho próximo, a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) realizam a da 36ª Semana do Migrante, este ano com o tema “Migração e diálogo”.  O lema adotado apresenta um questionamento bíblico: “Quem bate à nossa porta?”

Segundo o bispo de Pesqueira (PE) e presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes e referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, dom José Luiz Ferreira Salles, abordar essa temática significa estar disposto a ser uma Igreja em saída, sempre.

“Querer dialogar é sinônimo de quem se abre para a não intransigência. É estar aberto a viver com os diferentes. É criar cenários que propiciem soluções eficazes a partir do diálogo e de uma atitude desprovida de autoritarismos”, afirma.

Dom José Luiz convida a vivenciar a 36ª Semana do Migrante, neste tempo de “pandemia e pandemônios”, com o olhar e o coração atentos a quem “bate à tua porta” e, assim, abrir-se ao mundo e ampliar os laços do amor, da fraternidade e da justiça, esperançando em comunhão com a Igreja.

Texto Base 2021 

O material base está organizado a partir do método “Ver” (com os rostos e as histórias que se refletem em estatísticas os fluxos migratórios), Já o “Julgar” convida, à luz dos textos bíblicos, à promoção da migração em diálogo. O “Agir” acena sobre a necessidade de ir além e abrir-se a quem bate à porta.

“Não basta o reconhecimento da pluralidade; não basta a coexistência pacífica com o diferente; não basta o diálogo. O conceito de compromisso tem a ver com um programa de atividades centradas nas causas dos migrantes e refugiados. Aqui estão em jogo as ações sociopastorais e os atores”, sugere o Texto Base.

Segundo dom José Luiz, autor da apresentação, o Texto Base provoca à reflexão, a dimensão do diálogo e a riqueza cultural no processo migratório, mas lembra, também, que essa dinâmica pode acirrar os ânimos do rechaço ao diferente, ao outro, à outra.

“A migração, por si só, é já uma abertura ao diálogo. Querendo ou não, o ato de migrar provoca um potencial confronto dialógico. Pôr-se a caminho equivale a pavimentar a via para um intercâmbio entre diferentes expressões culturais e valores. Deslocar-se pressupõe ou estimula troca de valores”, traz o texto.

O bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, interpela a todos para pensarem sobre o “que os cristãos/católicos podemos fazer no sentido de pressionar por leis migratórias mais justas e inclusivas e que levem em conta os direitos humanos dos migrantes?”

Dom José lembra que o Texto Base deste ano, à luz da parábola do Bom Samaritano e a partir da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, faz o convite diante da realidade migratória: “abrir-se à sensibilidade, à solidariedade e ao profetismo”.

“O SPM e CNBB acenam à todas as instituições da Igreja no Brasil e da sociedade que atuam com migrantes e refugiados a somarem-se à 36ª Semana do Migrante na temática Migração e diálogo e a refletir conosco sobre a pergunta: ‘Quem bate à nossa porta?’”

Acesse os materiais de apoio:

Oração da 36ª Semana do Migrante
Texto Base da 36ª Semana do Migrante
Roda de Conversa da 36ª Semana do Migrante

Francisco na Audiência Geral: a oração é o respiro da vida O Papa Francisco, na audiência de hoje afirmou “uma oração que está alienada

Francisco na Audiência Geral: a oração é o respiro da vida

O Papa Francisco, na audiência de hoje afirmou “uma oração que está alienada da vida não é saudável” e pediu que sempre encontremos um tempo para rezar. A oração é o tema que o Papa vem desenvolvendo na catequese das audiências de quarta-feira.  ”

Leia abaixo a matéria publicada no site Vatican News.

Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua sendo o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita”, disse o Papa em sua catequese.

«Rezem sem cessar. Deem graças em todas as circunstâncias». Estes versículos da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses nortearam a penúltima catequese do Papa Francisco sobre o tema da oração na Audiência Geral desta quarta-feira  e compartilhe

Citando o itinerário espiritual do Peregrino russo, que começa quando se depara com esta frase do Apóstolo dos Gentios, Francisco sublinhou que as palavras de Paulo “comovem aquele homem que se questiona como é possível rezar sem interrupção, dado que a nossa vida é fragmentada em tantos momentos diferentes, que nem sempre tornam possível a concentração”. Assim, ele “começa a sua busca, que o levará a descobrir a oração do coração”.

