SUICÍDIO EM CRIANÇAS: QUE MUNDO É ESSE?

1 novembro, 2021

Vania Reis    |

Semana passada vimos as assustadoras estatísticas que nos mostraram o aumento do suicídio em crianças, inclusive existente antes da pandemia, que pode ser acessado neste link https://www.aves.org.br/suicidio-infantil-e-pandemia/. O que faz uma criança querer morrer? Se aos 7, 8, 9, 10 anos a vida está insuportável, o que está acontecendo com a nossa sociedade?! O que aconteceu para nossos filhos perderam a alegria infantil?

Entre as crianças mais carentes  os fatores de risco foram ampliados pela má nutrição e a disciplina violenta segundo estudo da Unicef. Muitas famílias viveram e ainda vivem uma realidade de extrema penúria. Muitos tiveram que renunciar ao lar e morar com familiares. Falta esperança de uma vida melhor.

Falam do desemprego, que claro é fator importante, mas a maioria destes viviam de pequenos serviços ou comércio de rua. Com o isolamento social e o  repetitivo lema do “fique em casa” literalmente tirou-se a comida da boca de muitas famílias. Confinados em espaços pequenos e frustrados nas suas necessidades a agressividade veio à tona e certamente a disciplina em muitos lares tornou-se violenta. O consumo de álcool cresceu muito neste período. Situação crítica

Mesmos em lares onde a situação social não é tão grave, houve esse preocupante aumento de suicídio em crianças e adolescentes  mesmo antes da pandemia. Precisamos, então, buscar respostas nas suas origens. Falando de forma  muito sintética e sem pretensão de dar uma visão completa vamos buscar apenas ampliar o nosso olhar.

Foram as ideias do movimento Iluminista (dos séculos 17 e 18) as bases das grandes transformações  da nossa sociedade. O  ideal de Rousseau  e seus seguidores era defender a liberdade, a razão, o progresso, a ciência e o afastamento entre igreja e estado. Ao se  contraporem ao domínio da igreja católica  como poder de Estado (e lutar contra a monarquia absolutista) esses pensadores  atacaram não só a igreja mas também a religião. Com o desenvolver dos críticos dos últimos séculos, como Marx, Nietzsche, Freud para citar uma ínfima parte, se chegou hoje ao culto da liberdade, que trouxe o individualismo  e o inevitável confronto com os princípios morais e éticos cristãos (que nada tem de individualismo). Para garantir a liberdade (e todas os seus desdobramentos)  mais recentemente começaram  a policiar a sociedade (tirar a liberdade) para que seus valores não pudessem ser mudados, com movimentos do tipo do “politicamente correto”( que passa a ser incorreto ao colocarem todos nós sob o mesmo padrão e critérios, ocorrendo muitas injustiças) como faziam os fariseus.

Os desdobramentos das ideias Iluministas, entre muitos outros,  levaram ao não direito dos pais de educarem os filhos como quiserem, ou seja a regulação do Estado na educação das famílias e as suas nefastas consequências. Lá embaixo combateram a igreja católica pelos mesmos motivos. Não queriam a  igreja fazendo parte na condução do povo e hoje  o estado laico quer impor às famílias cristãs seus  princípios e valores  e que de forma mais sutil (ou não) visam atacar nossas crenças junto com os direitos e liberdade dos pais. E ainda muitas vezes negligenciam os deveres destes pais.

A Unicef aponta em seus estudos(2021)1: “Na adolescência (como na infância), a criação e o apoio dos pais continuam sendo um dos mais fortes protetores da saúde mental.

Vejam bem “a criação e o apoio dos pais” é o que pode retroceder esse cenário. Não a liberdade dos pais de fazerem o que quiserem, de  serem individualistas  e de  cuidarem fundamentalmente de si mesmos. Muitos nem querem ter mais filhos porque não querem assumir a responsabilidade de serem pais, mas muitos querem ter apenas um “troféu social”, e igualmente não querem assumir a responsabilidade de serem pais. Nestes, as ideias de certo e errado, são totalmente autocentradas. Terceirizaram para a escola as suas responsabilidades e as próprias escolas tentam, na maior parte das vezes, retornar essa responsabilidade aos pais, que não as aceitam . “Suspenso no ar” sem ninguém verdadeiramente assumindo a criação dessas crianças, elas ficam à deriva! Sem se sentirem cuidadas, protegidas, a ansiedade cresce e a necessidade de apoio também. A criança busca então os colegas, querem se sentir parte, mas… com tantos modelos de criação individual e individualista, será difícil se encaixar. O bullying surge para a maioria e  sempre existiu, mas o problema agora é que ele atinge uma dimensão absurda com as redes sociais. Ser excluído do grupo dos amigos é punição terrível, publicamente então! Se à essa realidade se acrescer a falta de diálogo, a violência doméstica e disciplinar, a questão se agrava e aparecem a depressão, o isolamento, a automutilação e a  ideação suicida.  Percorremos aqui um caminho da depressão nas crianças e jovens, mas podemos somar muitos outros. É uma preciso parar e ver onde essa realidade está nos levando. Não podemos [1]assistir  essa  triste realidade de braços cruzados.

 

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