A oração como pauta musical

Consiste em repetir com fé: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!” É uma oração que, pouco a pouco, se adapta ao ritmo da respiração e se estende ao longo do dia. Com efeito, a respiração nunca para, nem sequer quando dormimos. A oração é o respiro da vida.

A propósito dessa necessidade de oração contínua, ponto fulcral da existência cristã, o monge Evágrio do Ponto afirma: «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar». São João Crisóstomo, pastor atento à vida concreta, pregava: «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar». “A oração é uma espécie de pauta musical, onde colocamos a melodia da nossa vida. Não está em contraste com o trabalho diário, não contradiz as muitas pequenas obrigações e compromissos, mas é o lugar onde cada ação encontra o seu sentido, o seu porquê e a sua paz”.

Trabalho e equilíbrio interior

Certamente, pôr em prática estes princípios não é fácil. Um pai e uma mãe, ocupados em mil afazeres, podem sentir saudade de um período da sua vida, quando era fácil encontrar tempos regulares e espaço para a oração. Depois, os filhos, o trabalho, as ocupações da vida familiar, os pais que envelhecem. Tem-se a impressão de nunca conseguir concluir tudo. Por isso é bom pensar que Deus, nosso Pai, o qual tem de cuidar de todo o universo, se lembra sempre de cada um de nós. Por conseguinte, também nós devemos recordá-Lo sempre!

A seguir, o Papa recordou “que no monaquismo cristão o trabalho foi sempre realizado com grande honra, não só por dever moral de prover a si mesmo e aos outros, mas também por uma espécie de equilíbrio interior: é perigoso para o homem cultivar um interesse tão abstrato a ponto de perder o contato com a realidade”.

“O trabalho nos ajuda a manter-nos em contato com a realidade. As mãos juntas do monge carregam os calos daqueles que empunham pás e enxadas.”

Quando, no Evangelho de Lucas, Jesus diz a Marta que a única coisa realmente necessária é ouvir Deus, não significa de modo algum que despreza os muitos serviços que ela estava realizando com tanto empenho”, disse Francisco

Trabalho e a oração são complementares

Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua sendo o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita. É desumano estar tão absorvidos pelo trabalho a ponto de não encontrar tempo para a oração.

“Ao mesmo tempo, uma oração que está alienada da vida não é saudável. A oração que nos afasta da realidade do viver torna-se espiritualismo, ou pior, ritualismo”, sublinhou o Papa, recordando “que Jesus, depois de ter mostrado a sua glória aos discípulos no monte Tabor, não quis prolongar aquele momento de êxtase, mas desceu com eles do monte e retomou o caminho diário”. Segundo Francisco, “aquela experiência devia permanecer nos corações como luz e força da sua fé. Também uma luz e força para os dias próximos, os dias da Paixão”. “Assim, os tempos dedicados a estar com Deus reavivam a fé, que nos ajuda na realidade da vida, e a fé, por sua vez, alimenta a oração, sem interrupção. Nesta circularidade entre fé, vida e oração, o fogo do amor cristão que Deus espera de cada um de nós mantém-se aceso”, concluiu o Papa.

 

O site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicou hoje, 8 de junho de 2021, notícia sobre escritos inéditos de dom Helder

O site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicou hoje, 8 de junho de 2021, notícia sobre escritos inéditos de dom Helder Câmara e o processo de canonização. Dom Helder Pessoa Câmara foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil. Ficou conhecido por sua ação pastoral e trabalho para que a Igreja Católica sempre estivesse do lado dos pobres e marginalizados.

Leia abaixo a matéria da CNBB:

Documentos escritos por dom Helder Câmara (1909-1999), incluindo textos inéditos, estão sendo digitalizados e impressos. São cinco coleções que congregam cartas circulares, programas de rádio, discursos, correspondências e hemeroteca, totalizando 52.800 imagens, que serão enviadas à Congregação das Causas dos Santos, em Roma.

A expectativa é de que o acervo denominado “Escritos de Dom Helder Câmara: Processo de Beatificação e Canonização” chegue ao Vaticano dentro de dois meses, onde será analisado para posterior emissão de decreto de validade jurídica. Essa é a etapa seguinte dentro do processo de canonização de dom Helder, que teve sua fase romana iniciada em 2019.

O material, sob guarda do Instituto Dom Helder Câmara (IDHeC), está sendo impresso gratuitamente pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Grande parte desse arquivo já foi digitalizado pela Cepe e está disponível para leitura no site acervocepe.com.br.

No momento, há mais 51 cadernos de meditação (9.500 páginas) e 23 livros (2.753 páginas) para serem reproduzidos.

“As cartas circulares, manuscritas, são correspondências que ele manteve com um grupo de pessoas. Há, também, correspondências pessoais. Vamos enviar discursos inéditos que ele escreveu para uma determinada ocasião e na hora decidiu falar de improviso, além de discursos em suas várias versões até ficar pronto”, explica a bibliotecária do IDHeC, Vanuzia Brito.

Postulador da causa da canonização de dom Helder na etapa arquidiocesana e vice-postulador na fase romana, o frade capuchinho Jociel Gomes explica que a documentação seguirá para o Vaticano pelo malote diplomático da Nunciatura Apostólica, sediada em Brasília.

“Recebemos o pedido em 2020 e o Vaticano não estabeleceu prazo. Porém, quanto mais rápido melhor porque o andamento do processo de canonização depende desse material”, diz. “Quando o processo foi entregue ao Vaticano, em 2019, anexamos 300 documentos. Agora eles solicitaram tudo o que dom Helder escreveu, vamos enviar assim que o material estiver reunido”, completa o religioso.

Contribuições

O andamento do processo de beatificação, defende frei Jociel, não depende só de quem conduz os trâmites burocráticos. O religioso diz que os fiéis têm um papel de suma importância e podem ajudar recitando frequentemente a oração pedindo a intercessão de dom Helder. “No caso da graça alcançada pedimos que informem à Arquidiocese de Olinda e Recife para que a comissão possa investigar possíveis milagres”, explica.

Oração para pedir a Deus a beatificação e canonização de dom Helder Câmara
e alcançar graças por sua intercessão

“Ó Deus de amor e misericórdia, que destes à Igreja o Bispo Dom Helder Câmara, nós vos agradecemos pelo dom de sua vida e vos bendizemos por suas virtudes. Exercendo o seu ministério em favor da justiça e da paz, e dedicando sua missão à causa dos pobres, imitou o Bom Pastor que deu a vida por suas ovelhas. Vós que prometestes glorificar aqueles que vos servirem, dignai-vos glorifica-lo com a honra dos altares e, por sua intercessão, dai-nos a graça que vos suplicamos (menciona-se a graça em silêncio). Fazei que, seguindo o seu exemplo, possamos testemunhar o vosso amor e a vossa misericórdia, junto aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao pai.

De acordo com o vice-postulador, já há relatos de pessoas em várias partes do Brasil, que alcançaram bênçãos, principalmente na área da saúde, por intercessão do Dom da Paz. “Também nessa fase é importante que quem tem uma história que viveu com dom Helder e testemunhou um gesto de virtude cristã nos relate com todos os detalhes para que possamos ilustrar o positio”, recomenda.

Os relatos podem ser enviados pelo e-mail [email protected] ou por carta para o endereço: Palácio dos Manguinhos – Av. Rui Barbosa, 409, Graças, CEP: 52.011-400 – Recife (PE).

Outra maneira de colaborar com a beatificação de dom Helder é ajudando nas despesas com documentação, viagens e outros custos que o processo exige. Para isso, a arquidiocese de Olinda e Recife criou uma conta bancária específica (Banco do Brasil, Agência 3108-9, Conta Corrente 37570-5, em nome de AORCANON DOM HELDER).